Inquérito contra Cristiane Brasil por tráfico é emperrado na Justiça


Foto: Antonio Augusto/Agência Câmara
 
Jornal GGN – O inquérito policial que apura suspeitas de tráfico de drogas e associação ao tráfico durante a campanha eleitoral de 2010 contra a deputada federal e ministra nomeada por Temer, Cristiane Brasil (PTB-RJ), atualmente nas mãos da Procuradoria-Geral da República, em Brasília, nunca foi investigado pela Justiça Eleitoral.
 
Ao lado do deputado estadual Marcus Vinicius (PTB), ex-cunhado da parlamentar, e outros três assessores, Cristiane Brasil é acusada de pagar traficantes de bairro de zona periférica e um dos redutos eleitorais da deputada. O pagamento teria sido feito em troca de exclusividade para fazer campanha na região de Cavalcanti.
 
No ano de 2010, Cristiane não se candidatou mas apoiou a candidatura de Vinicius à reeleição. A parlamentar foi eleita deputada em 2014. Ambos negam as acusações. O inquérito foi aberto com denúncias na Polícia Civil e menciona ainda o constrangimento de líderes comunitários pelos traficantes para a realização da campanha eleitoral nas comunidades Vila Primavera, Parque Silva Vale e JJ Cowsert.
 
Entre os acusadores estão líderes comunitários, que disseram ter sido ameaçados para trabalhar em panfletagem na campanha da hoje ministra nomeada por Temer. O caso hoje está nas mãos da Procuradoria-Geral da República, porque Cristiane possui foro privilegiado. Entretanto, o inquérito nunca foi analisado pela esfera eleitoral, segundo as últimas informações apuradas.
 
No dia 10 de agosto de 2010, as acusações foram recebidas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) e, sem a abertura de nenhum procedimento investigatório, alguns dias depois elas foram encaminhadas ao Ministério Público Estadual. Ao Estadão, a Procuradoria Regional Eleitoral admitiu que não tem o registro da denúncia.
 
Desde que chegou ao Centro de Apoio Operacional do MPE, no dia 19 de agosto de 2010, o caso está paralisado no sistema. Por sua vez, o Ministério Público negou ter conhecimento e tampouco “localizou nenhum outro procedimento senão aquele inquérito policial remetido ao MPF no dia 26/01”. E passou a bola à Procuradoria Regional Eleitoral, que disse nunca ter recebido a denúncia.
 
Ainda que chegasse, a Procuradoria informou que em casos como este, envolvendo suspeitas em campanhas eleitorais, o procedimento é aberto e encaminhado diretamente à PRE, por não ser atribuição direta.
 
Nesse meio tempo, quase oito anos se passaram e o inquérito não foi sequer iniciado. A então deputada e hoje ministra nomeada nunca prestou depoimento aos investigadores, sendo intimada apenas uma vez no Palácio Tiradentes, sede da Assembleia Legislativa, quando ocupava o cargo de secretária de Envelhecimento Saudável da cidade.
 
Em resposta, o advogado de Cristiane Brasil, André Miranda, afirmou que a denúncia é “apócrifa”, sem base e que “nada disso foi confirmado no inquérito”. “Nada eu ensejo a um ajuizamento penal. Até uma pessoa que não existe pode ser acusada de alguma coisa”, justificou o defensor da parlamentar. 
 
 
 

3 comentários

  1. Cada coisa esquisita
     

    Esse inquérito teve um “envenlhecimento saudável” e faleceu sem cumprir sua missão, que é a missão de todos os inquéritos que os políticos inventam para sacanear um ao outro.

    Agora, tentam ressuscitá-lo.

    Depois não entendem porquê as pessoas normais detestam política.

  2. Os barra-pesada

    Disse alguém “se a quadrilha toda pode porque a Cristiane não pode?” São todos barra-pesadas nesse governo, muda nada se mais um entrar na “foto de familia.”

  3. inquerito….

    Somos uma Terra de Lunáticos. Onde queremos ir e onde queremos chegar? Autoridades dizem que combaterão a Criminalidade e tornarão o país mais seguro? É Inacreditável. Continuam dando tiros no meio de casas e crianças. O Ministro da Justiça, já de saco cheio, jogou tudo no ventilador. Crime e Tráfico de Drogas é atividade comandada por 2 ou 3 Parlamentares e o Governador de Estado. Cristiane, Perrella, Aécio, Acessores, outras dezenas de Parlamentares. Esta tudo aí. Mais de 10 crianças assassinadas a tiro somente em janeiro no RJ. E bovinamente nosso silêncio? Pobre país limitado. Justiça? Nossa tragédia revela nossa mediocridade. 

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