Rachadinha: 21 políticos são investigados, mas caso de Flávio Bolsonaro chama a atenção

São investigados 10 ex-deputados da Alerj e 11 que ainda têm mandatos pelo MP do Rio. Mas o filho de Bolsonaro tentou barrar apurações 9 vezes e seu caso se relaciona a de milícias no Rio

Ex-advogado e amigo da família Bolsonaro, Frederick Wassef - Reprodução

Jornal GGN – O esquema “rachadinha” investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ) não mira somente o primogênito do presidente, Flávio Bolsonaro, quando era deputado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Outros 20 políticos também estão entre os suspeitos de prática criminosa semelhante ao suposto esquema do gabinete de Flávio.

Em declaração à BBC News, o MP fluminense informou que pelo menos 10 autoridades, além do filho do presidente, já foram alvos de quebras de sigilo bancário e fiscal. E entre estes alvos, membros de rivais políticos de Flávio Bolsonaro, como os deputados André Ceciliano (PT) e Paulo Ramos (PDT) também foram investigados com a divulgação do relatório do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), detectando “movimentações atípicas” nas contas de funcionários da Alerj em 2016.

São dois órgãos do Ministério Público que apuram um total de 21 políticos. No Grupo de Atuação Especializada no Combate à Corrupção (Gaecc), 10 ex-deputados da Alerj são investigados, como é o caso de Flávio Bolsonaro, mas que teve o foro modificado por se tornar senador. E outros 11 procedimentos miram deputados estaduais que ainda mantêm mandatos na Assembleia Legislativa, tramitando no Grupo de Atribuição Originária Criminal da Procuradoria-Geral de Justiça (Gaocrim).

Os dois órgãos já obtiveram avanços nas investigações. Segundo o próprio MP informou à BBC News, o Gaocrim obteve o deferimento de 8 quebras de sigilo bancário e fiscal e o Gaecc 3 quebras de sigilo junto à Justiça.

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Mas o filho do presidente, Flávio, foi quem atuou diretamente para barrar o avanço das investigações. Desde 2018, foram pelo menos nove tentativas, no Tribunal de Justiça do Rio, no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal (STF), todas elas sem sucesso. Além disso, a ligação do hoje senador, da família Bolsonaro e Queiroz com lideranças de milícias cariocas, como Adriano da Nóbrega, morto em fevereiro durante uma operação policial para prendê-lo, chamou especial atenção dos investigadores.

De acordo com as investigações, o ex-assessor de gabinete, Fabrício Queiroz, que foi preso na última semana, usou empresas controladas por Adriano para lavar o dinheiro repassado no esquema da rachadinha, no gabinete do filho de Bolsonaro, à época. Adriano, por sua vez, é apontado como o líder da milícia Escritório do Crime, acusada de estar envolvida no assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018.

Os investigadores do MP do Rio ainda informam que, diferente de outras Operações como a Lava Jato, buscam manter a discrição e fugir dos holofotes e as diligências que apuram irregularidades nos gabinetes de 21 políticos do esquema rachadinha “continuam sendo realizadas sob sigilo”, escreveram à reportagem da BBC.

 

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2 comentários

  1. Nassif: superando essa do envolvimento de familiares do TenenteJair com os Milicianos cariocas, que de tanto ser negado garantiu a certeza, vamos além e de-monstrar que toda desgraça de Pindorama advem do manto sagrado com o qual os VerdeSauvas salvaguardam os corruptos e safados desta Nação. Esse mais que confirmado envolvimento já era sabido desde ha muito. Tenho pra mim que aquela intervenção no Rio foi exatamente pra abafar o caso, tipo cobrir o sol com peneira. E igual a esse parece haver centenas de outros. Você já se tocou que todos os dias os sabujos do PrincipeParisiense anunciam “investigação” de, no mínimo, 10 políticos e parlamentares meliantes? Já experimentou somá-los, nos últimos seis meses? Tente? E é só falcatrua atrás de falcatrua. O Profeta CharlesDeGaule jurava que “O Brasil não é sério”. E o visionário MillôrFernandes completava — “em Brasilia ninguém é culpado, pois todos são cúmplices”. Triste sina, até mesmo prum Quintal, como o nosso…

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