Julgamento desnudou personalidade e postura de ministros

Comentário ao post “Celso de Mello e a senhoridade perdida
 
Acalmados os ânimos após o frenesi que antecedeu essa memorável decisão do Supremo, tentemos abrir discussões mais racionais e destituídas de ranços políticos-ideológicos, sem descambar para o outro extremo das tecnicalidades excludentes.
 
Concordo com a análise do texto quanto ao perfil dos novos ministros Teori e Luiz Barroso. Demonstram(pelo menos aparentemente) possuírem as competências e o perfil exigido para um membro da Alta Corte. Quanto aos aspectos pessoais, destaco a sisudez, serenidade e áurea de respeitabilidade do primeiro; e no segundo, a polidez e o didatismo nas manifestações. Certamente que mesmos analistas impregnados pelo partidarismo concordarão com isso. 
 
Na minha opinião após o desenlace dessa Ação Penal, mesmo que persistam injustiças gritantes singulares segundo meu juízo, a exemplo da condenação de José Genoíno e a absoluta falta de provas cabais para sentenciar José Dirceu, o Supremo – como Instituição – sairá fortalecido. Mesmo porque foi nesse julgamento que podemos, de fato, desnudar a verdadeira personalidade e postura de muitos ministros em função da excessiva exposição. Alguém, por exemplo, tem dúvidas acerca dos “compromissos” políticos do ministro Gilmar? Do extremo conservadorismo, moralismo  e obtusidade política de Celso de Mello? Da insegurança técnica de Toffoli e Rosa Weber? Da personalidade egocêntrica, vaidosa, e portanto midiática, de Celso de Mello? A truculência reveladora de aparentes complexos de Joaquim Barbosa?

E Ricardo Lewandowkis? Não há viés político nas suas manifestações e votos? Não possui “compromissos” partidários ou de outra lavra? Deve os ter, sim. Mas há aferição empírica para isso? Portou-se nesse julgamento de forma a contradizer posicionamentos e viés anterior,  a exemplo de Gilmar Mendes que mandou seu suposto “garantismo” para as chamadas “cucuias” quando os réus eram petistas?  Em seus votos claros, serenos, sempre buscando referências factuais e sem teatralidades se filtra alguma contaminação extra autos ou processo? 
 
Luiz Fux, a meu ver merece um “capítulo” especial. Se de repente me fosse dada a Onipotência, faria retroceder o tempo para que, quem sabe, esse senhor NUNCA fosse nomeado ministro do Supremo. Não por débito técnico, mas porque para sempre foi “queimado”, no sentido de que a pecha de venialidade lhe seguirá até o último segundo da sua condição de ministro do Supremo. Assumiu a vaga carimbado, rotulado, sem contar com  o benefício da dúvida. Tal condição o tornou uma espécie de zumbi, de alma penada sempre a vagar através de votos e pareceres sobre os quais sempre recairão suspeitas. Se em termos probabilísticos é estranha a convergência de seus votos com os do ministro relator Barbosa, nos quais não houve nenhuma condescendência para os réus, se evocarmos sua condição de Fausto talvez cheguemos a alguma conclusão.

9 comentários

  1. Uma retificação: 
    Onde se lê:

    Uma retificação: 

    Onde se lê: “Na personalidade egocêntrica,  vaidosa……de Celso de Mello…..” Leia-se: MARCO AURÉLIO DE MELLO. 

    Fiz a retficação após o comentário ter sido elevado a post. Peço desculpas pelo equívoco.

  2. Sem credibilidade.

    Quando os meios de comunicação, a classe média pelo Facebook e os próprios pares consideram a pressão aos membros do Supremo uma ação legítima é porque o Supremo não tem credibilidade alguma.

    Se o Supremo fosse considerada uma Instituição intransponível, séria, correta os mervais da vida não teriam tanto fôlego para gritar.

    É passada a hora  de se discutir a nomeação dos membros do Supremo ou sua própria existência. Aproveito para sugerir: concurso público com mandado de 8 anos. Sendo aberto apenas para juízes e procuradores concursados.

