Moro faz autodefesa e mostra afinidade com Bolsonaro, a quem chama de “bastante moderado”

“É um pouco estranho dizer isso, mas não há menor chance de usar o Ministério para perseguição política. Não fiz isso na Lava Jato, não é no Ministério que vou começar a fazer isso”, disse o juiz 

Jornal GGN – Sergio Moro convocou uma entrevista coletiva nesta terça (6), em Curitiba, para rebater críticas, antecipar planos para o Ministério da Justiça e Segurança e demonstrar sua “subordinação” a Jair Bolsonaro. O juiz da Lava Jato, apesar de todas as polêmicas já ditas pelo presidente eleito de extrema direita, chamou Bolsonaro de “pessoa bastante moderada” e admitiu que foi procurado para compor o governo pelo ministro anunciado Paulo Guedes (Fazenda) no dia 23 de outubro, durante o segundo turno da corrida presidencial.

Moro abriu a coletiva dizendo que quis fazer uma “homenagem” à imprensa, pela cobertura da Operação Lava Jato. O juiz disse que não “reconhece” todas as críticas que recebeu por sua atuação no processos, mas salientou que é este o trabalho da imprensa e demonstrou respeito com as opiniões divergentes.

A entrevista, que durou mais de uma hora e meia, também arrancou de Moro uma posição sobre o fato de não ter solicitado exoneração, mas execução de férias acumuladas ante a 13ª Vara Federal de Curitiba. Ele argumentou que não “enriqueceu” com a função pública e disse que não poderia deixar sua família “desamparada” enquanto não assume o ministério. “Eu preciso da remuneração”, disse Moro, prometendo pedir o desligamento oficial quando tiver próximo de tomar posse.

Moro rebateu também a crítica de que assume uma função política embora tenha dito, em 2016, que jamais deixaria a magistratura para isso. Ele disse que repensou a questão e que entende que está assumindo um cargo técnico no plano federal, com um objetivo maior: garantir que o combate à corrupção no nível inaugurado pela Lava Jato seja consolidado.

“Todas as sensações de que um dia a sorte poderia acabar e a gente poderia retornar ao padrão deletério de corrupção me levou a aceitar o convite.”

O juiz também negou que tenha atuado em favor de Bolsonaro no exercício do cargo. Sobre a prisão de Lula, ele disse que o petista foi “condenado e preso porque cometeu um crime, não por causa das eleições. A minha decisão já foi confirmada por um painel de 3 outros juízes e foi este tribunal [TRF-4] que ordenou a ordem de prisão. Eu apenas cumpri”, comentou.

“Sei que alguns eventualmente interpretaram a minha ida como espécie de recompensa, algo equivocado porque minha decisão [sobre Lula] foi tomada em 2017, sem qualquer perspectiva de que Bolsonaro fosse eleito. O que existe é um crime descoberto, investigado, provado e as cortes de Justiça apenas cumpriram seu dever.”

“Eu não posso pautar a minha vida com base numa fantasia, num álibi falso de perseguição política”, acrescentou.

PLANOS PARA O MINISTÉRIO

Moro disse que seu objetivo é “realizar o que não foi feito nos últimos anos”, ou seja, implantar uma “forte agenda anticorrupção e contra o crime organizado. A ideia aqui não é projeto de poder, mas de fazer a coisa certa num nível mais elevado. Fazer a diferença e afastar de vez a sombra de retrocessos.”

O futuro ministro pretende apresentar um pacote de lei inspirado nas 10 Medidas Contra a Corrupção que os procuradores de Curitiba desenharam em parceria com a Transparência Internacional e a FGV, após a primeira versão do projeto ser rejeitada pelo Congresso. A meta inicial “é apresentar uma coisa simples e de fácil aprovação”. 
 
Moro ainda repeliu as críticas sobre uso político do aparato do Ministério da Justiça. “É um pouco estranho dizer isso, mas não há menor chance de usar o Ministério para perseguição política. Não fiz isso na Lava Jato, não é no ministério que vou começar a fazer isso.”
 
“Não há a menor chance de políticas discriminatória de minorias”, acrescentou o juiz, afirmando ainda que “crimes de ódio são intoleráveis, devem ser resolvidos pelas polícias locais, mas se for necessário, podemos movimentar as forças federais para solucionar.”
 
Moro também prometeu se informar melhor sobre o assassinato da ex-vereador Marielle Franco, em busca de solucionar a questão.
 
O juiz admitiu que irá convocar para compor o Ministério nomes da Lava Jato, porque eles já “foram testados” na operação e teriam provado “eficiência”.
 
O ministro anunciado bate na tecla, inúmeras vezes, de que pretende enfrentar o crime organizado com inteligência e evitar o confronto físico.
 
Questionado sobre demarcação de terras indígenas, política de fronteiras, a questão dos refugiados e outras pautas que dizem respeito ao Ministério da Justiça, ele respondeu que não está pronto para detalhar as propostas e que tudo precisará ser discutido com o “corpo do governo eleito”.
 
Em pautas polêmicas defendidas por Bolsonaro, como porte de armas, redução da maioridade penal, excludente de ilicitude, criminalização de invasões feitas por sem-terras, Moro demonstrou concordância com todos os assuntos, defendendo que sejam discutidos de maneira mais “moderada”.

