Aras usa inquérito contra bolsonaristas para salvar imagem dentro da PGR e STF

Depois de atender a interesses de Bolsonaro, Augusto Aras busca agora provar isenção junto aos membros do órgão e o Supremo

O presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral da República, Augusto Aras - Foto Adriano Machado/Reuters

Jornal GGN – Após ser alvo de duras críticas por seu posicionamento em defesa do presidente da República em investigações e conduções dentro da Procuradoria-Geral da República, Augusto Aras busca agora provar isenção junto aos membros do órgão que comanda. Para isso, ele está usando o inquérito que trata dos atos antidemocráticos, que afeta alguns bolsonaristas e aliados do baixo clero do mandatário, para indicar atuação imparcial.

O procurador-geral deu sinal verde aos investigadores a dar continuidade aos mandados, com buscas e apreensões, além da coleta de depoimentos, dos alvos deste inquérito, que envolveu, entre outras, a prisão da própria militante bolsonarista de extrema-direita Sara Winter, líder do grupo armado de direita “300 do Brasil”, no final de junho.

Passou também pelas mãos do PGR as deflagrações contra os deputados Bia Kicis (PSL-DF), Guiga Peixoto (PSL-SP), Aline Sleutjes (PSL-PR) e General Girão (PSL-RN), além de empresários e apoiadores do mandatário, que foram alvos de 29 mandados de busca e apreensão, e intimações a prestar depoimento.

O gesto não condiz com a recorrente atuação do PGR, que vem atuando a favor dos interesses do chefe do Executivo em todas as investigações no Supremo Tribunal Federal (STF). Para este inquérito, em especial, além de não atingir diretamente a cúpula do governo, incluindo ministros ou interlocutores de sua confiança direta, ou um dos seus filhos, acata a duas preocupações que vem cercando a credibilidade de Aras: dentro da Procuradoria e do STF.

Leia também:  Vídeo: Em ato falho, subprocuradora antecipa nova condenação de Lula

Na Procuradoria, já é de conhecimento que boa parte de seus pares não aprova a condução e as medidas de Aras. Não somente porque o PGR não foi um dos integrantes da lista tríplice votada pelos membros do próprio Ministério Público -e portanto não conta com a aceitação interna de seu comando-, como também passou a enfrentar oposição da frente lavajatista dentro do MPF, desde que o ex-ministro e ex-juiz Sérgio Moro saiu do governo e abriu espaço para o conflito direto com o mandatário.

Por outro lado, no Supremo, Aras também vem adotando medidas atípicas em investigações que miram tanto o presidente Jair Bolsonaro, como seus filhos. A atuação do PGR na recondução de casos, arquivamentos, atos para barrar ou redirecionar diligênciar foram interpretadas como posturas de advogado-geral, que é o órgão responsável por defender juridicamente o presidente da República, e não de órgão investigador.

Assim, além de tentar recuperar credibilidade interna junto aos seus pares na Procuradoria, Aras precisava manter voto de confiança do Supremo para a sua isenção. É neste cenário que o PGR autorizou, nas últimas semanas, as diligências contra os aliados bolsonaristas no inquérito dos atos antidemocráticos, que entre outras bandeiras, defendem a derrubada do Congresso e do STF.

Ao contrário do que fez no inquérito das Fake News, contra o ex-ministro da Educação, Abraham Weintraub, e contra apurações envolvendo o seu nome ou dos filhos Bolsonaro, Aras apostou nesta investigação para provar uma suposta imparcialidade. Assim é como o PGR também aproveitou para enfatizar em seu discurso no encerramento do primeiro semestre do Judiciário, no STF.

Leia também:  "Parcialidade de Moro é escandalosa. Mais escandaloso só se o STF não a reconhecer", diz procurador Celso Tres

Na última sessão, antes do recesso forense, ele defendeu abertamente o Supremo e citou os ataques ao STF, mirados no inquérito, para ressaltar que há diferenças entre liberdade de expressão e crimes. Incluindo-se neste grupo, disse que tanto o STF como a PGR mostraram “vigor institucional e atuaram tanto em prol do direito à vida quando em prol da ordem econômica e dos direitos coletivos, todos ameaçados”, durante a pandemia do Covid-19.

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

  1. Nassif: num vem não. Sem espanto… ArrasÉguas, o que você também não faria por uma boquinha no Çupremu? Casa, comida, 17 salários anuais, férias de 90 dias (dizem tem até “auxilio-teuda/manteuda”). Vitalício. Num é todo dia que pinta uma dessas. E a preparação é assim mesmo, que nem namoro de candidato na ABL. Se necessário, toma até café requentado com pobre de direita (ritual de campanha). A Elite adora esse tipo de bajulação. Faz até discurso no Formigueiro dos KhmerVerde (é sempre bom ter uma baioneta na reserva). Entrou, tá “imortal”. Dá uma banana prá galera e vai pro baile no BolaPreta. Ah! os “causos” em apuração? Estarão na gaveta à direita, logo a baixo da Agenda…

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome