Jogos Olímpicos: o que o Brasil pode aprender com Londres

Greves, segurança e transporte público sobrecarregado, como Londres superou ameaças que rondam o Rio 
 
Tânia Regô/Agencia Brasil
 
Jornal GGN – A última cidade a sediar os Jogos Olímpicos, Londres, também sofreu uma série de críticas momentos antes do início do evento, há quatro anos. Os problemas enfrentados na época foram semelhantes aos vividos atualmente pelo Rio de Janeiro: segurança pública, ameaça de greves, sobrecarga nos aeroportos, transporte e condições da Vila Olímpica. 
 
No artigo à seguir, a BBC Brasil conta como os organizadores conseguiram superar todos os obstáculos. No quesito segurança, Londres sofreu um imprevisto semanas antes do início dos jogos, quando a empresa responsável pela segurança do evento anunciou que não teria funcionários suficientes. O governo fez uma rápida convocação para preencher as vagas faltantes e completou o quadro com soldados das Forças Armadas e policiais do país. 
 
Já a ameaça de greve partiu de diversas categorias do transporte público: funcionários do metrô, trens, motoristas de ônibus e até do aeroporto internacional de Heathrow. O governo agilizou um acordo com vários sindicatos oferecendo um bônus salarial para quem trabalhasse durante os Jogos. Ainda assim Londres sofreu com a greve de funcionários da limpeza do metrô. 
 
 
 
Críticas a cidades-sede dos Jogos Olímpicos – como as que vêm sendo direcionadas às moradias dos atletas no Rio de Janeiro – não são exclusivas da edição brasileira da competição.
 
Em escala diferente, Londres também sofreu com problemas de última hora ao sediar a última edição do evento esportivo, há quatro anos.
Imprevistos angustiaram os organizadores – a ponto de a imprensa local classificar a Olimpíada como um “fiasco” antes mesmo do início da competição. Diagnóstico que, ao final, acabou não se concretizando.
 
Relembre cinco problemas enfrentados por Londres às vésperas dos Jogos – e como eles foram resolvidos.
 
1) Segurança
 
Um dos maiores imprevistos envolveu a segurança do evento: uma semana antes do início da Olimpíada, a empresa contratada para fazer a vigilância informou que não conseguiria viabilizar o número necessário de funcionários.
Orçado em 284 milhões de libras (R$ 1,2 milhão, em valores atuais), o contrato previa a mobilização de mais de 10 mil guardas, mas a companhia de segurança G4S só foi capaz de fornecer 6 mil.
 
Qual foi a solução?
 
O governo teve de fazer uma convocação adicional de 4,7 mil militares para ajudar na segurança do evento. Ao todo, mais de 18 mil soldados das Forças Armadas atuaram na Olimpíada, mais do que o dobro do contingente do país no Afeganistão na ocasião.
 
Além disso, policiais em todo o país também tiveram de ser mobilizados às pressas.
 
Na ocasião, o chefe do Comitê Organizador de Londres, Paul Deighton, afirmou que a contratação da empresa tinha sido uma grande “decepção”.
 
“Assinamos um contrato com a maior empresa de segurança do mundo, cujo maior cliente era o governo britânico. Eles nos garantiram diversas vezes a capacidade de fornecer seguranças. Claro que foi uma grande decepção. 
 
Trata-se de um desempenho pífio em um contrato muito importante”, disse ele.
A G4S pediu desculpas pelo problema e se comprometeu a ressarcir os gastos relacionados à mobilização adicional das forças de segurança. A empresa também perdeu licitações com o governo e acabou registrando seguidos prejuízos financeiros.
 
2) Greves
 
Londres também teve de lidar com ameaças de greve durante a Olimpíada.
 
Diversas categorias – como funcionários do metrô e dos trens, além de motoristas de ônibus – ameaçaram realizar paralisações por reajustes salariais e melhores condições de trabalho durante a realização do evento.
 
No aeroporto internacional de Heathrow, o mais importante do país, oficiais da alfândega convocaram uma greve no dia anterior à cerimônia de abertura. Eles argumentaram que, por causa de cortes de pessoal, não conseguiriam atender ao volume extra de passageiros durante os Jogos.
 
Funcionários da limpeza do metrô também planejaram uma “operação-padrão” por 48 horas, ou seja, trabalhando o mínimo necessário a partir do início do evento.
 
Qual foi a solução?
O governo chegou a um acordo com vários sindicatos, oferecendo bônus salariais que chegaram a até mil libras (R$ 4,3 mil em valores atuais) a quem trabalhasse durante os Jogos. As greves acabaram canceladas.
Os funcionários de limpeza do metrô, contudo, chegaram a realizar uma paralisação, mas que não teve grande impacto no sistema de transporte.
 
3) Filas no aeroporto
 
Um mês antes do início da Olimpíada, filas intermináveis na imigração do aeroporto de Heathrow – com tempo de espera médio de até 2,5 horas – alimentaram temores de uma “crise iminente”, como alertou na ocasião a BAA, consórcio que administra o espaço.
 
“As filas de imigração para passageiros durante os horários de pico em Heathrow nos últimos dias foram inaceitavelmente longas e o Ministério do Interior deveria fornecer uma boa experiência para passageiros regulares e visitantes olímpicos”, informou a empresa em nota.
 
Qual foi a solução?
O governo decidiu contratar mais 500 funcionários para desafogar o controle de passaporte.
Além disso, mais de mil voluntários também ajudaram atletas e turistas no desembarque. O caos previsto não veio.
 
4) Transporte
 
Na quarta-feira anterior à abertura da Olimpíada, motoristas de Londres foram impedidos de trafegar por cerca de 45 km de vias. Autoridades também estabeleceram faixas prioritárias durante o evento esportivo – quem fosse flagrado usando as pistas poderia ser multado em até 200 libras (R$ 860).
Houve ainda uma série de mudanças no trânsito. Semáforos, por exemplo, tiveram o temporizador alterado para facilitar o fluxo de veículos.
 
Por causa disso, as principais estradas em direção a Londres registraram longos engarrafamentos.
 
Dentro da cidade, alguns motoristas reclamaram da sinalização “confusa”. Segundo eles, certas pistas pareciam permanecer livres à circulação de todos os veículos enquanto placas traziam sinais “conflitantes”.
 
Além disso, em razão da grande movimentação de passageiros, houve atrasos e interrupções temporárias em linhas de metrô, especialmente naquelas que se dirigiam ao Parque Olímpico.
 

 

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