Chico e Francisco: como Moro trata vazamentos contra Lula e Toffoli


 

Em um inquérito da Polícia Federal, o delegado da Polícia Federal Hille Pace acusou Lula de estar em uma suposta planilha da propina da Odebrecht. Seria o “amigo” mencionado na planilha.

 

Não havia nenhuma prova acompanhando a acusação. Mesmo assim, o delegado escreveu a acusação em um relatório oficial. Não houve nenhuma reação do juiz Sérgio Moro. E a defesa de Lula teve que processar o delegado em um processo de reparação de dados morais (https://goo.gl/1rCCPp).

 

O mesmo delegado Hill Pace incluiu o nome do Ministro Dias Tofolli, do Supremo Tribunal Federal, em outro relatório, sobre o caso Bumlai. Registrou que o nome estava no caderno de endereço e colocou todas as ressalvas devidas: o fato do nome estar lá, por si, não significava nada.

 

Mesmo assim, sofreu uma reprimenda pública do juiz Sérgio Moro (https://goo.gl/yBnuQO). Em um inédito – porém explicável – ataque de garantismo, Moro foi duro:

 

“Apesar da ressalva, o fato é que a conclusão anterior não tem base empírica e é temerária. O fato de algum investigado possuir em sua agenda números de telefones de autoridades públicas não significa que ele tem qualquer influência sobre essa autoridade. O relatório contem afirmação leviana e que, por evidente, deve ser evitada em análises policiais que devem se resumir aos fatos constatados”.

48 comentários

  1. Figurinha carimbada

    Olha ele ai novamente…

    Chicos e franciscos vem de longe…

    Uns são inocentados, ainda que haja indícios e outros são previamente culpados…

    Era para ele ser muito mais crítico de FHC depois de ser o Juiz do caso Banestado…

    É situação difícil de compreender – é no mínimo constrangedor…

    Passa uma sensação ruim de promiscuidade…

    O “não vem ao caso” não caberia com antecedentes de 124 bilhões de dólares!

    Nem o SPC e serasa conseguem esquecer 200 reais e o sujeito ainda cai numa lista negra – o crédito fica mais difícil, quanto mais alguém esquecer sonegação de 124 bilhões de dólares!!!!

    E sonegação é PIOR que corrupção, pois com sonegação o Estado NÃO VÊ UM TOSTÃO DO DINHEIRO!

    A justiça precisa ser imparcial!

    Apesar de serem os mesmos atores, os resultados são totalmente diferentes!

    124 bilhões de dólares!

    1/3 das nossas reservas atuais e maior naquela época…

    Fazer o mesmo agora, por que fez vista grossa lá traz?

    Não!

    Na própria lava jato diversos corruptos ganharam salvo conduto, não serão alcançados – é um absurdo!

    BANESTADO

    [video: https://www.youtube.com/watch?v=81qMbeARONQ%5D

  2. Apesar da ressalva, o fato é

    Apesar da ressalva, o fato é que a conclusão anterior não tem base empírica e é temerária.

    O arremedo de juiz, aquele que tem como inimigo um partido só, adora a palavra TEMERária. Freud explica…

  3. Sinceramente, não aguento

    Sinceramente, não aguento mais tanta desfaçatez. Esse JUIZECO do Paraná, tal qual ex-ministro Barbosa, após ser usado e abusado pelos mesmos de sempre, irá para o único lugar que merece: a LATA DE LIXO! Mendigará atenção como faz hoje o BRABOrsão.

    Sabe-se agora, via Cafezinho, que ele mentiu para prender o ex-ministro Mantega. Até quando durará esse esbulho? 

    Vergonha! Vergonha! 

  4. Parcialidade

    Sob as bençãos do TRF4, o juiz Moro pode tudo, inclusive atropelar a legislação e afrontar a Constituição. No caso da Constituição, sob o olhar complacente (ou concordância por identidade de propósitos, como parece?) do STF. Lula, como diria o TRF4, é exceção à regra. Logo, deve ser investigado, julgado e já previamente condenado em regime de exceção. . .

