Apelo a medo e saudade de família foi chave para delações na Lava Jato, conta livro

 
Jornal GGN – Se para presos comuns o instrumento da delação premiada é benéfico ao primeiro a revelar os crimes e, até então, a impunidade do silêncio pode ser constante, para os presos da Lava Jato o que move a suposta colaboração com os investigadores são “medos irracionais”.
 
Assim descreveu o ex-agente da Polícia Federal, Newton Ishii, conhecido como o “Japonês da Federal” ao jornalista Luís Humberto Carrijo, para o livro lançado no início do mês, “O Carcereiro”.
 
De acordo com a narrativa de Carrijo, o ex-agente contou que o ex-ministro Antonio Palocci, por exemplo, pediu a Ishii indicação de pessoas que pudessem fazer a segurança de familiares. “Se você fala [delata], não existe mais motivo para alguém te eliminar, porque o segredo que poderia prejudicar alguém já foi revelado”, recomendava o delegado.
 
A estratégia era fazer os investigados pensarem que chegaram a conclusão de que o acordo de delação com a Lava Jato era a melhor solução por conta própria. E a mesma tática teria sido usada pelo lobista Fernando Baiano, o operador do PMDB, que mencionou a Ishii ter medo de ser assassinado.
 
Outro benefício que teria movido boa parte dos presos da Lava Jato a fechar o acordo foi a saudade de familiares. “Newton conta que a predisposição dos presos em colaborar foi desenhada nas primeiras visitas dos familiares”, escreve Carrijo. Alguns presos teriam consultado o ex-agente sobre a prudência ou conveniência de delatar, e Ishii mencionava a família. “Bom, você tem que ver o lado da família, né? Os filhos, a esposa. Aí a decisão é tua”, dizia.
 
E o “Japonês da Federal” aproveitava dessa fragilidade para explorar a debilidade para um possível acordo. As visitas de familiares eram em um espaço que separava o preso dos visitantes por um vidro. Nas próximas visitas, os presos poderiam pedir para ocorrer em uma sala sem o vidro.
 
“Mas o carcereiro era implacável e não permitia a aproximação física. Somente após um sem-número de visitas, quando o preso apresentava sinais de profunda melancolia, Newton consentia algo mais íntimo, uma colher de chá de foro pessoal do agente para aliviar a tensão dos detentos”, narra o livro.
 
Após esse primeiro contato pessoal, os acordos de delação eram fechados imediatamente depois. “Aí que você comprova o quanto a falta da família interfere nas escolhas do indivíduo. Essa carência era o que mais pegava na vida do cárcere”, diz.
 
Esse e outros detalhes do livro “O Carcereiro – O Japonês da Federal e os presos da Lava Jato”, escrito por Luís Humberto Carrijo e editado pela Rocco, foram descritos pelo jornalista Pedro Canário, em reportagem no Consultor Jurídico. Leia mais aqui.
 
 

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4 comentários

  1. Na Republica das Bananas pode……

    Êsse japonês, agora aposentado, também aposentou a ética e resolveu faturar uns trocados com essas revelações. Como também deve ser meio analfabeto, pediu ajuda a um jornalista igualmente sem escrúpulos e ganancioso. Essa porcaria não vai vender 5 mil exemplares. E os muito bem remunerados superiores e corregedores da PF, MPF e MJ se fingem de mortos e permitem.

  2. Memórias de um torturador

    As revelações do carcereiro só reforçam a convicção de que as prisões arbitrárias da Vaza Jato foram utilizadas como forma de tortura pela facção golpista.  Qualquer semelhança com a doutrina estadunidense para a tortura não é mera semelhança: fora dos limites territoriais, tudo é permitido, em nome do Tio Sam.

    Isto nos deixa profundamente enojados.

  3. cegos em tiroteio

    A que pontos chegamos! lemos num dos melhores blogs de esquerda – este mesmo, do Nassif – o que parece um comovedor conto da carochina: as impressões de um indivíduo que até pouco tempo não merecia nenhuma credibilidade ou deveria merecer toda a indignação de quem acompanhou o degradante espetáculo midiática do qual este senhor se destacou. Como não devemos ter mais nada de interessante a ler ou a criar, vamos às memórias do tal, é isso, né?

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