Se Temer é derrotado na CCJ, Rodrigo Maia ganha apoio uníssono

De fiel aliado, Rodrigo Maia se incomoda com pressões do governo e pode ser levado aceitar corrente dos que o veem como o sucessor ideal de Temer
 

Foto: EBC
 
Jornal GGN – A opção de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara dos Deputados, tem sido a de apresentar uma discreta institucionalidade. Mas enquanto avançam os rumores, dentro de um forte segmento da base aliada, de que ele é o perfeito substituto de Michel Temer, os receios do outro lado também aumentam e vozes do presidente vem cobrando de Maia a fidelidade a Temer. A reação não foi das mais bem vistas pelo próprio parlamentar, que até agora se dedicou a ser um dos mais fiéis seguidores do mandatário. 
 
Em uma semana, o discurso mudou. A pressão veio grande por boa parte da base aliada, na Câmara e no Senado, apostando no nome de Rodrigo Maia como o sucessor de Temer, em momentos em que a permanência do presidente se demonstra insustentável. A ideia foi endossada por antes apoiadores do mandatário, diante dos riscos de que uma queda de Temer geraria a morte de toda a estrutura atual de governo com a base no Congresso.
 
Já no setor de dissidentes, a figura mais forte atualmente é a de Renan Calheiros, líder da bancada do PMDB no Senado que pediu a renúncia, e aposta na opção Rodrigo Maia como o sucessor ideial para uma transição até as eleições de 2018. Em entrevista recente, atacou duramente Temer, afirmando que “ninguém aguenta mais o governo”. 
 
Assim foi o pós do encontro que Maia teve com Temer, neste domingo (09), motivado sobretudo por estes bastidores. Se na sexta-feira (07), o presidente da Câmara ressaltava a todos ouvidos a lealdade com o mandatário, em pouco mais de uma hora, no domingo, o incômodo passou a dominar as reações. 
 
De “eu aprendi em casa a ser leal, a ser correto e serei com o presidente Michel Temer sempre”, falado dois dias antes, em agenda internacional em Buenos Aires, na Argentina, passou a manifestar uma queixa de “injustiçado” e desconforme com as pressões do governo.
 
É que para o mandatário findar os rumores de que Maia poderia ser o novo presidente da República, a equipe de Temer pressionou para que o deputado tenha uma posição pró-ativa, retirando-o de seu institucionalismo discreto, enquanto boa parte de parlamentares apoiam o nome de Maia à sucessão presidencial.
 
O democrata teria reclamado do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, mostrando que não estava satisfeito com os pedidos. Por outro lado, manteve-se a favor de seu fiel líder, Michel Temer, com quem mantem uma relação pessoal. Não deu garantias, por outro lado, de que a denúncia que tramita na Câmara será votada antes do recesso parlamentar.
 
Na reunião de domingo, ministros e parlamentares refizeram os balanços, de quem garantiria a vitória de Temer na análise da denúncia na Comissão de Constituição e Justiça da Casa, impedindo que o caso sequer passe a ser processado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
 
O balanço pró-governo teria atingido 41 votos a favor de Michel Temer, conquistados graças a trocas que seriam feitas por partidos aliados, nos próximos dias. A informação da contagem é do Painel da Folha de S. Paulo, que não explicitou que tipo de “trocas” garantiriam a vitória do presidente.
 
Por outro lado, outra ala mais realista da base aliada soma apenas 30 apoios no colegiado. O resultado na CCJ é considerado importante para o governo porque traz o primeiro indicativo de como a denúncia será votada no Plenário da Câmara. É nesse momento, por exemplo, que uma derrota poderia provocar a debandada dos parlamentares da base que já admitem o possível fim do governo.
 
Para que o caso seja posto em pauta ainda antes do recesso parlamentar, a Lei de Diretrizes Orçamentárias não poderá ser votada e aprovada pelo Congresso, uma vez que enseguida os parlamentares entram em férias. 
 

4 comentários

  1. A posição de Maia

    Acho que o Maia devia enviar uma carta a Temer (convenientemente vazada para o chamado PIG e para a Globo) reclamando de injustiças por parte do Planalto, especiamente do Padilha, quanto ao seu papel estritamente institucional na atual conjuntura – e reclamando que o governo não tem se esforçado o suficiente para colocar ordem na casa e que se sente, além de injustiçado, à margem das articulações do Planalto no sentido de revigorar a economia e combater a corrupção – que poucas vezes foi de fato acionado para contribuir com o Presidente Temer, sentindo-se, assim, quase um acessório, uma peça decorativa nesses tempos sombrios que o  país atravessa. Dizendo, ainda mais, que o país não aguenta mais essa crise, que é hora de ações efetivas para tirar o país do verde-amarelo e colocar as coisas preto no branco, assim como as cores do Botafogo. E, claro, não se esquecer do “verba volant, scripta manent”. Amém.

  2. Inclusive do MPF (!)

    “DEMOCRACIA” À IRANIANA (!): O “BENEPLÁCITO” DOS PROCURADORES A RODRIGO MAIA

    Por Romulus

    Com uma mensagem aparentemente “contraditória” – (1) “Maia está livre de Cunha e da JBS”, mas (2) “está ~pendurado~ na Odebrecht” – os Procuradores dizem simplesmente que estão dispostos a sair do modo “guerra total”/ “tudo ou nada” em que se encontram.

    “Muito nobres”, resolvem fazer o primeiro gesto e propõem o armistício!

    A sequência lógica é que…

    – Deixam desde já o “convite” – na verdade, ~intimação~… – para… hmmm… “novas conversas”…

    – Já com o ~novo~ governo!

    Tomem nota:

    – Testemunhamos aqui o test drive da “democracia” (aspas!) à Iraniana no Brasil.

    Em que…

    – Cabe a Procuradores, em concurso com o Judiciário – e a Mídia!, dar o beneplácito a candidatos a candidatos à Presidência (!)

    Bem…

    Dar o beneplácito ou…

    – … vetar, né??

     

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