Perícia confirma que Ronnie Lessa autorizou entrada de acusado de matar Marielle em condomínio

O próprio Ministério Público do Rio, antes do laudo da Polícia Civil, já apontava em exame que a autorização havia sido da por Lessa, e não por Bolsonaro.

Ronnie Lessa

Jornal GGN – Laudo da Polícia Civil sobre o áudio da portaria do condomínio de Jair Bolsonaro, que autorizou a entrada de Élcio de Queiroz, não é do funcionário que mencionou o presidente em depoimento. Segundo o documento obtido pelo jornal O Globo, a entrada autorizada no dia do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, tem a voz do policial reformado Ronnie Lessa. Tanto Élcio quanto Lessa estão presos por estes crimes. As informações são do jornal O Globo.

O depoimento do porteiro colocava Jair Bolsonaro como o morador que liberara a entrada de Élcio no condomínio. Depois recuou. Na perícia iniciada em 13 de janeiro deste ano, houve a confirmação de que outro funcionário interfonou para Lessa, vizinho de Bolsonaro. O crime ocorreu no dia 14 de março e a gravação foi feita no mesmo dia, às 17h07m42s, ou seja, quatro horas antes da execução.

A matéria do jornal O Globo, no entanto, não evidenciou que a perícia passou ao largo da presença e atuação de Carlos Bolsonaro no fato. Carlos, em defesa da família, acessou os arquivos que deveriam estar bloqueados para perícia. Ele estava no condomínio, na ocasião dos fatos.

O primeiro porteiro a depor, entre 7 e 9 de outubro do ano passado, relatou que ‘Seu Jair’ havia autorizado a entrada de Élcio. Disse também que Lessa pedira para ir à casa número 58, onde vivia Bolsonaro, mas ele se encontrava em Brasília.

O próprio Ministério Público do Rio, antes do laudo da Polícia Civil, já apontava em exame que a autorização havia sido da por Lessa, e não por Bolsonaro. Em 4 de novembro, Lauro Jardim publicou que o porteiro que prestara depoimento não era o mesmo que liberara a entrada de Élcio. Isso foi confirmado pela perícia.

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Outra diferença entre os dois exames técnicos é que a gravação analisada pelo MP foi cedida pelo síndico e a da Polícia Civil foi sobre material apreendido no local pelos agentes, após o caso vir à tona.

O primeiro porteiro a depor já havia recuado após a análise do MP. Ele, em 19 de novembro, disse ter cometido um erro ao anotar o número da casa de Bolsonaro na planilha. O resultado do laudo corrobora a suspeita de que o porteiro citou Bolsonaro por mando de terceiros.

O laudo da Polícia Civil foi anexado ao processo do duplo homicídio. Cópias de cinco HDs dos computadores foram analisados com ajuda de equipamento do Instituto de Criminalística Carlos Éboli, com bloqueador de escrita que impede que qualquer dado do disco original seja apagado. Segundo o laudo, não foram encontrados ‘indícios sugestivos de edição fraudulenta do disco analisado, correspondente ao sistema de gravação do interfone’.

O áudio capta o som da discagem das teclas 6 e 5 feita pelo porteiro, da casa de Ronnie Lessa.

Pela análise das vozes das gravações obtidas, os peritos afirmam ser possível identificar o porteiro que ligou pedindo autorização para a entrada de Lessa, quando definiram qual deles estava em serviço no momento. Não sendo o que mencionou o presidente em depoimento.

Mesmo sem se identificar, Lessa é citado no laudo como a voz masculina 2, por comparação com outros áudios, tom de voz, rispidez. Das 13 ligações comparadas, em quatro ele é chamado de Ronnie pelos porteiros que fazem a ligação para a casa.

6 comentários

  1. Mas assim? Imediatamente após morte quem poderia esclarecer sobre os assassinatos de Anderson e Mariele saem os laudos?

  2. Engraçado, parece que querem mais livrar a cara do mefistófoles do que descobrir o cabeça do crime….ou é apenas impressão minha?

  3. Os peritos afirmam que o áudio “possui características convergentes com a fala padrão coletada pelo porteiro Z, mais do que qualquer outro dos porteiros analisados”.

    Os peritos perceberam “jovialidade” e “energia” na fala deste porteiro, além de um jeito diferente dos demais de pronunciar “portaria”.

    https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/02/11/voz-que-liberou-entrada-de-acusado-de-matar-marielle-em-condominio-nao-e-do-porteiro-que-disse-ter-falado-com-bolsonaro-diz-laudo.ghtml

    À exceção do porteiro cuja voz liberou a entrada no condomínio de um dos envolvidos no assassinato da Marielle e do Andérson, todos os demais porteiros do referido Condomínio têm um jeito igual de pronunciar a palavra “portaria”?

    Foi o Porteiro Cebolinha que liberou a entrada, e não a Porteira Mônica.

    Que portaria, digo, que porcaria de perícia, hein…

  4. Complementando o comentário:
    A míRdia sempre o assunto com um incisivo “Bolsonaro estava em Brasília”…
    É inacreditável que, fora o GGN, ninguém na míRdia mencione o fato de que uma portaria pode acessar linhas externas em qualquer lugar. E tão valioso quanto gravações de voz (editáveis) seria o registro eletrônico das chamadas internas e externas do condomínio. Incluindo o equipamento do condomínio e a(s) linha(s) do ex-deputado mitológico. Sem investigar estas possibilidades (modelo de equipamento / pabx, sua programação e conteúdo, linhas telefônicas), tudo ainda se mantém em papo furado. Até que eliminem esta possibilidade.
    Se for o caso.

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