 

20 comentários

  1. Normal e esperado

    Desfaçatez pouca é bobagem. Não há nem o que estranhar, é só ver o que os golpistas vem fazendo desde o começo do golpe, desde a forma espetaculosa de Ayres Brito presidir a AP470, Barbosão e seus arroubos midiáticos…

    E francamente temos visto pior: “porque a literatura assim o permite” é de autoria desse cara, é isso?

    Essa é a cara que todos sabemos que tem esse golpe: para se defender de pergunta incômoda, hipocrisia e pronto.

  2. A parcialidade de Moro, agora
    A parcialidade de Moro, agora escancarada.
    Premiado por sua valiosa contribuição na desconstrução da imagem do maior líder popular que este país já produziu, aquele que saiu da presidência com 85% de aprovação.
    Lula seria imbatível nas eleições. Sabiam bem disso.
    Fizeram o serviço sujo, em tempo recorde, com condenação sem provas, sem nada. Preso, não poderia sequer interferir no processo. Vetaram até entrevista (os verdadeiros bandidos, Fernandinho Beira Mar e Marcola, concederam entrevistas presos).
    Para concretizar, o juiz político libera a suspeita delação de Palocci na semana das eleições.
    Feito o serviço, caminho livre para a Direita chegar ao poder.
    Agora, Moro demonstra, sem escrúpulos, sua real face de político de Direita.
    Passou anos fazendo política debaixo de uma toga. Fez uso do cargo e do aparato do estado para concretizar seus intentos escusos.
    Hoje, retira a toga, retira a máscara da imparcialidade e passa a integrar o governo que ajudou, e muito, a eleger.

  3. Moro considera Bolsonaro

    Moro considera Bolsonaro moderado. Sem dúvida, perto do que o torquemadazinha já fêz, Bolsonaro pode ser considerado um moderado mesmo, pelo menos até 1º de janeiro. Projetando as duas figuras para 2019,  poderemos ter o presidente cometendo crimes e o ministro premiado livrando-o das garras da justiça. Por outro lado, será muito didático acompanhar a trajetória de um ministro da justiça corrupto combatendo o crime organizado.  Por onde ele pretende começar: pelos Bancos ?. Pelos helicocas ? Pela Globo/Fifa? Pelos escândalos do metrô de SP ? Pelos tranbiques milionários do Temer ? Pelas contas na Suiça do Aécio e ou Serra ? Pela evasão de impostos das grandes empresas ? Pelas dívida bilionária das empresas junto ao INSS ?  Façam suas apostas. Mas eu apostaria que o inquisidor de Curitiba irá vasculhar a ficha dos deputados e senadores em busca de “apoio” para o novo governo. 

  4. O $. Moro viola a CF mas eh em estado de necessidade
    Em estado de necessidade, esse Rato pode violar a Cf.
    So o que falta eh os Ratos do CNJ acharem que em estado de necessidsde o $. Moro pode violar a VF e fazer politica de toga.

    • só faltava essa  ..me tiraram

      só faltava essa  ..me tiraram UMA ESTRELA (agora sou um 4 estrelas)  ..vou falar com BOZO e família, vou chamar o Mourão e o HELENO  ..vcs vão ver como essa estrela rapidinho reaparece !!!!

      comunistas….

  5. em tempo ..pra quem esta

    em tempo ..pra quem esta acreditando no CNJ ..NÃO subestimem NEM alienem seu leitor ..isso é mais um teatro pra amansar a boiada  ..pra dizer que esta tomando satisfação

    “..com STF e tudo  ..com STF e tudo  ..com STF e tudo..” já deu com a língua nos dentes Jucá, um senador  ..AQUI, nem a um PARVO é dado o direito de ignorar

    OLHA a cara do Humberto corregedor ? ..preciso dizer mais ? ..o que vc espera ? uma estrelinha amarela no boletim do bolssomínio Moro ?

    MORO esta sendo “!incomodado” por 4 probleminhas ..mas nada sobre as demais gravíssimas acusações que lhe pesam, tipo:

    – coercitivas abusivas
    – uso da prisão preventiva como arma de tortura pra obtenção de confissão
    – aceite de delações SEM prova
    – conluio com Ministério Público visando eliminação de adversários políticos
    – chantagem feita a réus com a prisão e ameaça dada a familiares

    – dar benefício a réu REINCIDENTE e condenado em outros processos por nova delação s/provas

    – prisão de jornalista e confisco de material jornalístico
    – humilhação de advogados, réus e testemunhas
    – gravação ILEGAL feita entre réus, advogados e presos
    – vazamento de operações pra mídia
    – forçar casos pra si ferindo o princípio do juízo natural
    – recebimento indevido do auxilio moradia
    – promoção de palestras e CONTATOS estrangeiros FORA DA LEI brasileira ..contatos que expuseram o país a vexame internacional e que FERIRAM interesses econômicos e geopolíticos do BRASIL a bem dos EUA.

    ..enfim ..estes e outros temas, talvez UM DIA, alguém, alguma instituição, se atreva a observar a luz duma VERDADEIRA e ética JUSTIÇA.

    temo que não no nosso tempo  ..nem no de LULA da SILVA

  6. No contexto certo…

    Talvez o Moro tenha entendido mal a pergunta. Vai ver achou que queriam saber dele o que achava do intelecto do Jair, aí respondeu “bastante moderado”.

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