Deputados americanos pedem para Departamento de Justiça explicar colaboração com a Lava Jato

“Colaboração estratégica entre juízes e procuradores em atividades judiciais de motivação política são, no mínimo, violações da ética básica judicial", dizem em carta

Sergio Moro. Imagem: Reprodução

Jornal GGN – Treze congressistas do Partido Democrata assinam uma carta enviada nesta terça-feira (20) para o Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Eles questionam sobre a colaboração do órgão com o Ministério de Justiça brasileiro no âmbito dos abusos da Operação Lava Jato. As informações são da Folha de S.Paulo, que obteve a carta.

“Descreva o envolvimento do Departamento de Justiça na Operação Lava Jato. O que levou o departamento a agir nessa operação especificamente?”;

“Que tipo de apoio o Departamento de Justiça ofereceu, ou ainda oferece, aos agentes judiciários envolvidos na operação?”;

“Descreva o envolvimento do Departamento de Justiça com o juiz Sergio Moro, incluindo todo o suporte técnico, compartilhamento de informações e apoio oferecido por terceirizados do departamento”;

“Agentes do Departamento de Justiça já se relacionaram com o juiz Moro, sua equipe ou outros envolvidos na Operação Lava Jato através de canais não oficiais?”.

Esses são alguns dos questionamentos realizados pelo grupo na carta endereçada ao secretário de Justiça, William Barr. Os congressistas se dizem “preocupados com o envolvimento do Departamento de Justiça em procedimentos jurídicos brasileiros recentes que geraram controvérsia significativa e podem desestabilizar a democracia do país”.

Eles ainda aponta que “apesar de ter revelado um vasto esquema de corrupção envolvendo políticos brasileiros e setor privado, há inúmeras indicações de que irregularidades e viés corromperam a operação”.

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Os parlamentares pontuam que o Departamento de Justiça desempenha um papel importante no combate ao crime transnacional, via cooperação técnica, treinamento e compartilhamento de informações, mas querem garantias de que “as atividades do Departamento de Justiça não apoiam nenhum tipo de má conduta de agentes judiciários no Brasil ou ajudam procedimentos jurídicos que violam a ética básica legal”.

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Os congressistas expressam claramente que a carta é uma resposta ao escândalo da Vaza Jato, a série de reportagens divulgadas no Brasil a partir de mensagens privadas de integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, via aplicativo Telegram, obtidas pelo site The Intercept Brasil.

O material revela que o então juiz responsável por julgar os casos da Lava Jato, Sérgio Moro, atuou em parceria com os procuradores da força-tarefa, ferindo a relação de imparcialidade que deveria ter diante de todas as partes do processo, nesse caso o Ministério Público, atuante como parte acusatória.

“Essas reportagens parecem confirmar que as ações do juiz Moro e dos procuradores da Lava Jato tiveram motivação política e o intento de minar as perspectivas eleitorais do PT. Colaboração estratégica entre juízes e procuradores em atividades judiciais de motivação política são, no mínimo, violações da ética básica judicial”, pontuam os congressistas.

Eles afirmam ainda que costumam ser relutantes quando se trata de intervir nos procedimentos judiciários de outros países, “mas esses procedimentos passam a ser da nossa conta no momento em que o nosso governo os apoia, direta ou indiretamente”.

Assinam a carta os deputados Hank Johnson, Raul Grijalva, Eleanor Holmes Norton, Jared Huffman, Susan Wild, Adriano Espaillat, Veronica Escobar, Deb Haaland, Mark Pocan, Ilhan Omar, Jesus G. “Chuy” Garcia, Emanuel Cleaver 2º e Ro Khanna.

1 comentário

  1. “Os parlamentares pontuam que o Departamento de Justiça desempenha um papel importante no combate ao crime transnacional”

    Inclusive fazendo contabilidade de limpada de cu na minha casa 24 horas por dia, talvez?

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