Maioria dos irlandeses vota para mudar Constituição que proíbe aborto

Jornal GGN – Pesquisas de boca de urna divulgadas na sexta indicam que a maioria dos irlandeses votou para mudar a 8ª emenda da Constitutição do País, que proibia a realização de aborto em qualquer hipótese, ao custo de colocar a vida de mulheres em risco. Segundo informações do DW, as projeções mostram que quase 7 em cada 10 irlandeses apoiaram a abertura de um caminho para que uma lei que regulamente a interrupção da gravidez seja debatida.

Do DW

Irlandeses apoiam legalização do aborto, mostram projeções

A maioria dos irlandeses votou nesta sexta-feira (25/05) pela reforma das regras constitucionais que impedem o aborto no país, segundo as primeiras projeções. O resultado preliminar do referendo reforça a onda de liberalização que se tem visto na nação de forte tradição católica nos últimos anos.

Duas diferentes pesquisas de boca de urna apontam que entre 68% e 69% dos votos foram a favor de afrouxar as leis do aborto, enquanto de 31% a 32% dos eleitores votaram contra. Os números oficiais, no entanto, só devem ser conhecidos na tarde deste sábado.

Se confirmado, o resultado será o mais recente marco de um caminho de mudanças na Irlanda, um país que só legalizou o divórcio em 1995 – por uma maioria apertada – e se tornou o primeiro país a aprovar o casamento gay em voto popular há três anos.

Cerca de 3,5 milhões de eleitores estavam habilitados a votar no referendo desta sexta-feira, que visa a Oitava Emenda à Constituição irlandesa, de 1983. A revogação de um trecho dessa emenda pode abrir caminho a uma nova lei que legalize o aborto no país.

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Segundo o Conselho Nacional da Juventude, cerca de 125 mil novos eleitores se registraram para votar antes da consulta, mais do que o dobro do número observado em 2015 antes do referendo sobre o casamento gay, quando foi de 66 mil a cifra de novos votantes.

A legislação sobre a interrupção da gravidez na Irlanda é considerada uma das mais restritivas da Europa. Atualmente, o aborto só é permitido se a gestação representar perigo à vida da mãe – uma exceção que só foi incluída na lei em 2013.

Em qualquer outro caso, como estupro ou se o feto não tiver chances de sobreviver fora do útero, o aborto é proibido. Mulheres e profissionais de saúde que participem da prática podem ser condenados a até 14 anos de prisão no país.

O referendo foi precedido por uma campanha dura e amarga, que escancarou as divisões entre as populações rurais e urbanas e entre as camadas jovens e mais velhas da sociedade irlandesa. Segundo uma das projeções, nove em cada dez eleitores com menos de 24 anos votaram a favor da liberação do aborto.

O governo da Irlanda, por sua vez, vinha fazendo campanha a favor da alteração da lei. “Parece que faremos história amanhã”, afirmou o primeiro-ministro do país, Leo Varadkar, após votar “um grande sim” na consulta pública desta sexta-feira.

O ministro irlandês da Justiça, Charlie Flanagan, saudou o que chamou de “mais um grande passo para longe de nosso passado sombrio”. Já a ministra das Crianças, Katherine Zappone, uma das primeiras defensoras da realização do referendo, disse que um “dia histórico e emocionante” está prestes a chegar.

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Se as atuais normas forem de fato revogadas, o governo irlandês informou que vai propor introduzir uma lei que permita o aborto nas 12 primeiras semanas de gravidez em qualquer circunstância.

Após as 12 semanas, a interrupção da gestação só seria autorizada se houver risco grave à vida ou à saúde mental da mãe, ou se for identificada uma anomalia no feto que provavelmente leve à sua morte antes ou logo após o nascimento, segundo os planos do governo.

EK/ap/dpa/efe/lusa/rtr

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1 comentário

  1. Maioria…..

    E a IRLANDA fará isto em Urnas de Plastico Reciclável em Cédulas de Papel, a um Custo Irrisório?!!! Não precisaram de Urna Eletrônica com Biometria Castradora?!!! Como é fantástica esta Democracia, Livre, Soberana, Liberal, Republicana e FACULTATIVA, onde o Cidadão se representa de forma DIRETA em Votações, Referendos e Plebiscitos !! E não compreendemos o NOSSO 2018 Tupiniquim?  

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