Defesa de Lula quer que ex-diretor da PF seja ouvido como testemunha

Advogados de Lula apontam que desembargador do TRF-4, Thompson Flores, é suspeito para analisar ações do petista na 8ª Turma do Tribunal

Desembargador Thompson Flores Lenz. Foto: Sylvio Srangelo/TRF4

Jornal GGN – De maneira intempestiva, a desembargadora Cláudia Cristina Cristofani, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), marcou para esta quinta-feira (18), às 13h30, sessão no colegiado da Corte para julgar a “Exceção de Suspeição” contra o desembargador Thompson Flores, interposta pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Apesar de ser a autora do pedido, a defesa de Lula aponta que a tramitação foi acelerada, e caso seu julgamento seja mantido para acontecer na tarde de hoje, não poderá acompanhar a análise dos desembargadores do Tribunal e, ainda, realizar a sustentação oral do pedido.

No recurso, os advogados de Lula questionam a imparcialidade do desembargador e ex-presidente do TRF-4, Thompson Flores, destacando duas “orientações” passadas para o então juiz Sérgio Moro e o ex-diretor-geral da Polícia Federal, delegado Rogério Galloro, para impedir que Lula fosse solto em julho de 2018, quando teve o pedido de habeas corpus atendido pelo desembargador Rogério Favreto, que atuava em plantão na Corte.

Segundo os advogados do ex-presidente, nos últimos dias, a exceção de suspeição sofreu tramitação “com ímpar celeridade”. No dia 3 de julho, Cristina Cristofani intimou o desembargador Thompson Flores para se manifestar da acusação.

“As informações foram prestadas em 08.07.2019 e o MPF apresentou Parecer em 16.07.2019”, escrevem os advogados.

“A Defesa foi tomada por surpresa ao ver que nesta data de 17.07.2019, às 18h15min, incluiu-se o feito para julgamento em mesa na data de amanhã, 18.07.2019, em sessão a ser iniciar às 13h30min, ou seja, indicou-se que o processo seria julgado “da noite para o dia”, a menos de 24 horas de sua realização”, completam.

A defesa do petista pontua ainda que, por conta da margem de tempo apertada, ficou impossibilitada de comparecer ao julgamento: “pois fica inviabilizada o seu deslocamento de São Paulo a Porto Alegre em período tão breve de tempo”.

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“Lembre-se que, a despeito de não poder realizar sustentação oral, a Defesa possui o direito de acompanhar a sessão de julgamento e, se necessário, fazer uso da palavra nas hipóteses legalmente previstas (conforme art. 7º, inciso X, do Estado de Advocacia)”, completa.

Entenda

Flores compõe a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, formada também pelos desembargadores Leandro Paulsen (presidente do Tribunal) e João Pedro Gebran Neto, relator da Lava Jato no TRF4. O colegiado é responsável por julgar um recurso de Lula contra sua condenação no caso do sítio de Atibaia.

Os advogados de Lula pedem que a desembargadora Cristina Cristofani escolha outra data para o julgamento do recurso sobre a suspeição de Flores em julgar as ações do petista, “intimando-se a Defesa com antecedência prévia de no mínimo 05 (cinco) dias”.

A defesa pede também uma nova intimação do desembargador Thompson Flores para que se manifeste “acerca da orientação repassada ao ex-juiz Sérgio Moro”, que disse ter sido “orientado pelo eminente Presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região [então Thompson Flores] a consultar o Relator natural da Apelação Criminal 5046512-94.2016.4.04.7000” antes de tomar qualquer providência acerca do alvará de soltura de Lula.

A defesa pede ainda que Flores “esclareça o conflito verificado entre sua narrativa e a do [ex-] diretor-geral da PF Rogério Galloro sobre o mesmo fato”. Por último, os advogados reforçam o pedido para que o Galloro seja escutado como testemunha.

Em uma entrevista feita em agosto de 2018, para o jornal Estado de S.Paulo, Galloro contou que recebeu ordens de Thompson Flores, por telefone, para não atender o pedido de soltura de Lula.

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“Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. Falei para o ministro Raul Jungmann [Segurança Pública]: ‘Ministro, nós vamos soltar’. Em seguida, a [procuradora-geral da República] Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ [Superior Tribunal de Justiça] contra a soltura. ‘E agora?’ Depois foi o [presidente do TRF-4] Thompson [Flores] quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. Valeu o telefonema”, declarou o ex-diretor-geral da PF.

Na época, ao ser questionado sobre a manobra, Thompson Flores disse que em momento algum deu ordens para Galloro por telefone.

“Inequívoca, portanto, a descomunal distinção entre as versões apresentadas sobre o mesmo acontecimento”, pontua a defesa de Lula.

“Tal fato, para além de desacreditar a palavra da Autoridade Excepta [Thompson Flores], igualmente reforça a imprescindibilidade da oitiva do Diretor-Geral da Polícia Federal Rogério Galloro”, completam os advogados.

Petição Lula

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5 comentários

  1. É inacreditável o que essas “autoridades” têm feito com os processos contra o ex-presidente.
    Só falta limparem a bunda com a Constituição e com o CPP.
    Isso é uma máfia determinada a acabar literalmente com o Lula, custe o que custar.
    Vergonha para uma instituição denominada de “Justiça”.

  2. A única coisa que vai acontecer por causa tanto dos movimentos da defesa de Lula quanto dos do The Intercept é ficar cada vez mais claro que a cúpula do Judiciário está alinhada com o golpe de 2016, que essa cúpula não tem compromisso algum com a lei, deixando assim como recado à nação que, no que depende da Justiça, esta reforça Bolsonaro: é cada um por si. Está aberta a selvageria e a barbárie. Não há mais intenção de que os cidadãos brasileiros se alinhem a marcos civilizatórios. Vale o indivíduo e não a coletividade. “Desumanizem-se”, é a palavra de ordem do golpe.

    Esse extremismo é muito perigoso, inclusive para os golpistas. Se o que vale é a violência, nego vira homem-bomba, até… Com certeza no aspecto violência a situação ganha. Com algumas baixas, é lógico. Mas será que não dá para o Judiciário segurar essa? Digo, mesmo que desmonte partes do golpe, mantendo outras. Por exemplo, porque manter Lula, o conciliador, preso? O que pode fazer Lula solto? A soltura de Lula desmoralizaria Moro? Ele já não fez sua parte, que foi prender e assim evitar a candidatura do ex-presidente?

    Solta o homem, STF, derruba Moro, Flores, uns procuradores aí, e dá seguimento ao golpe que, afinal de contas, é econômico. Moro e turma vão até gostar de curtir suas saídas do foco, vão poder ganhar e aproveitar dinheiro. E, sejamos honestos, a Lava Jato jamais combateu a corrupção, visto que a corrupção é efeito inevitável e endógeno ao capitalismo. Desde quando o poder econômico aceita se submeter ao político, democrático e estatal? E a Lava Jato pode ser tudo menos anti-capitalista.

  3. A mensagem que os desembargadores do TRF4 passam à população é de que não existe mais Direito neste país. Antes, era exceção, agora a regra é o arbítrio absoluto, sem peias, sem limites.
    É surpreendente que justamente aqueles que têm no ordenamento jurídico a razão de seu poder o estejam deletando. Pergunta-se: Na ausência da justiça, como serão resolvidos os conflitos? Na bala?
    Em última análise, os golpistas instauraram o bang-bang no Brasil. É barbárie, lei da selva, matar ou morrer.
    Inacreditável. Absolutamente inaceitável, esse despotismo descarado e irresponsável!
    Atitudes como esta são capazes de deflagrar uma guerra civil.

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