Lava Jato de Curitiba teria feito grampo ilegal de ramal “por equívoco”

Lava Jato de Curitiba gravou conversas de procuradores da República, possivelmente com investigados e acusados, durante os últimos quatro anos

Foto: Divulgação

Jornal GGN – “Por equívoco operacional”, a Lava Jato de Curitiba gravou conversas de procuradores da República, possivelmente com investigados e acusados, durante os últimos quatro anos. A informação consta de documento emitido pela procuradora-chefe do MPF do Paraná, Paula Cristina, divulgado pelo Antagonista e Consultor Jurídico.

Cristina emitiu um documento ao procurador-geral Augusto Aras, na última sexta-feira (26), após ser cobrada de explicações sobre outra polêmica, a visita da subprocuradora-geral Lindôra Araújo aos documentos da PGR do Paraná.

A chefe do MPF do estado narrou que a unidade abriu uma licitação, em 2015, para obter um “gravador de ramal PABX”, com o intuito de gravar ameaças que servidores e o procurador Carlos Fernando dos Santos Limas estariam recebendo.

“Uma vez instalado, no início do ano de 2016, o sistema foi imediatamente colocado à disposição de membros e servidores da força tarefa da ‘lava jato’ a fim de possibilitar, por necessidade, conveniência e a pedido de cada usuário, a gravação das ligações originadas ou recebidas de seus ramais institucionais”, disse a procuradora.

Entretanto, as ligações feitas entre os funcionários e procuradores da Lava Jato de Curitiba por aquele ramal foram todas gravadas, “por um equívoco operacional”, segundo a procuradora, permanecendo ativas “até o presente momento, vez que os usuários desconheciam a necessidade de solicitar expressamente o encerramento da gravação de seus próprios ramais”.

A responsável pela Procuradoria no Paraná negou, contudo, que o sistema foi adquirido para realizar grampos telefônicos, assim, não se trata de mecanismo de gravação permitido e autorizado no âmbito judicial. O objetivo seria gravar ligações exclusivamente de ramais institucionais, entretanto, admite que a tecnologia do equipamento permite ser usada para estes fins ilícitos, ou seja, grampos ilegais.

A polêmica envolvendo o acesso da subprocuradora Lindôra Araújo, ligada ao atual procurador-geral Augusto Aras, às investigações sigilosas da Lava Jato de Curitiba está sendo vista como uma forma de os procuradores da força-tarefa “omitirem informações sobre seus métodos de trabalho”, informou o Conjur, que obteve informações dos bastidores.

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Segundo o site, “a PGR já sabe que os procuradores de Curitiba abriram mais de mil inquéritos nos últimos cinco anos, que não foram fechados” e que “a força-tarefa adquiriu três equipamentos de interceptação e organização de gravações telefônicas (Guardião), mas dois deles sumiram. Grande parte do acervo de gravações acabou apagado no ano passado.”

Leia o documento emitido pela procuradora-chefe do MPF do Paraná, Paula Cristina:

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2 comentários

  1. Por equívoco operacional”, a Lava Jato de Curitiba gravou conversas de procuradores da República, possivelmente com investigados e acusados, durante os “últimos quatro anos”. Quatro anos de equivoco. Acontece…

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