Quais países e por que os EUA justificam enviar bilhões de dólares?

Os dados da USAID revelam um total de 36,1 bilhões de dólares que foram enviados pelos EUA em 2016 a países em situações de guerra e conflitos. Como fonte da reportagem de “How Much”, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional alega “necessidades” destes países. A tradução é do GGN, mas a análise é do site norte-americano


Foto: Reuters

Do How Much

Traduzido pelo Jornal GGN

 
Gráfico sugerido pelo leitor Paulo F.
 

Donald Trump disputou à Presidência dos Estados Unidos carregando a bandeira “EUA Primeiro!“. E o que isso significa, na prática, para sua estratégia de governo e política externa? Cortes drásticos nas despesas de ajuda externa: o dinheiro que os Estados Unidos enviam a outros países por supostas razões humanitárias, de desenvolvimento e econômicas. 

Esse dado nos fez refetir sobre a remessa estrangeira que o país hoje envia ao exterior e para onde este dinheiro está indo. Por isso, criamos um novo infográfico:

Decidimos compilar dados da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) de 2016, último ano que os números foram disponibilizados. A USAID acompanha a quantidade de dinheiro que os contribuintes dos Estados Unidos enviam para o exterior, em quais atividades nós gastamos e por quê. 

Mudamos as proporções de um mapa do mundo para representar os países que recebem mais dinheiro (quanto maior o país aparece no gráfico, mais dinheiro recebe). Também codificamos a cor de cada um de acordo com a finalidade dos fundos. Mapear as atividades da USAID desta maneira mostra exatamente como e por que os EUA enviam dinheiro para o exterior.

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De imediato, é possível visualizar muitos países grandes e vermelhos no mapa do Oriente Médio, onde os EUA gastam bilhões de dólares por ano para reduzir conflitos, manter a paz e promover a estabilidade. Isso ocorre porque a ajuda externa tende a seguir, proporcionalmente, as missões das tropas norte-americanas. Como consequência, o número um e o dois dos destinatários de remessa – Iraque e Afeganistão – continuam sendo grandes palcos de combate para centenas de soldados dos EUA.

Israel, o terceiro maior destinatário da nossa lista, continua a ser um forte aliado do país. Inclusive, com Donald Trump já considerando Jerusalém como a capital de Israel, é possível supor que os US$ 3,1 bilhões que Israel recebe está muito provavelmente a salvo de cortes. No total, os EUA gastam mais de US$ 18,3 bilhões em redução de conflitos.

A segunda tendência óbvia em nosso mapa é um grupo de países rosa de tamanho mediano, representando as despesas americanas em “saúde” e “medidas populacionais” em toda a África, em países como Quênia e Etiópia. Tomados como um todo, estes países representam US$ 7,2 bilhões em gastos. A terceira categoria mais cara é para situações de “emergência”, como terremotos e inundações, totalizando US$ 6,1 bilhões.

À primeira vista, quando se constata que os EUA estão enviando bilhões de dólares para outros países, pode parecer uma tonelada de recursos desperdiçado. O orçamento total da USAID em 2016 que transformamos em gráfico representa $ 36,1 bilhões.

Mas a análise é: será muito dinheiro para uma economia com um PIB de US$ 19,5 trilhões? E se você considerar que o orçamento do presidente Trump somente para o Departamento de Defesa custa $ 639 bilhões? Se essas despesas forem capazes de impedir conflitos futuros e evitar a fome de populações, talvez seja um dinheiro bem gasto.

Com essas análises em mente, segue abaixo a lista dos dez maiores destinatários dos fundos da USAID em 2016, elencados pelo valor exato em dólares:

1. Iraque: US$ 5.281.179.380 (para conflitos, paz e segurança)

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2. Afeganistão: US$ 5.060.306.051 (para conflitos, paz e segurança)

3. Israel: US$ 3.113.310.210 (para conflitos, paz e segurança)

4. Egito: US$ 1.239.291.240 (para conflitos, paz e segurança)

5. Jordânia: US$ 1.214.093.785 (para conflitos, paz e segurança)

6. Quénia: US$ 1.143.552.649 dólares (para políticas de população e saúde reprodutiva)

7. Etiópia: US$ 1.111.152.703 (para emergências)

8. Síria: US$ 916.426.147 (para emergências)

9. Paquistão: US$ 777.504.870 (para conflitos, paz e segurança)

10. Uganda: US$ 741.326.448 (para políticas de população e saúde reprodutiva)

Observação: Os Estados Unidos alega enviar bilhões de dólares ao exterior por diversas razões diferentes. Quando se observa esta lista, muitos desses lugares são pobres e destruídos por guerra. 

Nenhum dos primeiros vinte países está localizado no Hemisfério Ocidental. Independentemente se você considera que são investimentos inteligentes ou dólares desperdiçados, é uma boa idéia saber onde e por que o governo gasta tanto no outro lado do planeta.

Fonte de dados: Tabela 1.1

 

 

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5 comentários

  1. A finalidade é muito fácil de

    A finalidade é muito fácil de adivinhar. Foi pagamento de propina.

    Qualquer imbecil sabe que este país é o maior pagador de propina do mundo.

    Quanto será que os membros da lava rato levaram deste bolo?

  2. Lembrando que em 2016 ainda
    Lembrando que em 2016 ainda era o governo do Obama. Não precisam culpar o Trumpelho por tudo.

  3. Criação de Cunhas e FHC’s pelo mundo…

    Aporte financeiro do Pentágono para a criação de políticos alinhados com a “democracia” norte-americana .

    Repassa-se leite em pó, frango, enlatados etc.. para germinar lideranças “democráticas” nestes países .

    Será mel na chupeta se conseguirem transformar os refugos da industria alimentícia americana numa espécie de ração do Dória (um pouco mais apetitosa que a do politiqueiro paulista) .

  4. Um pequeno investimento.

    A maior parte dos 36 bi que eles “gastam”  no exterior representa, na verdade, um pequenino investimento com retorno garantido e multiplicado milhares de vezes para a poderosa indústria bélica, que se alimenta do sangue e da morte de seres humanos (culpados ou não) do “outro lado do mundo”!

    • um….

      Quem financia o terrorismo pelo Mundo? A matéria explica. Muito dinheiro para os sunitas, oriundos da Arabia Saudita, produzirem suas carnificinas contra os xiitas, de ascendência iraniana. Mas agora sem o monopólio das informações e da Imprensa, fica mais difícil sua propaganda fraudulenta. Não é à toa que Putin, está nadando de braçlada.  

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