Mais um leilão da massa falida da Boi Gordo

Jornal GGN – Amanhã, 16 de outubro, ocorre mais um leilão da massa falida das Fazendas Reunidas Boi Gordo. O evento se dará em São Paulo, com leilão de três propriedades que irão a remate para pagamento de parte dos credores trabalhistas. As três propriedades estão avaliadas em mais de R$ 10 milhões.

As Fazendas Reunidas Boi Gordo pediram concordata em 2001 e faliram em 2004, causando prejuízo a mais de 30 mil credores e deixando na esteira um passivo atualizado de cerca de R$ 4 bilhões.

Amanhã, dia 16, ocorre um novo leilão da Massa Falida. Neste evento, as Fazendas Santa Cruz, localizada em Barra dos Bugres, e Vale do Sol I, em Salto do Céu, além de um imóvel urbano, localizado em Mirassol D’Oeste, todos no estado do Mato Grosso, serão colocados a remate.

A Fazenda Santa Cruz tem área total de 2.105,1661 hectares e está avaliada em R$ 6.452.000,00. A Fazenda Vale do Sol I, tem 2.039, 5569 hectares e está avaliada em R$ 3.925.000,00. O imóvel, um armazém com escritório localizado no centro de Mirassol D’Oeste, tem uma área total de 1.084,46 m² e área construída de 508 m², e está avaliado em R$ 336 mil reais.

As Fazendas Santa Cruz e Vale do Sol I haviam sido invadidas mas foram retomadas pacificamente pela massa falida no último dia 17 de setembro, em cumprimento às decisões judiciais da Justiça de Cuiabá e se encontram sob a proteção de uma empresa de segurança especializada.

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Leilão

Conforme o padrão ocorrido nos leilões anteriores, os valores de avaliação dos imóveis serão atualizados até a data do leilão, com base na Tabela do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Serão aceitos lances para pagamento à vista e a prazo, e o maior lance será o vencedor, independente da forma de pagamento.

Gustavo Sauer, síndico da massa falida, afirma que “o sucesso dos dois leilões realizados no primeiro semestre, não se deve apenas à qualidade das fazendas oferecidas à venda, mas à forma transparente como foi feita a divulgação. As propriedades, apesar de terem contratos de arrendamento vigentes, cujos prazos tinham que ser respeitados, foram vendidas com ágio de até 70%”.

“A expectativa é de que o mesmo resultado favorável seja obtido no leilão do dia 16 de outubro, pois as fazendas retomadas pela massa falida estão com o pasto, cercas e currais preservados e em perfeitas condições de uso, livres de pessoas e objetos, protegidas por empresa de segurança. O comprador tomará posse de forma imediata, sem ter que esperar o vencimento de contrato de arrendamento. O imóvel urbano, que também será leiloado, possui excelente localização e também está em perfeitas condições”, concluiu Sauer.

De acordo com o promotor de justiça de falência, Dr. Eronides Aparecido Rodrigues dos Santos, que atua nesse caso, “a retomada das propriedades invadidas é fruto da atuação ágil e eficaz do Síndico, dos profissionais e autoridades judiciária e policial, que respeitando o devido processo legal retomaram as áreas invadidas, que, agora desembaraçadas, irão a leilão com a mesma estratégia vencedora de divulgação através da mídia televisiva, eletrônica, além da venda presencial, transmitida ao vivo”.

O síndico confirma que, com o ativo arrecadado na falência, até o presente momento, será possível efetuar o pagamento dos credores trabalhistas ainda este ano. Somente aguarda a realização desse próximo leilão e o julgamento das últimas impugnações de crédito, que deverá ocorrer até o próximo mês, para solicitar ao Juiz a realização de rateio parcial para o pagamento integral dos créditos trabalhistas.

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O leilão que acontecerá dia 16 de outubro, na Casa de Portugal, em São Paulo, terá transmissão ao vivo pelo Canal do Boi (http://www.sba1.com/pt/tv-ao-vivo/canal-do-boi), pelo site da Massa Falida de Fazendas Reunidas Boi Gordo S.A e Coligadas (http://massafalidaboigordo.com.br).

Entenda o caso

Um dos maiores casos de pirâmide financeira já ocorridos no Brasil, o esquema de Engorda de gado nas Fazendas Reunidas Boi Gordo parte para um segundo capítulo. Cerca de trinta mil investidores perderam aproximadamente 3,9 bilhões de reais em um esquema que prometia lucro mínimo de 42% em um período de um ano e meio.

A empresa foi fundada em 1988, mas começou a comercializar os contratos de investimento coletivo, os CICs, a partir dos anos 1990. O esquema se baseava na criação de bezerros e engorda de bois, mas os lucros eram pagos, sobretudo, pela entrada de novos investidores na empresa.

Ao abrir seu capital, dez anos depois, foi exigido registro na Comissão de Valores Mobiliários para que as atividades continuassem. A Boi Gordo foi investindo pesadamente em propagandas com comerciais apresentados por Antônio Fagundes nos intervalos da novela “Rei do Gado” da Rede Globo.

Em 2001 a empresa ficou sem recursos para manter os resgates solicitados e a falência foi decretada em 2004. Para indenizar os investidores, foi estudada a entrega das propriedades da Boi Gordo, passando para fundos em nome dos credores. O processo criminal instaurado contra o dono da empresa, Paulo Roberto de Andrade, foi cancelado pelo Superior Tribunal de Justiça em 2009. Na CVM, a condenação sofrida por ele em 2003 combinou uma multa de mais de 20 milhões e a proibição de exercer o cargo de administrador de companhia aberta por 20 anos. 

1 comentário

  1. Tem horas que dá uma peninha

    O que ese cara não deve estar chorando….

    O processo criminal instaurado contra o dono da empresa, Paulo Roberto de Andrade, foi cancelado pelo Superior Tribunal de Justiça em 2009. Na CVM, a condenação sofrida por ele em 2003 combinou uma multa de mais de 20 milhões e a proibição de exercer o cargo de administrador de companhia aberta por 20 anos. 

     

     

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