CNMP nega afastar Dallagnol e processo disciplinar é adiado

Conselheiros tomaram a decisão rapidamente, antes mesmo de sequer analisar a abertura do processo disciplinar contra Dallagnol, o que foi ainda adiado por um pedido de vista

Foto: Lula Marques/PT

Jornal GGN – O Conselho Nacional do Ministério Publico (CNMP) rejeitou, por unanimidade, um dos pedidos de afastamento do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa de Curitiba. A sessão na manhã de hoje (10) foi tomada rapidamente.

O pedido tinha partido do senador Renan Calheiros (MDB-AL), por meio de uma representação para o afastamento de Dallagnol e a abertura de um processo disciplinar contra o procurador.

Trata-se de um dos pedidos de afastamento pelas mensagens obtidas pelo The Intercept Brasil. Renan apresentou a representação no CNMP alegando que Dallagnol tentou interferir nas eleições de 2018, quando o hoje senador disputou a presidência da Casa, contra Davi Alcolumbre (DEM-AP).

Entre as mensagens da chamada VazaJato, Deltan conversou com procuradores afirmando que a eleição de Renan iria dificultar a aprovação de projetos de lei de interesse da Lava Jato. O procurador chegou a divulgar uma mensagem em suas redes sociais opinando e influenciando contra a eleição do senador.

Se Renan for presidente do Senado, dificilmente veremos reforma contra corrupção aprovada. Tem contra si várias investigações por corrupção e lavagem de dinheiro. Muitos senadores podem votar nele escondido, mas não terão coragem de votar na luz do dia”, havia escrito em suas redes.

O parlamentar alegou que Dallagnol tentou prejudicar sua candidatura, exercendo pressão política, atividade que é proibida a membros do Ministério Público.

Os conselheiros do CNMP negaram imediatamente o afastamento, mas ainda não analisaram a possibilidade de abertura de um processo disciplinar contra o procurador por tais posturas. O Conselho não chegou a decidir sobre o caso porque o conselheiro Fábio Stica pediu vista do processo, o que pode paralisar o pedido por tempo indeterminado.

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Há ainda no CNMP outra dezena de representações disciplinares contra o procurador, pedindo seu afastamento, com base nas mensagens divulgadas pelo The Intercept e ilegalidades cometidas pelo coordenador da Lava Jato.

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8 comentários

  1. corporativismo que só faz acreditar no pior: a necessidade de extinção do atual modelo do MPF e demissão de todos a bem do serviço público e, ato contínuo, reestruturar todo o poder judiciário, reduzindo seus imorais salários, e ajustando seus poderes aos princípios constitucionais das garantias e deveres, culminada com penas severíssimas aos procuradores que extrapolarem os poderes concedidos.

  2. As decisões do CNMP em relação a Dallagnol vão servir para que, no futuro próximo, o Congresso reflita sobre a eficácia do Conselho e se debruce sobre o excesso de poder do MP. Essa discussão certamente virá.

  3. Com as revelações da Vaza Jato, fica evidente que Dallagnol não possui os requisitos mínimos para ser procurador da república. Nem profissionais, nem éticos, nem morais.
    É preciso requerer a reabertura do processo contra ele, quando da investidura dele no cargo público de procurador.
    Dallagnol não cumpria as exigências mínimas de tempo de serviço previstas no edital do concurso. Mesmo assim, conseguiu uma liminar e, posteriormente, o processo foi arquivado, pelo fato da investidura ser considerada um fato consumado. Dizem que houve interferência do pai dele, procurador.
    Uma vez confirmado o seu despreparo para o cargo, o processo precisa ser reaberto e a investidura, bem como o seu termo de posse, anulados.
    A bem do serviço público, da legalidade e da moralidade da coisa pública.

  4. dallagnol sua quadrilha são a metástase da merda, por onde eles passam vão revelando a podridão e o mau cheiro que exalam dessa “gente ordinária”, corrompida ou conivente… então, chegou a vez do CNMP…

  5. dallagnol e sua quadrilha são a metástase da merda, por onde eles passam espalham o mau cheiro e podridão, alimentados pelo corporativismo e a índole corrupta do judiciário brasileiro, …. então, … chegou a vez do CNMP…

  6. Como diria Mino Carta, é tudo a mesma sopa. Para que serve, afinal, esse conselho? Seria melhor o Congresso extingui-lo. Ao menos, se economizariam as despesas, que devem ser enormes como tudo no MP e no Judiciário.

  7. A única maneira dos crimes dos Jatoeiros não prescreverem é a instituição de um Tribunal de Rua. Sem um Tribunal de Rua, esses Ratos morrerão impunes, rindo da cara do povo.

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