  5. 15 de novembro? Proclamação da República? Que república?

    Estou errado ou nas tais anotações estava o nome do ministro? Inclusive com a grafia correta. Na República de CuritibaToffoli não é Toffoli, mas “amigo” é Lula.

    A República de Curitiba, da qual faz parte com orgulho, em suas próprias palavras, aquele com nome de remédio e que acha que nossos tataravôs portuguêses eram todos ladrões, está reinventando a lógica. Essa ciência que nasceu na Grécia antiga e mantinha seu prestígio até então. Esqueçam a República de Platão.  

    Esqueçam alias a República que estaria complentando mais um ano hoje. Esses rapazes da terra do Beto Richa (não é a mesma do Leminsky nem da Ana Julia, muito menos do Requião) estão a proclamar uma nova república

  6. Prende o Lula
    Já que não dá para prender o Lula com provas, então prendam sem provas mesmo, mas acabem com essa zona.

    Já que não existe democracia, direitos Humanos, vivemos em estado de exceção, judiciário acovardado, Presidente golpista, Congresso e Senado corrompidos, sociedade anestesiada e imprensa leviana, então o que estão esperando para prender o molusco?

  7. Falso…

    Esse Sérgio Moro é uma cobra… Dias Toffoli e o STF que não são bobos ja entenderam o recado. Sera que Sérgio Moro pensa que por causa do apoio popular e da midia, ela poderia afrontar o STF para manter a perseguição a Lula até seu objetivo de condena-lo a prisão, ainda que sem um embasamento consistente?

    Como disse o ex-presidente na conversa com Oliver Stone “Eles não deram um golpe na Dilma para eu voltar em 2018”.

  8. Virose


    Salvo melhor juízo dos profissionais de medicina, toda virose ataca com mais força em regiões onde a população está menos imune. No Paraná e em Santa Catarina, citados por Iidiro e Cardoso em comentários anteriores, o virus da midiotia propagou-se muito mais dada a fragilidade  perceptiva da realidade, ocasionada pelo inegável  virus do preconceito, latente na maioria da população da região.. Daqui de fora, mas conhecendo muita gente do Sul, parece-me ser esse o diagnóstico mais próximo a justificar o pensamento reportado pelos dois citados comentaristas.. 

    .

  9. Lula é um caso excepcional, pois está bem cotado para 2018

    Se o Lula usar o próprio argumento do Sérgio Moro para se defender, a reação do Moro será:

     

    “Apesar da ressalva, o fato é que a conclusão anterior tem base empírica e NÃO é temerária. O fato de algum investigado possuir em sua agenda números de telefones de autoridades públicas não significa que ele tem qualquer influência sobre essa autoridade, exceto se essa autoridade for o Lula. O relatório NÃO contem afirmação leviana e que, por evidente, NÃO deve ser evitada em análises policiais que NÃO devem se resumir aos fatos constatados”.

    • Como você explica aquele comentário seu estranho

       

      Rui Ribeiro (terça-feira, 15/11/2016 às 14:39),

      Concordo com as alterações que você fez do texto que o juiz Sérgio Moro teria aplicado em um caso, com você imaginando o uso do texto para ser aplicado em outro caso. A questão é saber porque Sergio Moro age como tem agido. Não era, entretanto, sobre o comportamento de Sergio Moro que eu queria falar. No entanto vou prolongar um pouco a respeito do assunto deste post “Chico e Francisco: como Moro trata vazamentos contra Lula e Toffoli” de segunda-feira, 14/11/2016 às 18:17, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria dele.

