Segunda instância mantém indenização à família de Amarildo

Torturado e morto por policiais da UPP da Rocinha, não sobrou a Amarildo nem o direito de enterro digno; Procurador diz que estado irá recorrer 
 
Família do pedreiro Amarildo
Viúva de Amarildo ao lado dos filhos e do advogado. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
 
Jornal GGN – A família do pedreiro Amarildo de Souza, torturado até a morte em julho de 2013 por policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), na Rocinha, superou mais um obstáculo no processo que mantém contra o estado do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (28), o Tribunal de Justiça do estado (TJRJ) manteve, em segunda instância, o valor original de indenização estipulada no julgamento em primeira instância, em 2016. 
 
O procurador estadual Flávio Willeman disse que o estado irá recorrer da decisão, lembrando que ainda cabem recursos dentro do próprio TJ, além das instâncias superiores (Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal). 
 
Em 2016, a Justiça determinou a indenização de R$ 500 mil para a viúva, Elizabete Gomes da Silva, e cada um dos seis filhos do casal, além de R$ 100 mil para cada um dos quatro irmãos do pedreiro, além de uma pensão de dois salários mínimos mensais à esposa de Amarildo. A decisão foi ratificada por 4 dos 5 desembargadores do TJRJ, no julgamento que foi iniciado no dia 14, na 16ª Câmara Civil, e terminou ontem.
 
Para o advogado da família, João Tancredo, apesar de ainda caber recursos, o resultado foi comemorado. “Eu avalio de forma positiva. O caso Amarildo se distingue dos demais e, por isso, a indenização é diferenciada”, informou à reportagem da Agência Brasil, completando que até o momento a família não recebeu nada. Ele prevê mais dois anos para o desfecho do caso na justiça. 
 
Para dona Elizabete, o resultado na segunda instância foi satisfatório. “O caminho já está bem andado, mas o importante é os restos mortais, para a gente poder enterrar com dignidade. Fica uma sensação horrível, e isso não acaba para nossa família. Dinheiro nenhum vai trazer a vida de meu marido, mas eu quero que a Justiça seja feita. Que isso não aconteça com outros Amarildos, aqui e pelo Brasil”, respondeu.
 
Os desembargadores que votaram em favor da família de Amarildo foram Marco Aurélio Bezerra de Melo, Lindolpho Morais Marinho, Carlos José Martins Gomes e o presidente da turma, Mauro Dickstein. Este último destacou que o caso Amarildo é paradigmático:
 
“Estamos tratando de um caso de tortura e desaparecimento de um corpo. Este processo reflete a enfermidade que estamos vivendo. Da banalização da vida”.
 
O único desembargador que votou diferente dos demais, Eduardo Gusmão, sugeriu uma indenização menor, de R$ 300 mil à viúva e aos filhos, e de R$ 80 mil aos irmãos, argumentado que, em casos semelhantes, o estado foi condenado a pagar valores menores. 
 
*Com informações da Agência Brasil 
 

2 comentários

  1. QUEM MATOU A PM JULIANE EM SP?

    A mesma grande São Paulo, onde em 2 semanas, 3 meninos foram assassinados para que fossem roubados telefones celulares. Mas a volta da bárbarie pode ser permitir que o Cidadão tenha porte de armas. Quanto à indenização de Amarildo, TODOS os Brasileiros deveriam ter esta presteza e celeridade da Justiça e Poder Público Brasileiro.  

  2. Os últimos dias de branco.

    Preto Véio Dedé, pelo que se sabe, era mais preto que a noite e “mais véio que o tempo”, pensava ele.

    Herdara o ofício de seu pai na ferrovia, e desde moleque aprendera a martelar os cravos dos dormentes, e a lida com os sinais e chaves dos desvios…

    Função que se foi, assim como trem nesse país de caminhão virou memória ou coisa assombrada.

    Como Preto Véio Dedé…que vivia assombrado com as suas…morava em um barraco a beira de uma linha e um galpão de oficina da Ferrovia Leopoldina Railroad…

    Há muito tempo atrás, quando o Preto Véio arribava para a cidade atrás de rabo de saia em cada de moça dama, e entornava cachaça de parati como se água fosse, o Preto, como ele conta, “chegou no trabaio de carraspana”, errou um sinal, mexeu errado em um desvio e provocou um baita desastre de trens…desses que matam aos montes e aleijam tantos outros…

    Preto Véio Dedé só não foi linchado e morto porque sua fé e a providência lhe socorreram…

    O preto já manejava suas mandingas, curava erisipela, espinhela caída, rezava, “fazia uns trabaio”, coisa pouca, já havia feito a cabeça pr’o santo, e não descuidava das entidades “das missa de branco”…afinal, cercava pelos quatro lados.

