Desembargador amigo de Moro negou testemunhas de Lula, dizem advogados

 
Jornal GGN – Os advogados do ex-presidente Lula entraram com novo pedido para que o desembargador João Pedro Gebran Neto do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) esclareça se é padrinho de filho do juiz federal do Paraná, Sergio Moro. Gebran é relator dos processos de Moro na Lava Jato na segunda instância, e se recusa a prestar informações.
 
No último dia 31 de agosto, o desembargador e o TRF-4 negaram que Gebran precise esclarecer a suspeita de relação de amizade íntima com o magistrado do Paraná. Diante disso, a defesa de Lula entrou com recursos especial e extraordinário já no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF).
 
Sem que essas peças fossem analisadas pelas instâncias superiores, o desembargador não deixou de julgar os processos de réus de Sérgio Moro na Lava Jato que recaíram no TRF4, após advogados entrarem com recursos contra as condenações e decisões de Moro.
 
Gebran marcou para esta quarta-feira (19) o julgamento dos recursos de Luiz Inácio Lula da Silva sobre as violações de garantias fundamentais cometidas desde março por Sergio Moro, e negou convocar as 7 testemunhas que foram solicitadas pelo ex-presidente.
 
Relação Moro e Gebran
 
Notícias dão conta de que o membro do Tribunal tem relação de proximidade com o juiz federal do Paraná e, inclusive, padrinho de um dos filhos de Moro, conforme divulgou Mônica Bergamo, neste ano. Além disso, de acordo com advogados que atuam no Rio Grande do Sul e no Paraná, Gebran constantemente cita Moro como modelo para magistrados, tendo aconselhado novos juízes federais a se espelharem no trabalho realizado por ele. A informação foi publicada no ano passado pelo JOTA.
 
 
O Código de Processo Penal, no artigo 254, inciso I, impõe que a amizade íntima com a parte é causa expressa na lei para o conhecimento da suspeição. Por isso, os advogados Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira informam que Gebran tem duas opções, nesta situação: reconhecer que não pode julgar os casos e determinar a redistribuição dos recursos a outro desembargador ou suspender esses julgamentos até que o STJ ou STF julguem se Gebran é suspeito.
 
Recurso de Lula
 
Um dos argumentos levantados pela defesa do ex-presidente para pedir o afastamento de Sérgio Moro dos casos relativos a ele na Lava Jato é o fato de Moro ter aceitado protagonizar três eventos da empresa LIDE, de propriedade do atual prefeito tucano João Dória Júnior, quando Dória ainda era pré-candidato nas eleições.
 
Os advogados rebatem a justificativa de Moro, que negou ter perdido a imparcialidade para julgar Lula, afirmando que “relativamente ao evento na aludida LIDE, em São Paulo, no qual estava presente o Sr. João Dória Júnior, é importante destacar que ele ocorreu, em 22/09/2015, muito distante da eleição municipal neste ano ou da própria definição de referida pessoa como candidato à Prefeitura de São Paulo.”
 
“Mas as provas apresentadas mostram que a pré-candidatura de Dória foi apresentada em agosto de 2015, indicando que efetivamente Moro participou de eventos com um pré-candidato do PSDB, circunstância que, aliada aos demais fatos, confirma a perda da sua imparcialidade”, rebateu a defesa de Lula.
 

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7 comentários

  1. Deve ser por isso que o Doria prometeu visitar Lula em Curitiba

    Se o Moro se encontrou às escondidas com o Tucano Doria não deve ter sido à toa que o Doria prometeu visitar em Curitiba e homenageá-lo. Assim como não foi coincidência o Ministro da ‘Justiça’ afirmar a prisão de Palloci com antecedência.

  2. elite corrupta e seus “magistrados” cínicos e mentirosos.

    https://www.paulus.com.br/portal/colunista/valdecir-cordeiro/esse-impeachment-e-mentira-das-elites-e-cinismo-de-certos-setores-da-sociedade.html#.WAdrWflVikp

    Nascido em 1974, no Estado do Paraná, padre da Arquidiocese de Porto Velho, graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília-UCB, formado em Teologia no Seminário Maior João XXIII (Porto Velho-RO), Mestre e Doutor em Teologia Sistemática pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia – FAJE (Belo Horizonte). Atualmente, trabalha na Arquidiocese de Belo Horizonte.

  3. De acordo com uma tal de nova

    De acordo com uma tal de nova ordem jurídica, se o desembargador tem íntimas relações de amizade com o juiz é a prova de que é imparcial e isento. 

  4. Suspeição geral

    Engraçado. O Desembargador para quem foi distribuído o processo de suspeição do Moro também é suspeito de amizade íntima com o Moro e de inimizade íntima contra o Lula e o PT.

    A suspeição é geral.

  5. Desembargador amigo de Moro negou

    Na “República dos Estados Unidos de Curitiba”, em enclave no território nacional, vige legislação diferenciada.

    Provas são desnecessárias preferindo-se as convicções.

    Não por acaso delações a rodo contra tucanos são desdenhadas e provas não são adminitidas.

    Por lá a convicção é que tucano é inocente.

    Listas, contas no exterior, delações premiadas, contratos fraudados, fraudadores indiciados, obras sempre intermináveis e aditadas, nada disso “vem ao caso”.

    O “crime” de Lula em ser eleito e reeleito, o presidente mais popular do país, os avanços sociais, a inserção do país no exterior, o gigantismo de empreiteiras brasileiras a concorrer com as norte-americanas, a Petrobras e o pré-sal, os inéditos recursos à Defesa Nacional formam um “conjunto probatório” -vide AP 470 – que confirmam as convicções iniciais daqueles “republicanos”.

    Crimes lesa-pátria da pátria dos patrões…

    Na convicção adrede formada Lula/Dilma e o PT são criminosos.

    O resto como testemunhas de defesa, denúncia de parcialidades e ligações pessoais, etc. “não vem ao caso”. São apenas manobras da defesa. Chicanas jurídicas.

     

     

  6. O mesmo judiciário que

    O mesmo judiciário que caça ferozmente o Lula, protege acintosamente Aécio Neves, FHC, José Serra, Michel Temer etc…

    A partidarização evidente do Judiciário está provocando o colapso do sistema moral-jurídico.

    O resultado aí está. Os juízes passaram a agir como se pertencessem a uma organização mafiosa.

    Um comete ilegalidades por razões político-ideológicas, outros protegem o tal cometendo novas ilegalidades.

    Esta inversão de valores reacende os ódios partidários, que em algum momento vão explodir de maneira violência.

    O Judiciário brasileiro, que deveria pacificar a sociedade, está transformando o Brasil numa terra de ninguém entre dois exércitos sedentos de sangue.

    A destruição do Estado numa guerra civil, contudo, afetará os próprios juízes.

    Se não forem mortos em virtude de serem considerados membros de uma facção criminosa, no mínimo eles ficarão sem salário quando a guerra começar a arruinar a economia do país.

    Pequena perda, direi quando eles se tornarem favelados nos bairros nobres que forem transformados em ruínas.

    Fodam-se… Os juízes criaram o problema ao se afastarem da Lei, que sofram as consequencias. 

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