      De imediato considero que se dá muita importância ao judiciário aqui no Brasil e o blog vai nessa onda. É uma pena, pois qualquer levantamento de dado de forma mais completa vai verificar que o Judiciário no Brasil e no mundo não pôde e não pode ser responsabilidade por crise econômica nenhuma. As vezes impede avanços sociais se o órgão máximo do Poder Judiciário for conservador ou pode impulsionar os avanços sociais quando é mais moderno. Não é por nada que a maioria dos posts dando proeminência a assuntos do judiciário trata de assuntos referentes a discussões banais e disse-me-disse sem importância.

      É claro que a perseguição a Lula distorce a realidade política brasileira. O modo como ela vem acontecendo em meu entendimento chega a configurar um atentado contra a República. Só que essa distorção já é entranhada no Brasil. O judiciário é conservador, mas se pôde ver no impeachment da presidenta Dilma Rousseff o quanto o Brasil é conservador nas suas elites e o judiciário é composto exclusivamente de pessoas vindas das nossas elites.

      Então o Brasil, o PT e as esquerdas precisam aprender a conviver com essa distorção que existe no Brasil. E que é uma distorção que não se restringe só ao Brasil, pois é uma distorção que de certo modo é um reflexo da própria sociedade. E as sociedades no mundo todo são muito parecidas.

      As pessoas pensam que é a mídia que forma a ideologia de uma sociedade. Ora se você imagina que há muitas crenças na sociedade que vieram da época em que a escravidão era aceita no mundo, você fica resistente a ideia de que a mídia tudo pode. A mídia que tudo pode é aquela que segue a ideologia que predomina na sociedade. Parafraseando The Rolling Stones, não é a sociedade, mas a mídia que saliva como um cachorro de Pavlov.

      A sociedade se liga a valores que que de certo modo acompanham o modo de produção de uma sociedade. Se a sociedade aceita a apropriação de parte do trabalho alheio como algo natural ele aceita como algo natural muitos outros valores que uma análise maior consideraria em contradição com a necessidade de vida em sociedade do ser humano.

      Reconheço que não se deve relevar o muito mal que causam à esquerda todas essas distorções visíveis e marcantes. No Brasil a distorção nos roubou muitas lideranças de valor. Veja a dobradinha Leonel Brizola e Darcy Ribeiro. Darcy Ribeiro não foi aceito pelo próprio povo que não o elegeu governador do Rio de Janeiro. Leonel Brizola foi colocado de escanteio seja pelo golpe na cassação dele, seja pelo judiciário no episódio da apropriação indevida da legenda do PTB.

      É, portanto, uma luta inglória pelo menos no curto prazo, salvo quando em situações bem peculiares como a eleição de Lula. Mesmo no longo prazo haverá muitos fracassos. A esquerda deve muito a Lula por ter realizado muito na direção daquilo que a esquerda almeja, mesmo em uma situação de adversidade. No entanto, a esquerda, o PT e o Brasil precisam apreender a conviver sem Lula. E precisam conscientizar que essas distorções que permeiam toda a sociedade e todas as instituições dentro da sociedade ainda vão ceifar outras lideranças de esquerda e não vão embora tão cedo.

      E não quero dizer com isso que a esquerda deva ser conformista e se calar. Tem mesmo é que reclamar. Só que precisa distinguir o que é moinho de vento e o que é real. Dizer que a mídia é parcial é necessário, mas não é relevante na medida em que a média é um empreendimento empresarial e como tal vai sempre se colocar a favor da defesa dos interesses de um empreendimento empresarial em um modo de produção capitalista.

      Assim como na crítica à mídia, é preciso, quando for criticar o judiciário, ter em mente que o poder do judiciário é pequeno e ao mesmo tempo compreendê-lo como entranhado nas distorções que permeiam a sociedade. E deve-se evitar ser vago. No texto de Luis Nassif faltaram, por exemplo, os dois relatórios do Delegado, com a referência em um sobre Lula e no outro sobre o ministro Dias Toffolli, para ver o que o delegado diz em cada caso e faltou também o texto do juiz Sérgio Moro sem a reprimenda. Há só o link para o texto com a reprimenda.

