Memória fraca do PGR é conveniente, por Julianna Sofia

"O lapso cognitivo do PGR é conveniente. Divulgar dia e hora do arquivamento torna patente o açodamento do ato"

Foto: Divulgação

Jornal GGN – O procurador-geral da República, Augusto Aras, foi “amnésico” ao dizer que não se lembra, nem sabe informar, quando ele próprio determinou o arquivamento da notícia fato enviada pelo Ministério Público do Rio ao Supremo Tribunal Federal (STF) que informava a menção do nome de Jair Bolsonaro na investigação do assassinato de Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.

Para a colunista Julianna Sofia, da Folha, “o lapso cognitivo do PGR é conveniente”. “Divulgar dia e hora do arquivamento torna patente o açodamento do ato —ocorrido, quem sabe, entre a revelação do JN e o ofício de Moro do dia seguinte”, explicou.

O procurador-geral não teve a mesma dúvida ao anunciar, no último dia 30 de outubro, que arquivava a notícia crime encaminhada ao Supremo. Mas agora trata de não se lembrar do dia ou horário do qual o fez. E mais: o arquivamento se deu “sem periciar as gravações registradas na portaria do condomínio do presidente”, escreveu Sofia.

“Aos de memória fraca, vale recordar. Em 9 de outubro, o governador Wilson Witzel confidencia a Bolsonaro a referência a seu nome no inquérito, relata o mito. No dia 16, ele se encontra com Dias Toffoli (STF), que se reúne com promotores do Rio 24 horas depois. No sábado (19), o presidente recebe Aras no Palácio do Alvorada. No mesmo dia, seus advogados lhe fazem uma visita”, relembra ao PGR a jornalista.

Leia a coluna completa na Folha.

 

4 comentários

  1. RESPOSTA DE DILMA AO ESTADÃO..
    SOBRE OS SURTOS NEOFASCISTAS E A COVARDIA

    Dilma Rousseff

    Ninguém, dos órgãos de imprensa, pode se declarar surpreendido pela manifestação do deputado Eduardo Bolsonaro a favor do AI-5. Na verdade, ninguém pode se surpreender porque já houve seguidas manifestações contra a democracia por parte da família Bolsonaro. Defenderam a ditadura militar e, portanto, o AI-5; reverenciaram regimes totalitários e ditadores; homenagearam o torturador e a tortura; confraternizaram com milicianos. Desde sempre pensaram e agiram a favor do retrocesso. Antes das eleições não havia duvidas a respeito. Durante as eleições e depois dela, muito menos, pois têm se expressado contra a democracia e os princípios civilizatórios em todas as oportunidades que tiveram.

    O grave é que nunca receberam da imprensa a oposição enérgica que mereciam. Ao contrário, acredito que a imprensa fez vista grossa ao crescimento do neofascismo bolsonarista, porque este adotara a agenda neoliberal. É que, além das pautas neofascistas, a extrema direita defende a retirada de direitos e de garantias ao trabalho e à aposentadoria; as privatizações desnacionalizantes das empresas públicas e da educação universitária e a suspensão da fiscalização e da proteção ambiental à Amazônia e às populações indígenas. Não é possível alegar surpresa ou se estarrecer diante da defesa do AI-5. Na verdade, em prol da realização da agenda neoliberal, na melhor hipótese se auto iludiram, acreditando que poderiam cooptar ou moderar Bolsonaro.

    Mas a defesa do AI-5 e da ditadura sempre esteve lá.

    Vamos novamente lembrar, o chamado filho 03, que agora diz que considera o AI-5 necessário, é o mesmo que, há algum tempo, disse que “um soldado e um cabo” bastavam para fechar o STF. Óbvio que sem o poder coercitivo de um AI-5, isto nunca seria possível.

    O presidente, então ainda deputado, proferiu no plenário da Câmara um voto em que homenageou um dos mais notórios e sanguinários torturadores do regime militar. Aquele coronel só agiu com tal brutalidade contra os opositores do regime militar porque estava protegido pelo AI-5.

    Jair Bolsonaro afirmou em entrevista que a ditadura militar cometeu poucos assassinatos de opositores políticos. E que os militares deviam ter matado “pelo menos uns 30 mil”. Também afirmou, na campanha do ano passado, que, se vencesse a eleição, só restariam dois caminhos aos petistas – o exílio ou a prisão – e de que maneira isto seria possível sem a força brutal de um ato institucional como o AI-5?

    É estranho que me perguntem o que eu acho da última declaração sobre o AI-5, pois a minha vida toda lutei, e continuo lutando, contra o AI-5, seus assemelhados e seus defensores. O Estadão, que me faz esta pergunta, também deve e precisa responder, pois sua posição editorial tem sido, diga-se com muita gentileza, no mínimo ambígua diante da ascensão da extrema direita no País.

    Quem nunca questionou as ameaças da família Bolsonaro com a firmeza necessária e que, em nome de uma oposição cega, covarde e irracional ao PT, se omitiu diante do crescimento do ódio e da extrema-direita, tornou-se cúmplice da defesa canhestra do autoritarismo neofascista.

  2. É engraçado ver o velhaco FHC chamando Jair Bolsonaro de autoritário. Afinal, o PGR do “Führer bananeiro” é um engavetador geral da república idêntico a Geraldo Brindeiro, PGR seletivo, surdo e cego que protegia FHC enquanto aquele tucano estropiava a economia brasileira.

  3. Nassif: por que o espanto pelo acontecido? Arre égua, o hôme foi empossado, dizem, exclusivamente para isto. Portanto, está no rumo de seu norte constitucional, como o BonecoDeVentríloco. O resto é elucubração acadêmica e devaneio de Kummunista. Que os VerdeSauvas não vêem a hora de janta-los…

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