Esquerda basca lamenta “dor” causada pelo ETA

Por Paulo F.

Do Diário de Notícias de Lisboa

Esquerda basca lamenta “dor” das vítimas da ETA

Maribi Ugarteburu é uma das representantes da esquerda separatista basca e esteve no evento.
Maribi Ugarteburu é uma das representantes da esquerda separatista basca e esteve no evento. Fotografia © REUTERS/Vincent West

A esquerda independentista basca lamentou hoje, pela primeira vez, a “dor” que causou às vítimas da ETA, apelando à destruição das armas do grupo que anunciou ter abandonado a luta armada em outubro.

“A esquerda ‘abertzale’ reconhece que pode ter transmitido, através das suas declarações ou atos, uma imagem de insensibilidade face à dor causada pelas ações da ETA”, salienta o documento intitulado “Vento de solução”.

Perante grande parte dos seus representantes, entre os quais Rufi Etxebarria e Maribi Ugarteburu, o braço político da ETA apresentou hoje este manifesto a dezenas de militantes de San Sebastián, no País Basco.

Pela primeira vez, o movimento político reconheceu que o seu “posicionamento” face às ações da ETA causou “uma dor suplementar ou um sentimento de humilhação” das vítimas da organização terrorista e pediu o “desmantelamento das suas estruturas militares”, sem no entanto apelar à dissolução do grupo, como pretende o governo espanhol.

A associação Dignidad y Justicia (DyJ), que tem como objetivo a luta anti-terrorista e a derrota da ETA declarou, após a divulgação do manifesto, que nunca reconhecerá nenhum tipo de reconciliação entre vítimas e carrascos e lamentou que a esquerda ‘abertzale’ com a sua “linguagem falsa e mentirosa” continue a comparar as vítimas do terrorismo com os mortos da ETA.

Para a DyJ, a esquerda ‘abertzale’ “engana-se se pensa que se vai aceitar a palavra conflito” entre etarras e o resto da sociedade.

“Foi um massacre e um genocídio no qual os ‘nazis’ foram os etarras e nós as vítimas. Não contém connosco. Não vacilaremos nem um pouco”, frisou a DyJ, recordando que o movimento nunca condenou o terrorismo da ETA, nem esclareceu os 300 assassínios que ficaram por resolver.

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