    Mas nada que o levasse a fama que ganhou depois, de feiticeiro certeiro…infalível… 

    No dia depois do acidente, jogado em uma cela suja de uma cidade distante umas 30 léguas, pediu com todas as forças que tinha pela intervenção de Deus pai todo poderoso.

    Deus é justo, dizia ele.

    Preto Véio Dedé não queria perdão algum, pedia a Deus que o levasse, e se negava a fazer o serviço em suicídio, porque aprendera que Deus dá, Deus tira.

    Deus atendeu…quer dizer, mais ou menos.

    Mandou seu filho menos ilustre, mas não menos famoso…O Cramunhão das Profundas…

    Veio ver o Véio na pessoa de advogado…

    Preto Véio Dedé aprendeu naquele dia que o tinhoso “para ter com os homi”, também “se fez homi”, igual ao outro “fio” de deus que foi morto pelo próprio pai para salvar o mundo.

    O Cramunhão chegou de manso…Tirou o preto do xilindró, e com as artimanhas do Inferno absolveu o preto com o juiz, e como sentença fez todo mundo esquecer que o culpado de tudo era o Preto…

    Mas como tudo na vida e na morte, havia preço…

    Deus mandou o Cramunhão dizer a Dedé que ele ficaria vivo, e enquanto vivo fosse ia “trabaiá para o cão”…

    Foi assim que o preto virou feiticeiro, com a força dos Sete Exu-Capeta-Tranca-Rua, e não tinha um “trabaio que desse ruim”…

    Atendeu políticos, mulher traída, homem de negócio, vizinho maldoso, “muié” dama enciumada (essa é das pió, contava o preto)…

    Sempre “preguntava” a Deus como podia que a paga dele era aquele ofício, e Deus quando respondia lhe dizia: 

    Dedé, o mal é o sentido do bem, e o bem o sentido do mau…Matei um “fio” na cruz e não deu certo…Dei a eles uma Igreja e eles venderam ao coisa ruim, meu outro fio…

    Então resolvi deixar os “negócio da terra e dos homi nas mão de quem mió se entende com eles”…E de quebra, cada vez que o mefisto balança a cauda e arrasta o mundo em alguma tragédia, os “homi” lembra de mim e do meu filho morto na cruz…

    Dedé, com a ética dos pobres coitados, nunca se valeu das suas magias para enricar ou ganhar nada pra ele…Só atendia aos outros e não julgava o mal no coração dos “homi e das muié” que pediam, porque entendeu os desígnios santos de Deus-pai…

    Quase no fim de seu tempo, sabendo que era chegada a hora, Preto Véio Dedé veio ter com o diabo nas suas rezas, e lhe pediu uma última graça (ou desgraça, para alguns tantos)…

    Lúcifer topou, e imaginou que seria a hora de enganar o preto e levar a alma dele para baixo…O diabo imaginou que Dedé iria pedir para viver mais um pouco, como quase todo homem e mulher na derradeira hora, e nem se importam de vender a alma ao coisa ruim por mais alguns anos…

     

    Preto Véio Dedé sabia que o diabo não tinha os “podê da advinhação das ideia dos homi” quando ainda estavam na cachola, porque esse era um truque que Deus guardou só para Ele…

    Dedé sabia disso, e arquitetou seu plano…fez gemada de ovo de cobra, e bateu bem até o cheiro acabar e misturou com cachaça de alcaçuz e suco de guariroba…

    Esperou o demo, que sabia que vinha fantasiado de “homi”, como sempre…e como “homi” ele era fraco e mortal, como seu irmão da cruz…

    Armou a tocaia, e sabia que encarnado ele podia ser preso, e uma vez preso, ia pedir resgate…

    O demo chegou, e Preto Véio Dedé lhe serviu guisado de frango de leito e quiabo, e deu-lhe a beberagem…

    No ato que bebeu o demo caiu estrebuchando e quando Dedé lhe amarrou, eis que Deus-pai chegou, galopando as nuvens e com aquele pompa toda…cercado por uma milícia de anjos gabrieis fardados de PM…

    – Que qui’ocê qué Dedé?

    – Meu Pai todo poderoso, descurpa minha tramoia mas eu quero morrê hoje mermo, mas antes de morrê, eu quero lhe pedi:

    – Troca essa vida bandida dos preto, troca eles de lugá, pelo menos daqui prá frenti, trata eles como seu fio…trata eles como Vossuncê faz com os branco…

    Deus vendo que Dedé ia mesmo cortar a garganta do demo, e com isso desequilibrar toda ordem do Universo, atendeu o preto véio…

    E aquele foi o primeiro dia de preto…
     

    Nenhum Amarildo nunca mais sumiu nas favela…Não havia mais amarildos nas favelas…

    Os preto e as preta viraro sinhá e sinhô…

    Ê, ê, mizifio…

     

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