Nelma Kodama, primeira presa da Lava Jato, conta detalhes exclusivos da operação

A entrevistada reproduz um diálogo em que procuradores garantiram que ela apodreceria na cadeia se não delatasse o doleiro Alberto Youssef

Crédito: Reprodução/ TVGGN

O programa TVGGN Justiça da última sexta-feira (23) contou com a participação de Nelma Kodama, que estrela um documentário lançado recentemente pela Netflix, em que conta a história de sua ascensão e queda como uma das maiores doleiras do País. 

Nelma foi a primeira mulher presa na Operação Lava Jato, em 15 de março de 2014, enquanto tentava embarcar para Milão, na primeira parte da operação, denominada Dolce Vitta. Na ocasião, ela carregava 200 mil euros não declarados no bolso.

“[Moro] Decretou a minha prisão a princípio por eu ter celebrado 91 contratos de câmbio na então corretora Tov, câmbios fictícios, ilegais e a única prova que ele tinha pegaram esses contratos e lá tinha uma assinatura que não era a minha, a própria Justiça reconhece isso através de perícia.”

A doleira responderia por evasão de visa e sonegação fiscal ao celebrar os 91 contratos no valor de 5,3 milhões de dólares. Para tanto, ela foi monitorada por oito meses pela Polícia Federal.

“Foi grampeada, monitorada. Sentia que tinha pessoas estranhas. Eu saía do meu escritório e tinha um mendigo na porta, mas não tinha cara de mendigo. Estava sendo seguida todos os meus passos e tinha uma intuição de que algo estava estranho. Eu estava mesmo sendo monitorada, mas eu não sabia.”

Nelma contou ao GGN que um amigo chegou a comentar com ela que haveria uma grande operação policial e que o nome dela estava entre na relação de pessoas que seriam alvo de investigação ou prisão. Mas ela não deu ouvidos.

Alvo

A entrevistada teve um relacionamento de nove anos com o doleiro e empresário Alberto Youssef e, inclusive, chegou a presenciar o grampo ilegal na cela dele. 

Nelma conta, inclusive, que um dos alvos dos procuradores, naquela época, era Youssef, que já estava negociando a prisão e a delação do também doleiro Dario Messer. 

“O Deltan  [Dallagnol] eu vi uma única vez, foi logo quando eu fui presa. Deltan e mais um procurador me procuraram, eu não tinha a presença do advogado”, lembra a ex-doleira.

Deu-se então o seguinte diálogo:

Deltan: -Olha, nós estamos aqui querendo saber se você tem interesse em fazer um acordo de colaboração.

Nelma: -Como que é esse acordo de colaboração?

Deltan: -Nós queremos saber se você tem o nome de políticos, pessoas envolvidas com o tráfico. Nós queremos toda a cadeia financeira, o começo, o meio e o fim. E queremos que você fale todas as operações do Youssef.

Nelma: -Olha, não tenho político. O que eu tenho são as operações de chineses. 

Deltan: -Nós não estamos interessados nessas suas operações com esses chinesinhos. 

Nelma: -Mas você sabe o que é um swift?

Outro procurador: -Escuta, a senhora está na condição de presa, a senhora não tem de fazer perguntas. Quem faz perguntas aqui somos nós.

Nelma: -A operação de chinesinho hoje representa o segundo PIB do Brasil ou talvez 5% do PIB mundial.

Deltan: -Bom, você vai falar sobre o Youssef?

Nelma: Olha, não tenho nada a falar dele.

Deltan: Então a senhora vai apodrecer aqui.

Confira a entrevista na íntegra:

LEIA TAMBÉM:

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Faltou uma pergunta, que não teve resposta da PF, aquele chinês bolsonarista, está nos 5% do PIB do Swift que ela falou, se estava porquê não tem nenhuma referência?

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador