Duran: Padrinho de casamento de Moro me pediu 5 milhões de dólares em propina

Em audiência na Câmara, Rodrigo Tacla Duran reafirma acusação contra Carlos Zucolotto (amigo pessoal de Sergio Moro), pede investigação sobre suposta extorsão de investigados e denuncia o autoritarismo do juiz de Curitiba. “Eles não têm o menor constrangimento em amordaçar testemunhas que vão ameaçar suas teses de acusação”, diz
 
 
Jornal GGN – O advogado Rodrigo Tacla Duran reafirmou nesta terça (5), durante audiência na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal, que recebeu de Carlos Zucolotto, amigo pessoal e padrinho de casamento de Sergio Moro, um pedido de pagamento de propina em troca de “proteção” na Lava Jato de Curitiba.
 
“Zucolotto me propôs que eu lhe desse 5 milhões de dólares em troca de sua proteção”, disse Duran. A “proteção” estaria relacionada a uma promessa de melhoria de um acordo de delação premiada junto aos procuradores liderados por Deltan Dallagnol. “Eu passei a ter problema a partir do momento em que não aceitei”, afirmou.
 
“Estranhamente”, continuou Duran, “Zucolotto nunca foi investigado. Entretanto, surgem denúncias de que outros advogados venderam proteção a outros investigados. É preciso investigar isso para que o Brasil saiba se houve tráfico de influência, advocacia administrativa ou extorsão”, cobrou.
 
O advogado afirmou ainda que “Moro ficou irritado comigo porque fui obrigado a informar à Receita Federal quem eram os colaboradores do meu escritório [de advocacia] e entre eles estava Zucolotto, que era meu correspondente em Curitiba. Essa relação profissional com Zucolotto vinha muito antes de qualquer ação contra mim. Eu não fazia ideia de que ele era amigo e padrinho de casamento de Moro.” Zucolotto também já foi sócio da esposa do magistrado, Rosangela Wolff Moro.
 
De acordo com Duran, a investigação da Receita durou 2 anos e foi encerrada sem apontar nenhum crime. Ele disse que, em 2016, procurou a Lava Jato em Curitiba para explicar sua relação profissional com a Odebrecht e acabou virando alvo dos procuradores quando a investigação avançou e o acordo de delação, com propina a Zucolotto, não foi fechado.
 
Duran ainda lembrou que, por conta dessa questão envolvendo Zucolotto, Moro vem impedindo que ele seja testemunha de defesa em um incidente de falsidade movido por Lula. A banca de advogados do ex-presidente sustenta que os documentos que a Odebrecht apresentou como provas de delações premiadas foram fraudados. Duran afirma que o sistema de onde os dados teriam sido extraídos foi manipulado antes e depois da Lava Jato, logo, não pode ser aceito pela Justiça como prova válida para processar Lula ou outros réus, como Michel Temer.
 
“Nunca serei testemunha de Lula, nem de Michel Temer, porque isso não é desejo de Moro nem da força tarefa. O que temos hoje no Brasil é a mordaça das testemunhas que são inconvenientes. Eles não têm o menor constrangimento em amordaçar testemunhas que vão ameaçar suas teses de acusação.”
 
No começo da audiência, Duran afirmou que “convivemos com dois juizes, dois Moros”. O primeiro se tornou herói dentro e fora do Brasil, mas o segundo é “criticado duramente por magistrados, inclusive de tribunais superiores e advogados”, por violar prerrogativas dos investigados. 
 
A defesa de Lula recorre a tribunais superiores para ouvir Tacla Duran como testemunha. Moro, por sua vez, já se manifestou na imprensa em defesa de Zucolotto, que teria negado qualquer relação espúria com Tacla Duran. O padrinho do juiz ainda alegou que nunca atuou em nenhum processo criminal da Lava Jato. Além disso, Moro costuma reafirmar que Duran é um “foragido” (venceu um processo de extradição na Espanha) e “criminoso”, embora ainda não tenha concluído a ação penal contra o advogado.
 
Assista à audiência abaixo.
 
https://www.youtube.com/watch?v=1Mf3nuAf_zA
Leia também:  Sergio Moro admite que terá influência na escolha da PGR

10 comentários

  1. chocado mas não surpreso

    Sera que a globonews transmitiu o depoimento?

    Se não, deveria faze-lo, afinal eles não praticam um jornalismo isento, segundo eles mesmos?!

     

     

  2. Zucolotto & P.C. Farias, um método

    A dobradinha funcionava assim, no efêmero governo Collor: o presidente anunciava, com grande estardalhaço, que iria “arrebentar com os cartórios” no país (reservas de mercado). Exemplo de cartório: concessão de linhas de ônibus. Experimente o incauto empresário achar que vai abrir uma linha de ônibus Rio-São Paulo,livre concorrência, etc e tal, não vai, é concessão perpétua e privativa da Cometa, ninguém entra e fim. Daí, o que fazia o PC Farias? Saía com a sacolinha achacando e extorquindo empresários do setor, na condição de amigo e conselheiro do presidente, garantindo que não haveria o fim dos cartórios, mediante polpudas contribuições, é claro. Jogo combinado. 

    Pergunta: qual a diferença? 

  3. juiz que impede testemunhas não julga…

    apenas escolhe ou troca culpados como se em um juízo final sem advogados de defesa

    coisa que não é para qualquer um não; só para deuses aprovados no STF e no CNJ

  4. O Brasil continua sem saber
    O Brasil continua sem saber quem é Tacla Duran e quem é Zucolotto. Repercussão zero na mídia tradicional conservadora.
    Apenas os frequentadores dos blogs de esquerda tomam conhecimento da gravidade das acusações.
    Resumindo, este depoimento sequer existiu para o brasileiro em geral.
    Acho que faltou aos parlamentares de esquerda fazer algo além na seção de hoje. Algo que chamasse a atenção, para que a mídia se envergonhasse de não mostrar.

    • Fica arreganhado o papel
      Fica arreganhado o papel baixo, vergonhoso e deletério do cartel dos oligopólios midiáticos comandados por meia dúzia de oligarcas entreguistas, vendidos e escrotos, em mais esse caso.

      Enquanto essa realidade existir o Brasil jamais será um país civilizado.

      Os editoriais redigidos por esses imbecis não se cansam de falar mal da corrupção quando eles próprios representam a corrupção encarnada em pessoa.

      PS: nenhum pleonasmo é demais para adjetivar esses pulhas calhordas sem vergonhas.

  5. NOTA SÉRGIO MORO
     
    – O

    NOTA SÉRGIO MORO

     

    – O advogado Carlos Zucoloto Jr. é advogado sério e competente, atua na área trabalhista e não atua na área criminal;

     

    Quest.:

    O juiz não apresentou subsídios objetivos para oferecer garantias de que Carlos Zucoloto é advogado sério e competente nem comprovação de que o mesmo não tenha intermediado assuntos fora da esfera trabalhista.

     

     

    – O relato de que o advogado em questão teria tratado com o acusado foragido Rodrigo Tacla Duran sobre acordo de colaboração premiada é absolutamente falso;

     

    Quest.:

    O Tacla Duran apresentou à CPI provas do diálogo com Zucoloto. Quem atestou que é falso?

     

    – Nenhum dos membros do Ministério Público Federal da Força Tarefa em Curitiba confirmou qualquer contato do referido advogado sobre o referido assunto ou sobre qualquer outro porque de fato não ocorreu qualquer contato;

     

    Quest.:

    O fato dos membros do MP confirmarem ausência de contato não prova que não ocorreu.

    O Tacla Duran apresentou à CPI documentos (e-mails) comprovando contatos com integrantes do MP.

     

     

    – Rodrigo Tacla Duran não apresentou à jornalista responsável pela matéria qualquer prova de suas inverídicas afirmações e o seu relato não encontra apoio em nenhuma outra fonte;

     

    Quest.:

    O Tacla Duran apresentou à CPI provas do diálogo com Zucoloto

     

    – Rodrigo Tacla Duran é acusado de lavagem de dinheiro de milhões de dólares e teve a sua prisão preventiva decretada por este julgador, tendo se refugiado na Espanha para fugir da ação da Justiça;

     

    Quest.:

    O advogado afirma que está sendo perseguido pelos representantes do MP e esse juízo, como possui cidadania espanhola, está respondendo àquela jurisdição. Todos os delatores da lava jato são criminosos confessos.

     

    – O advogado Carlos Zucoloto Jr. é meu amigo pessoal e lamento que o seu nome seja utilizado por um acusado foragido e em uma matéria jornalística irresponsável para denegrir-me; e

     

    Quest.:

    O advogado afirma que está sendo perseguido pelos representantes do MP e esse juízo, como possui cidadania espanhola, está respondendo àquela jurisdição.

    O fato de Carlos Zucoloto ser seu amigo pessoal não o isenta da responsabilidade, muito pelo contrário, é suspeitíssimo.

    O juiz não apresentou subsídios objetivos para classificar a matéria como irresponsável.

     

     

    – Lamenta-se o crédito dado pela jornalista ao relato falso de um acusado foragido, tendo ela sido alertada da falsidade por todas as pessoas citadas na matéria. 

     

    Quest.:

    O juiz não apresentou subsídios objetivos para classificar de falsidade as afirmações de Tacla Duran.

     

    Curitiba, 27 de agosto de 2017.

    Sergio Fernando Moro

    Juiz Federal

     

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