Helena Chagas: Previdência será objeto de barganha para ações contra Lava Jato

"Ninguém vota Previdência e outras reformas profundas num clima desses. Ao contrário, a pauta passa a ser objeto de barganha para aprovação de medidas para conter a Lava Jato"

Foto: Agência Brasil

Por Helena Chagas

Em Os Divergentes

Prisão de Temer acirra reação à Lava Jato no Congresso

Aparentemente, não há relação direta entre os dois principais fatos políticos de hoje: a volta do ex-presidente Michel Temer à prisão e a derrota do ministro Sergio Moro na comissão especial do Congresso que examina a MP 870 e tirou o Coaf da Justiça para a Economia. Mas são dois capítulos do mesmo enredo, que tem como trama central a influência da Lava Jato nas decisões do Congresso e a reação do establishment político. Vai ficando claro que tudo continua girando em torno disso – e que votações importantes, como a da Previdência, podem acabar sendo atropeladas.

A prisão de Temer não é uma novidade, e não se achará, no Congresso, um só politico – do MDB ou de qualquer outro partido – disposto a suar a camisa na defesa do ex-presidente, agora réu em seis ações. A questão não é Temer, mas sim o velho efeito Orloff sobre boa parte dos políticos: “eu sou você amanhã”, tem muita gente pensando a esta altura. Na tarde desta quarta, no Cafezinho do Senado, um personagem importante contava que, entre seus pares, havia grande apreensão com a situação de Michel Temer, pois “a fila anda”.

Com o ex-presidente preso, boa parte de seus companheiros do MDB e de políticos de partidos do Centrão, como o DEM, o PR, o PP, o PRB e outros, igualmente citados na Lava Jato e assemelhadas, tendem a paralisar votações e articulações congressuais para colocar no topo da lista de prioridades uma ofensiva para limitar o poder e o alcance das ações d dos agentes de investigação.

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Tal reação vem sendo articulada há tempos, e ainda não é possível avaliar sua dimensão, mas uma coisa é certa: ninguém vota Previdência e outras reformas profundas num clima desses. Ao contrário, a pauta passa a ser objeto de barganha para aprovação de medidas para conter a Lava Jato.

A derrota de Moro – e, por tabela, do Planalto – nesta manhã faz parte dessa ofensiva e deve ser a primeira de uma série. Bolsonaro e seus articuladores sabem disso, e esta pode ter sido a razão pela qual eles, inicialmente, tenham concordado em tirar o Coaf de Moro para apaziguar os ânimos parlamentares. O ex-juiz, porém, parece ter esticado a corda no Planalto, acenando até com um eventual pedido de demissão, e reenquadrou o chefe.

O assunto ainda será votado nos plenários da Câmara e do Senado,e em tese ainda seria possível que o Coaf voltasse à Justiça. Todo mundo sabe, porém, que a questão não é exatamente o Coaf – até porque o ministro Paulo Guedes já anunciou publicamente que manterá a mesma estrutura e funções dadas pelo colega na Justiça. O órgão passou a ser, isso sim, símbolo de uma briga bem maior, da qual dependerá o destino de muita gente daqui para frente, incluindo aí o da Lava Jato e o do próprio Sérgio Moro.

 

8 comentários

  1. A questão levantada pelo autor do artigo tem o contorno, a cor, o cheiro e a aparência de uma questiuncula No entanto, ela faz pensar, o que é inegável.
    Pensar exatamente no quê?
    Primeiro, na aparente volta do pêndulo, ou do centrão, como quiserem, a uma posição próxima da esquerda parlamentar. A luta habitual dos centristas, extremados radicais da moderação, é pela sobrevivência de seus representados; já os parlamentares ditos de esquerda estão sempre tentando escapar do isolamento como o dinheiro dos temerosos brasileiros ricos costuma se escafeder para o exterior, de qualquer maneira, de preferência.
    Segundo, na hipótese da aparente volta do pêndulo se converter num movimento completo do centrão na direção da esquerda parlamentar, esta finalmente terá uma proposta para a reforma da previdência para votar, sem falar das demais que o anacrônico capitão da guarda do Planalto já mandou ou ainda cogita mandar para o Congresso Nacional. Será, naturalmente a proposta do centrão, nem mais nem menos.
    Cabe a pergunta: porque a esquerda parlamentar não tenta ser de esquerda ao menos uma vez na vida, votando contra todos projetos da extrema direita e do centrão, ou, o que seria melhor. apresentando uma proposta própria, centrada na melhora da arrecadação do INSS, com o COAF perseguindo duramente a sonegação das empresas, e no aumento dos salários por meio de um vasto programa obrigatório de formação técnica da mão-de-obra nacional?
    Por último. Quem não vê que o sistema político liberal brasileiro já se esgotou?

  2. Grande Heleninha,antes tarde do que nunca.Quando Ministra de Dilma,encheu o monossilabo da Globo de grana.Em vão.Nem Valdir Macedo se interessa mais por ela,segundo o outro.Não se fazem mais filhos como antigamente.Nassif quebrou a Abril e PHA a Globo.

  3. Meu deus….
    “aparentemente não há relação…”
    Esse É o principal ponto de intimidação, chantagem, negociação, o diabo do nome que quiserem, de todo esse processo golpista…
    A legislação trabalhista já foi; as privatizações correm soltas…
    Desde o inicio o Centrão está careca de saber que não pode dar mole a Previdencia, a jóia da coroa, para o “mercado” e ficar sem nada para negociar com o rolo compressor da aliança mercado/midia/lavajato…
    Bom dia, doutora!

  4. Mais um desserviço ao Brasil que trabalha e paga impostos e NÃO MERECE esta farsa midiática política cansativa diariamente da cleptocracia sistêmica instalada nos 3 poderes, não é verdade? O resto é tola ilusão, e tudo segue como dantes no quartel de Abrantes

  5. Espero que seja o prenúncio de, finalmente, uma briga entre a classe política e a lava-jato. Os políticos representado a elite “colonial” e a eles mesmos, e a lava-jato representando o imperialismo americanos como vassalos deste “imperialismo”.
    Pode ser que a lava-jato se acabe finalmente. Tem que acabar.
    Espero uma boa “briga de foice no escuro”.

  6. ALEXANDRE FROTA assume coordenação da comissão especial da PREVIDÊNCIA

    Deixará função na Comissão de Cultura

    Era ‘porta-voz’ dos artistas no governo

    Nome do substituto não foi divulgado

    O deputado Alexandre Frota participou da reunião da Comissão Especial da Previdência com o ministro Paulo Guedes Reprodução Instagram @alexandrefrota_oficial – 7.mai.2019

    09.maio.2019 (quinta-feira) – 7h52

    O deputado federal Alexandre Frota (PSL-SP) foi designado para ser o coordenador da comissão especial da reforma da Previdência na Câmara. As informações foram divulgadas na manhã desta 5ª feira (9.mai.2019) pelo jornal Folha de S.Paulo, na coluna da jornalista Mônica Bergamo.

    https://www.poder360.com.br/congresso/alexandre-frota-assume-coordenacao-da-comissao-especial-da-previdencia/

    Vídeo que mostra o que Alexandre Frota, Paulo Guedes, Bolsonaro e Olavo de Carvalho querem fazer com todos nós, brasileiros:

    http://xvideos10.blog.br/alexandre-frota-comendo-garoto-esperto-na-massagem/

  7. Quando a turma de um partido criminoso como PSL coloca como “coordenador honorário” para assuntos da previdência um escroque, um vagabundo, como o deputado porno frota — festejado como autor da frase ” capitalização é poupança garantida”, babaquice que passou a ser usada pelo que chamam “equipe economica” — torna-se óbvio que estamos diante apenas de uma grande orgia.
    Onde já se viu? Um bando de vagabundos ousar interferir no futuro dos brasileir
    os que verdadeiramente trabalham

  8. Uma realidade emergente dessa verdadeira guerra de quadrilhas retratada nessa matéria é o sucesso da estratégia do tal Mercado na sua luta permanente para se apoderar dos poderes do Estado. Por que o tal Mercado mantém uma campanha mediática permanente para propagação do mantra do chamado “Estado mínimo”? O cientista Jessé Souza já identificou claramente que as quadrilhas dominantes do país, que ele chama de ELITE, não admitem qualquer movimento político que sinalize algum risco à sua supremacia de poder sobre o controle absoluto do Estado. Para que essas quadrilhas querem e precisam manter o poder de controle sobre o Estado? Segundo referido cientista, é PARA ROUBAR e continuar roubando o país. Para tanto elas se valem do MECANISMO denominado pelo nome fantasia de DÍVIDA PÚBLICA que, segundo os especialistas, não é e nunca foi DÍVIDA e, muito menos, é PÚBLICA. Por isso é preciso combater e destruir qualquer veleidade de política pública (DE DEMOCRACIA) que caminhe no sentido de institucionalizar e consolidar os compromissos firmados na Constituição Federal de 1988, especialmente, nas áreas relacionadas ao interesse coletivo, como SAÚDE, EDUCAÇÃO, HABITAÇÃO, entre outros. Como é que se faz esse combate? A estratégia pressupõe a necessidade permanente de controlar (comprar) as instituições representativas do interesse público do Estado, quais sejam, os poderes Legislativo e Executivo. Controlar (ou comprar) essas instituições sai muito caro porque os seus representantes, na democracia, são eleitos periodicamente. O jeito mais fácil, com melhor relação custo benefício, é controlar (comprar) o judiciário. O Joesley Batista disse em uma de suas conversas gravadas que estava “controlando” (comprando) um ou dois magistrados. O Mercado mantém sob controle todo o judiciário. Como é que o judiciário serve aos propósitos dos seus patrocinadores? Esse serviço é prestado por meio de manipulação de denúncias, investigações e processos de corrupção. Os representantes do Mercado são inimputáveis e os seus inimigos são acusados, investigados, condenados e presos com base em acusações que o próprio Mercado produz, valendo-se do cartel de empresas de comunicações que ele mantém sob absoluto controle. Assim, forma-se um processo de seleção (sobre) natural que anula qualquer possibilidade de que representantes políticos alinhados ao interesse público possam chegar ou, se chegar, permanecer em cargos com poder de representação política. O Mercado, filho legítimo do CAPITALISMO, não é compatível com a DEMOCRACIA. Ao contrário do que se propaga no senso comum dominante, nenhuma solução para qualquer país pode vir do Mercado. Simplesmente porque o Mercado é o problema e não a solução para o país, como explica, com clareza, o engenheiro Eduardo Moreira.
    Na luta do Mercado contra o Estado, como na luta do Mar contra o Rochedo, quem se phode é o marisco, o POVO todo do país, inclusive aqueles que se imaginam privilegiados!
    https://www.youtube.com/watch?v=_0gMMnl9DW8&feature=share

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