PGR retoma denúncia contra Blairo Maggi arquivada por Janot e Toffoli

Delação de Silval Barbosa traz indícios de que o atual ministro de Temer investiu R$ 4 milhões de propina para aposentar ministro do TCE-MT e empossar aliado
 

Foto: Planalto
 
Jornal GGN – A Procuradoria-Geral da República denunciou Blairo Maggi, o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do governo Temer, por participação em esquema de vendas de vagas no Tribunal de Contas do Mato Grosso (TCE-MT), em 2009, período em que comandava o governo do estado.
 
A investigação foi recuperada pela procuradora Raquel Dodge, uma vez que os indícios que envolviam Maggi no esquema deflagrado pela Operação Ararath, de 2013, já haviam sido arquivados há dois anos pelo ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que caiu como relator do caso.
 
O arquivamento por Toffoli foi feito pouco antes da saída de Rodrigo Janot da PGR. O então procurador-geral havia enviado uma manifestação a favor de arquivar o inquérito por supostamente não “alcançar prova razoavelmente efetiva e conclusiva de execução direta ou participação”.
 
Janot havia voltado atrás de uma investigação que apontava Maggi em esquema de lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva, por meio de uma instituição financeira que atuava sem autorização do Banco Central, servindo de fachada. 
 
O atual ministro de Temer e então governador de Mato Grosso teria se envolvido na compra de vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que fiscaliza os gastos do governo matogrossense. 
 
Mas Dodge acredita haver, agora, indícios suficientes para recuperar o caso. Isso porque desde que a Operação Ararath foi iniciada há cinco anos, mais de 50 inquéritos policiais foram abertos, apurando bancos clandestinos “de propina” no estado e organizações criminosas de alto escalão.
 
Uma delação premiada do então vice-governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, trouxe mais revelações. Sobre o ministro de Temer, a denúncia aponta que ele teria investido, pelo menos, R$ 4 milhões de propina para que um dos conselheiros do Tribunal se aposentasse para nomear um aliado.
 
“Os valores foram desviados da Assembleia Legislativa ou do Executivo por meio de estratégias como contratações simuladas de serviços que jamais foram prestados”, indicou a PGR.
 
A procuradora pede que Blairo Maggi perca a função pública, devolva os R$ 4 milhões que teriam sido desviados e pague multa a ser estipulada. Não mais nas mãos de Dias Toffoli, a decisão caberá ao ministro Luiz Fux, sorteado como o novo relator da investigação no Supremo.
 
Em resposta, o ministro diz que entranhou a abertura do caso novamente e sente “indignação”, considerando a decisão da PGR “uma violência contra a competência do ministro Dias Toffoli e desprestígio absoluto à autoridade de decisão já proferida pela 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal”, de arquivamento.
 
 
 

2 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

druida

- 2018-05-03 11:09:53

Merval Duas Caras ontem na inacreditável GloboNews

Pois é, ontem à noite Merval, com aquele costumeiro rosto de enfado, defendeu que não há provas contra Maggi...

antonio francisco

- 2018-05-03 08:45:01

Ao invés de R$ 4 milhões, R$ 12 milhões, diz Reuters

Reuters, segundo Yahoo:

Provas colhidas durante a investigação apontaram que houve pagamentos ao então conselheiro Alencar Soares Filho para que ele se aposentasse.

A medida foi efetivada em 2012 e permitiu a indicação do ex-deputado estadual Sérgio Ricardo de Almeida para a corte de contas. Em troca da aposentadoria, Alencar Soares teria aceitado propina em valores que podem chegar a 12 milhões de reais.

https://br.noticias.yahoo.com/pgr-denuncia-ministro-da-agricultura-blairo-maggi-por-173108845.html

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador