Delator da Odebrecht volta atrás e diz que não foi coagido a fazer relato sobre sítio de Atibaia

“Fui quase que coagido a fazer relato” disse no mês passado Carlos Armando Paschoal sobre caso envolvendo ex-presidente Lula

"Tive que construir um relato", disse ex-superintendente da Odebrecht Carlos Armando Paschoal, delator do caso do Sítio de Atibaia

Jornal GGN – Um dos delatores do caso do sítio de Atibaia, o ex-superintendente da Odebrecht Carlos Armando Paschoal, voltou atrás e disse que não foi coagido a construir um relato que incrimina Lula no processo do sítio de Atibaia. As informações são da coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo.

No mês passado, enquanto prestava depoimento no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) como testemunha de outro processo, sobre improbidade administrativa contra o ex-secretário-executivo do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações do governo Michel Temer (MDB), Elton Santa Fé Zacarias, Paschoal foi questionado pelo advogado Igor Tamasauskas sobre o acordo de delação firmado com o Ministério Público federal (MPF) e por que, na colaboração, ele confessou “atos próprios, crimes próprios, ou improbidades próprias”

A resposta do ex-diretor pareceu um desabafo: “Sem nenhuma ironia. Desculpa, doutor. Precisava perguntar isso para os procuradores lá da Lava Jato”, disse completando:

“No caso do sítio, que não tenho absolutamente nada, por exemplo, fui quase que coagido a fazer um relato sobre o que tinha ocorrido. E eu, na verdade, lá no caso, identifiquei o engenheiro para fazer a obra do sítio. Tive que construir um relato.”

O advogado pede para Paschoal explicar o que quis dizer com “construir um relato”, tendo como resposta que seria o mesmo que “fazer um relatório”, explicando em seguida que seria algo como escrever: “olha, aconteceu isso, isso, isso e isso; e eu indiquei o engenheiro para fazer as obras”.

Leia também:  França e Irlanda ameaçam enterrar acordo Mercosul-UE por causa de Bolsonaro

Carlos Paschoal foi condenado no caso do sítio de Atibaia pela juíza Gabriela Hardt, então substituta de Sergio Moro. Ele recorre da sentença ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4). Na semana passada, o desembargador João Pedro Gebran Neto, do TRF-4, anexou o primeiro depoimento de dele no processo do sítio de Atibaia que tramita na corte revisora das decisões em primeira instância.

Segundo informações da coluna de Mônica Bergamo, o delator decidiu voltar atrás afirmando que se expressou de maneira inadequada ao dizer que foi “coagido”.

“Quanto à expressão ‘quase coagido’ e minha colaboração envolvendo o ex-presidente Lula no sítio de Atibaia, reafirmo, como o fiz em meu interrogatório naquela ação penal, que referida colaboração foi feita de maneira livre e espontânea. Admito que não me expressei de maneira adequada em meu depoimento como testemunha no dia 3 de julho de 2019, em São Paulo”, diz no depoimento em que se corrige.

“Com relação à expressão ‘construir um relato’, esclareço que nada tem a ver com ‘inventar um relato'”, prossegue.

“O que ocorreu, de fato, é que, durante o início da negociação das colaborações, na minha percepção de engenheiro, minha participação nesse assunto teria sido tão irrelevante que não justificaria um relato. Entretanto, fui orientado pelo meu advogado, e concordei, a produzir um relato sobre o caso do sítio de Atibaia pois me convenci que era um assunto relevante mesmo que a minha participação e conhecimento fossem mínimos e pudessem não ter importância criminal. Esse é o mais curto e conciso de todos os meus relatos, porque realmente meu envolvimento nos fatos relacionados ao sítio foi pontual: basicamente atendi um pedido de um diretor da holding, Alexandrino Alencar, e transmiti referido pedido a um diretor de contrato por mim escolhido, Emir Costa”, detalhou.

Leia também:  OAB e IAB repudiam tentativa da PF de entrar em escritório de advogado de Lula

Ainda, segundo o ex-diretor, quando começou a fazer a colaboração, em 2016, seus relatos “estavam muito ruins, porque não sabia como fazê-los”. “Entendi o nível de aprofundamento necessário. Dessa forma, a FT [força-tarefa] contribuiu para meu processo de compreensão e de pesquisa na elaboração dos relatos, pois foi a partir dessa reunião que entendi que para ser aceito como colaborador precisaria dar informações mais detalhadas, consistentes, coerentes e abrangentes, além de buscar documentos que corroborassem o que eu tinha a dizer”, completou.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

8 comentários

  1. Exatamente QUAL eh o escaaaaaaandalo sexual sendo usado para o chantagear mesmo?????

    Alguem sabe?

    Fez troca-troca com Bolsonaro?

  2. Nassif: me amarrei nesse dedoduro. Soltou aquela de ‘coagido”. Então, o “dono” do acórdão deve tê-lo “persuadido”, pelos mesmos meios dos GogoboysAvivados, a se retratar. Recompensa? Inocentado dos pés à cabeça. E com direito a dindim nas IlhasCahimãs (esse é do PríncipeDeParis, que lá tem conta). Como diz o ditado, “quem não chora não mama”.

  3. O bobão e meio retardado esqueceu que a chave de saída da cadeia e a preservação dos bens é a denuncia contra o Grande Presidente Lula, seja qual for. Descuidado falou a verdade, mas a “consciência” das possíveis perdas falou mais alto e então……

  4. “ Nó cego!” Mentiroso, o delator cagou coagido no “dia não”. Se ferrou, a “cagada”não volta atrás ao intestino! “Cagou ta cagado”.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome