Aparte do ministro Gilmar Mendes gera revolta entre os povos indígenas

Renato Santana
Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.
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Indígenas afirmam que Gilmar Mendes mentiu, fez falas racistas e propagou notícias falsas sobre a Terra Indígena Raposa Serra do Sol

Ministro Gilmar Mendes durante a sessão plenária do STF. Foto: Carlos Moura/SCO/STF

O ministro Gilmar Mendes pediu um aparte durante o término do voto do ministro André Mendonça, na tarde desta quinta-feira (31), durante sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) que julga a fixação ou não da tese do marco temporal na repercussão geral do Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365. 

Este aparte durou por volta de 1 hora e nele o ministro, a partir de um retorno ao PET 3337 do STF, que discutiu a demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol, reabre questões envolvendo os povos indígenas que não estavam presentes no atual julgamento e que indignaram os povos indígenas. 

Para o Conselho Indígena de Roraima (CIR), em nota publicada nas redes sociais logo após a fala do ministro, se trata de “pura mentira, uma verdadeira fake news propagada pelo ministro Gilmar Mendes que os índios de Raposa Serra do Sol estão nos lixões da cidade”. 

O CIR também disse que é uma notícia falsa perigosa, dada pelo ministro em sua fala, de que os indígenas ampliaram por só a Terra Indígena Raposa Serra do Sol para 10 milhões de hectares – ela foi demarcada pela Fundação Nacional do Índio (Funai) com 1 milhão e 700 mil hectares. 

A liderança indígena Marciano Xokleng afirmou que acompanhava o julgamento com outros indígenas da Articulação dos Povos Indígenas da Região Sul (ArpinSul) e a organização repudia ataques racistas, mentirosos e inverídicos do ministro. 

Mendes chegou a dizer que o cacique Babau Tupinambá não é indígena, mas “um negro ali de Minas Gerais”, que teria ido para o sul da Bahia liderar outros supostos indígenas e que estava causando medo, “passando com motos e com carros”, nas pessoas – inclusive nele, que foi à região para dar uma palestra. 

Renato Santana

Renato Santana é jornalista e escreve para o Jornal GGN desde maio de 2023. Tem passagem pelos portais Infoamazônia, Observatório da Mineração, Le Monde Diplomatique, Brasil de Fato, A Tribuna, além do jornal Porantim, sobre a questão indígena, entre outros. Em 2010, ganhou prêmio Vladimir Herzog por série de reportagens que investigou a atuação de grupos de extermínio em 2006, após ataques do PCC a postos policiais em São Paulo.

2 Comentários

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  1. Como sempre ocorre esse fdp acredita que o voto dele vale mais que os votos dos outros Ministros. Gilmar Mendes presume que o voto dele tem mais valor que os votos dos outros Ministros do STF. E ele está velho demais para deixar de ser preconceituoso e ridículo.

  2. A visão de Gilmar sobre os componentes do STF , é a mesma que tem sobre Diamantino , sua Fazenda . Lá como cá , impõe o que quer aos berros e aguarda os resultados. No caso em tela , defendeu as Multinacionais( mineradoras) , e como Fux disse aos Bancos , ” estou com as portas abertas para recebe-los , venham tomar um cafezinho’ !!!

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