      Bem, mas como eu enfatizei antes não era nada disso que eu queria falar. A minha intenção era só dizer que achei muito estranho um comentário seu enviado quarta-feira, 09/11/2016 às 09:42 e que ficou junto ao comentário meu enviado terça-feira, 08/11/2016 às 00:41, lá no post “Primeira entrevista de Moro indica que ele perdeu a “aura de intocável”, por Helena Chagas” de segunda-feira, 07/11/2016 às 14:04, aqui no blog de Luis Nassif com chamada do Jornal GGN para artigo de Helena Chagas sobre entrevista de Sergio Moro ao jornal O Estado de S. Paulo. O post “Primeira entrevista de Moro indica que ele perdeu a “aura de intocável”, por Helena Chagas” pode ser visto no seguinte endereço:

      http://jornalggn.com.br/noticia/primeira-entrevista-de-moro-indica-que-ele-perdeu-a-aura-de-intocavel-por-helena-chagas

      Então era só isso. A discussão sobre a mídia e o judiciário foi só porque eu tinha dito algo parecido em outro canto e aproveitei para praticamente colar aqui o que eu dissera acolá.

      Clever Mendes de Oliveira

      BH, 15/11/2016

      • Numa entrevista, fizeram a

        Numa entrevista, fizeram a seguinte pergunta ao Sérgio Moro:

        Como vê a criminalização do caixa 2? Se passar, o que muda nas investigações sobre empreiteiras? Elas admitem repasses de propinas via caixa 2 disfarçadas de “doações eleitorais”.

        O Sérgio Moro respondeu:

        “O assim chamado caixa 2, ou seja, o uso de recursos não declarados em campanhas eleitorais, já é criminalizado no artigo 350 do Código Eleitoral. No projeto 10 Medidas do Ministério Público Federal, há proposta para aprovação de uma redação melhor para esse crime. Seria um passo importante do Congresso. Se a lei exige que todos os recursos eleitorais devem ser declarados, e isso é uma regra básica de transparência, é isso que deve ser feito. No caso da Operação Lava Jato, o foco não tem sido propriamente no caixa 2 de campanhas eleitorais, mas no pagamento de propinas na forma de doações eleitorais registradas ou não registradas, ou seja, crime de corrupção. Então, embora a proposta represente aprimoramento da lei atual, não terá um impacto tão significativo nos processos. Sobre eventual proposta de anistia, creio que é prudente aguardar eventual formulação concreta antes de opinar. Seria impensável, porém, anistia de crimes de corrupção ou de lavagem.”

        Lá no comentário, está escrito:

        “Propina e Caixa 2 foram confundidos no mensalão, sendo o produto da confusão a corrupção. Porque o Moro agora quer separá-los?”

        Como vês, Clever, em regra, para o Sérgio Moro, Caixa 2 não é sinônimo de corrupção. Mas no caso de petistas, o Moro considera Caixa 2 e corrupção a mesma coisa. Em outras palavras, para o Moro, em se tratando de petistas e aliados, Caixa 2 é corrupção; nos demais casos, Caixa 2 não configura corrupção. Portanto, a Lava Jato, que persegue praticamente petistas, é um ponto fora da curva.

        O meu comentário foi, na verdade, uma complementação ao seu comentário, uma espécie de ilustração do seu comentário. Quis deixar claro que no mensalão Caixa 2 e corrupção eram sinônimos e na Lava Jato, em se tratando de petistas, Caixa 2 e corrupção também são sinônimos. Nos demais casos, Caixa 2 não se confunde com corrupção. Ou a frase “No caso da Operação Lava Jato, o foco não tem sido propriamente no caixa 2 de campanhas eleitorais, mas no pagamento de propinas na forma de doações eleitorais registradas ou não registradas, ou seja, crime de corrupção” não quer dizer isso?

        Obrigado, Camarada

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