Digitais do FBI Em Todo o Atentado de Boston

Raízes do Terror

 

Tradução René Amaral


Poucos dias após o atentado em Boston, contradições enormes desnudaram a narrativa oficial dada pelo governo Barack Obama, o FBI e outras agências estatais sobre como o ataque terrorista foi perpetrado.


Como em muitos casos anteriores, de novo nos atentados de Boston, o indivíduo dado como principal organizador de um ataque terrorista, era bem conhecido do FBI, pelo menos desde 2011. Em 2011 a agência havia sido alertada pela Inteligência Russa de que Tamerlan Tsarnmaev, que morreu semana retrasada após um (suposto e suspeito) tiroteio com a polícia, era suspeito de ser um radical islâmico tentando se ligar a grupos armados do Cáucaso do Norte.


O FBI agora afirma ter investigado Tsarnaev, um estrangeiro residente nos EUA de naturalidade russa, mas não encontrou evidências incriminadoras, sem saber nada dele até o atentado de 15 de Abril. 


A secretária de segurança interna, Janet Napolitano afirmou no Congresso estadunidense que quando Tsarnaev deixou os EUA para uma viagem de 6 meses ao Cáucaso em 2012, sua viagem despertou um alerta no Departamento  de Segurança Interna, mas quando ele voltou aos EUA ninguém notou pois a investigação de suas atividades tinha sido pausada.


Há muitas explicações possíveis sobre como alguém sob investigação do FBI, por ser um militante islâmico, conseguiu executar um ataque no coração de uma cidade dos EUA, matando 3 pessoas e supostamente ferindo mais de 170. A menos plausível, e que pode ser rejeitada como uma mentira, ou acobertamento, é de que ele simplesmente não foi detectado.


A mãe deles contradisse diretamente o FBI afirmando que Tamerlan estava em contínuo contato com a agência por um período entre três a cinco anos, e de que eles estavam “controlando cada passo seu.”


Fontes da policia russa contradisseram a afirmação do FBI, de que não recebeu nenhuma informação de Moscou, dizendo que foi apresentado à agência estadunidense um dossier sobre Tamerlan.


Em meio aos elogios de auto congratulação pelas agências policiais terem colocado Boston sob estado de Sítio, na sexta 19/04, antes da captura de Dzhokhar, tem havido um aumento das criticas a uma falha de inteligência pelo FBI. O senado dos EUA e comitês de inteligência da Casa tiveram encontros a portas fechadas a respeito da forma como o FBI lidou com o a investigação de 2011 sobre as atividades de Tsarnaev.


Não há razão para esperar nada além de acobertamento dessas audiências. Basta prestar atenção ao fato de que o diretor do FBI é Robert Mueller, que estava no mesmo cargo em 11 de setembro  de 2001. Ostensivamente o maior vexame de falha de inteligência da história dos EUA, nem o 9/11 nem as audiências que se seguiram ao evento, tiveram como resultado que Mueller ou qualquer outro agente de inteligência, militar ou de qualquer outro cargo governamental perdesse seu emprego por não saber conectar os pontos.


Vários dos envolvidos nos ataques de 9/11 estavam sob vigilância pelo FBI ou pela CIA. A CIA sabia bem que dois dos sequestradores haviam entrado nos EUA, mas deliberadamente escondeu a informação de outras agências. Agentes do FBI haviam exigido uma investigação sobre as atividades suspeitas de indivíduos de naturalidade saudita de outras nacionalidades árabes treinando escolas de pilotos nos EUA, sem sucesso.


Ninguém que tenha se encarregado de investigações oficiais sobre o 9/11 tinha interesse em se aprofundar nas investigações, por medo do que essas conexões pudessem revelar.


Virtualmente todo caso de terror nos EUA desde 9/11 tinha as digitais do FBI por toda parte, e os atentados em Boston não são exceção. A agência de polícia federal está engajada num sem fim de operações com o fim de enganar terroristas para fazê-los cometer crimes e assim serem presos, usando informantes ricamente recompensados para ‘trollar’ mesquitas e comunidades imigrantes, ‘armando’ contra idiotas sem noção, em complôs que nunca teriam existido sem a inspiração de e os fundos do FBI.


No caso de Tamerlan Tsarnaev eles tinham o candidato ideal para tal operação_agora é sabido que ele foi expulso de sua mesquita por fazer declarações de teor militante. Ainda assim eles supostamente abandonaram a investigação por falta de evidências. A essa declaração sim é que falta qualquer credibilidade.


Após o atentado, a liberação, pelo FBI, das fotos dos irmãos Tsarnaev, apelando ao público por dicas e denúncias, eram um acobertamento calculado. O FBI não é a Loucademia de Polícia. Se eles por acaso não tinham conhecimento prévio dos planos dos Tsarnaev, eles sabiam perfeitamente quem eram os indivíduos no momento em que os viram em fotos e filmes.


Agora há um ar de nervosismo palpável em círculos governamentais. Antes que uma investigação de verdade comece, a estória que está sendo contada é de que os irmão agiram sozinhos, e sem ajuda externa. Dentro da administração Obama parece haver um esforço preocupado em conter qualquer dano de novas revelações.


Há inúmeras explicações sobre o que aconteceu após o FBI receber a requisição de Moscou. Uma é de que Tamerlan Tsarnaev recebeu passe livre por ser considerado um “acessório” coletando dados de inteligência sobre os grupos islâmicos ou por ajudar na ocultação de de operações obscuras dos EUA em apoio ao separatismo no sul da Rússia. Algumas fontes sugeriram que ele deve ter se voltado contra seus operadores estadunidenses, como não é incomum acontecer_nesse caso, o assassinato de 5 agentes da CIA por um médico jordaniano enviado para infiltrar a Al Qaeda vem a mente.


Uma coisa é certa; o terrorismo está invariavelmente ligado a politica externa criminosa conduzida por Washington, que toma a forma de uma sucessão infindável de intervenções desastradas, predatórias e violentas por todo o mundo.


Os próprios ataques de 11 de Setembro tiveram suas raízes na administração Carter, no fim dos anos 70, para fomentar uma insurgência Islamista no Afeganistão, com o intuito de derrubar um governo apoiado pelos soviéticos, e o subsequente descarte dos mujahedins por parte de Washington, que antes eram chamados de guerreiros da liberdade.


A História está se repetindo no complicado e duradouro relacionamento entre o Imperialismo dos EUA e a Al Qaeda. Tanto na Síria como na Líbia, Washington usou Al Qaeda como ‘fantoches’ em guerras por mudança de regime contra governos Árabes seculares.


Na Líbia, assim que Gaddafi foi derrubado e assassinado, os EUA se apressaram para suprimir essas forças, resultando em sangrentos ataques contra o Consulado dos EUA em Benghazi, que tirou a vida do embaixador dos EUA e três outros estadunidenses em 11 de setembro de 2012. Na Síria, está sendo preparado mais do mesmo, tenta-se montar uma coalizão de “moderados” para marginalizar a os islmamistas al Nusra, que até agora tem aguentado o fardo da luta. Tudo isso é só semente para mais terrorismo.


Pedestres inocentes, seja em Damasco, Kabul, Bagdá ou Boston, acabam pagando o preço terrível por essas operações dos EUA, que deixam uma trilha de sangue e desastre por toda parte.



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