Desembargador é investigado por articular vaga fantasma para familiares no Legislativo mineiro

Suposta prática de nepotismo cruzado é investigada pela Polícia Federal e tramita em sigilo no Superior Tribunal de Justiça

O desembargador do TJ-MG Alexandre Victor de Carvalho - Cláudia Ramos/CCS/TRE-MG

Jornal GGN – O desembargador Alexandre Victor de Carvalho, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, é investigado pela prática de nepotismo cruzado. Segundo inquérito da Polícia Federal, ele teria usado sua influência para conseguir vagas em cargos comissionados para o filho e a mulher na Câmara Municipal de Belo Horizonte e na Assembleia Legislativa de MG. As informações são da Folha de S.Paulo, que teve acesso à transcrição de áudios da investigação que tramita em sigilo no STJ (Superior Tribunal de Justiça).

A investigação começou em 2015 do esquema que envolve troca de favores entre o magistrado e membros do Legislativo mineiro. Em diálogo obtidos pelos investigadores entre setembro e dezembro daquele ano, Carvalho, que integra a 5ª Câmara Criminal do TJ mineiro, articula o revezamento de parentes em cargos públicos.

Ele teria conseguido a nomeação do filho, Guilherme Souza Victor de Carvalho, para um cargo na Câmara Municipal de Belo Horizonte. Antes a vaga era ocupada pela mulher, Andreza Campos Victor de Carvalho, que estava de partida para outro posto na Assembleia Legislativa de MG. Mãe e filho são advogados.

As negociações envolvem o nome do então procurador-geral da Câmara Municipal de Belo Horizonte Augusto Mário Menezes Paulinho. Em uma das conversas, o desembargador questiona: “Você acha que vale a pena arriscar?”.

“Acho que não, viu? Fica com uma bundona na janela danada”, responde o então procurador-geral.

Mesmo assim, a esposa de Carvalho assume na Assembleia Legislativa depois que, segundo a Polícia Federal, o desembargador ter feito uma reunião com então presidente do Legislativo mineiro Adalclever Lopes (MDB). “Ela vai, o salário seria melhor e eu estaria precisando botar o Gui [filho] aí na Câmara”, disse o magistrado ao então procurador-geral.

Além de negociar os postos para os familiares, o desembargador indica que eles não seriam obrigados a cumprir toda a carga horária exigida para as vagas.

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“Augusto [Paulino] falou que você indo duas ou três vezes por semana, vai te apresentar aos vereadores, correr com você lá. [É] pra você ficar umas duas três horas por dia, o horário que você puder”, afirmou o magistrado ao filho em 11 de novembro de 2015.

Ainda, segundo a Folha, o filho do magistrado foi nomeado para o cargo de coordenador de Intermediação Operacional, substituindo a mãe, em dezembro de 2015 com um salário de R$ 9.300,

Em 11 de novembro, outro áudio mostra o desembargador falando com a esposa que ela seria nomeada na Assembleia com um salário líquido de R$ 8.000 e, ainda, que uma das vantagens era que os promotores não fiscalizavam o cumprimento da jornada de trabalho.

“É bom. Inclusive, na Assembleia não tem problema, na Assembleia o Ministério Público não faz nada. Você vai lá duas, três vezes por semana.”

Em outro momento, chegou a indicar a prática de rachadinha envolvendo a sogra. “Se o Guilherme não quiser, tem que ver alguém. Estava pensando na sua mãe, sabe? Aí, ela ficava com “trêszinho” [R$ 3.000, segundo a Polícia Federal] e você com “trêszinho”.

Andreza foi nomeada ao cargo de assessora da Presidência da Assembleia em 15 de novembro de 2015, para cumprir seis horas diárias, e permaneceu no cargo até setembro de 2017.

Para ler a matéria da Folha na íntegra, clique aqui.

Para a PF, o desembargador praticou corrupção passiva em troca dos cargos públicos aos parentes. Em 2017, o então-procurador geral eleitoral, Nicolao Dino, discordou da acusação justificando que o crime era de menor potencial ofensivo, algo como advocacia administrativa.

Como as apurações correm em sigilo, a Folha não conseguiu apurar se houve nova decisão a respeito do caso, mas segundo uma pessoa que teve acesso e conversou com o jornal, o inquérito está em curso.

3 comentários

  1. Que bom saber que ele tem um iPhone…
    Essa “investigacao” definitivamente NAO, REPITO, NAO “comecou” em 2015, gente. Impossivel.
    Isso eh fabricacao de realidade virtual.

    Essa “investigacao” comecou agora nesse minuto, com TODOS OS dados pre-montados. Eh so voce digerir, fazer a digestao, e cagar, viu, gente?

    Nassif, tem alguma coisa MUITO errado com esse item.

    Vou esperar um *pouquinho* mais antes de comentar. EU tive um iTab e sei o que estou falando.

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