     

  3. Sem credibilidade.

    Quando os meios de comunicação, a classe média pelo Facebook e os próprios pares consideram a pressão aos membros do Supremo uma ação legítima, comprova que o Supremo não tem credibilidade alguma.

    Se o Supremo fosse considerada uma Instituição intransponível, séria, correta, os mervais da vida não teriam tanto fôlego para gritar.

    É passada a hora  de se discutir a nomeação dos membros do Supremo ou sua própria existência. Aproveito para sugerir: concurso público com mandato de 8 anos. Sendo aberto apenas para juízes e procuradores concursados.

     

  4. Celso de Mello vai ser nome

    Celso de Mello vai ser nome de rua em Diamantino e Lewandwski vai avenida em paracatú.

  5. Para Dirceu, acho que nem

    Para Dirceu, acho que nem recibo assinado falta como prova.

    Me espanta que o legalismo, definido antes pela esquerda como garantismo “burguês” para os poderosos, inclusive neste espaço,  tornou-se agora âncora para defender seus poderosos de estimação…

    • A única “prova” contra Zé

      A única “prova” contra Zé Dirceu é a palavra de R. Jefferson afirmando que o mensalão existiu. Só isso! ,

      Nada de recibo, documento, gravação, depoimento de ex-mulher traída, testemunho de cúmplice arrependido…

      Pelo contrário, havia – ainda há – muitas provas da defesa que o beneficiariam e a muitos outros, mas que foram solenemente ignoradas ou “não admitidas” no julgamento. 

      Ao contrário dos Lalaus da vida que chegam a conseguir dezenas de recursos e revisões, o julgamento da AP 470 foi sumário, direto no STF – incluindo-se aí, os mequetrefes – SEM DIREITO À PRIMEIRA INSTÂNCIA. Os tais embargos só vem corrigir essa distorção. E apenas numa parte específica e para alguns réus.

      Vai ser divertido ver o quê e como os ministros farão para continuar mantendo essa farsa. Muita coisa já veio à tona e mais ainda virá se certos “segredos de justiça” forem quebrados.

      O tal garantismo, até hoje, realmente só serviu pra soltar banqueiro doleiro, médico estuprador e dar HCs para banqueiro bilionário corrupto desqualificando provas escandalosamente cabais contra o mesmo, incluindo vídeo com tentativa de suborno.

      O que dizer dos brindeiros engavetamentos dos tempos tucanos por conta de uma tal de “governabilidade”?

      Fazer comparações, no momento, não é a melhor política.

  6. Só de ministros?
    José de

    Só de ministros?

    José de Abreu, hoje no O Globo:

    “Eu achei que prevaleceu a justiça, o direito de dupla jurisdição, de duplo julgamento que todo cidadão brasileiro e de todos os países signatários das normas internacionais têm direito. O decano deu uma aula. O GLOBO publicou que durante o governo do Fernando Henrique tentou-se mudar os embargos e isso foi discutido e recusado. Isso acho que balançou um pouco a segurança dos outros ministros que tinham votado contra. O fato é que foi discutido no Congresso e não passou. Continua sendo vigente. O Celso de Mello, no primeiro dia de julgamento, ao negar o desmembramento do projeto, garantiu que teria dupla jurisdição”.

    Merval hoje no O Globo:

    “O ministro Celso de Mello foi feliz ao não basear sua decisão em aspectos apenas técnicos, dando a ela um caráter mais amplo de defesa dos direitos do cidadão. E trouxe uma novidade para o debate, a decisão do Congresso em 1998 de não acabar com os embargos infringentes, proposta enviada pelo Executivo. Se o legislador de 1990 tinha a intenção de extinguir tacitamente os infringentes, em 1998 teve a intenção expressa de mantê-los.”

    Será o Benedito que só Zé de Abreu, lá na Globo, lê O Globo?

    Será que Merval, Kamel e companhia, não leem O Globo?

  7. Até achei legal a relatoria

    Até achei legal a relatoria na mão do Fux, ele vai falar tanta mas tanta besteira que todos os ministros

    vão querer votar contra ele. 

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