Terceiro inquérito contra Haddad por campanha de 2012 é arquivado por falta de provas

Denúncias de lavagem de dinheiro durante campanha para a Prefeitura de São Paulo foram baseadas em delações premiadas e documentos unilaterais

O ministro indicado para a Fazenda, Fernando Haddad, durante coletiva no CCBB. Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A 10ª Vara Criminal Federal de São Paulo pediu, na última quarta-feira (21), a o arquivamento da investigação policial por suposto caixa 2 contra o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), nas eleições municipais para prefeitura de São Paulo de 2012.

De acordo com a Justiça, não há fundamento para enviar à Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal os autos de um pedido de arquivamento de um inquérito policial contra o ex-prefeito. 

Instaurado em 2015, o inquérito apurava uma suposta lavagem de dinheiro em movimentações financeiras realizadas durante a campanha eleitoral de Haddad ao executivo da capital paulista. 

Na ocasião, o Ministério Público Federal (MPF) recebeu um um relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) a partir de delações de executivos da Odebrecht e dos publicitários João Santa e Mônica Moura.

Os delatores afirmaram que uma empresa de marketing teria recebido valores da campanha de Haddad que não foram declarados. 

Constatações

Depois de não conseguir chegar à justa causa e relacionar a campanha do petista à corrupção, o próprio MPF pediu o arquivamento do inquérito.  “A investigação não permite com segurança, quanto mais a se dizer, de maneira corroborada por provas para além de acordos, isolar e vincular pagamentos ilegais que sejam sem ambiguidade feitos à campanha objeto da presente investigação. Tanto assim, a se considerar apenas a materialidade do delito. Quanto à autoria, sua situação é ainda mais precária”. 

O órgão indicou ainda que as falas dos colaboradores, assim como os documentos unilaterais produzidos para o acordo de delação, são insuficientes para alicerçar uma punição para Haddad de qualquer modo. 

Já o juízo da 10ª Vara Federal informou que a investigação se prolongava ´por muito tempo, contudo sem “qualquer conclusão ou indicação razoável contra os investigados”.

Outras denúncias

A Justiça já deu outras posições favoráveis a Fernando Haddad, afastando as acusações de crimes na campanha eleitoral de 2012. Em 2019, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o arquivamento de ação penal instaurada a partir da delação de Ricardo Pessoa, da UTC. 

Dois anos depois, a delação de Léo Pinheiro não foi comprovada, fazendo com que o Ministério Público arquivasse outro inquérito contra o atual ministro da Fazenda. 

Em nota, a defesa de Fernando Haddad afirma que o arquivamento do inquérito policial é irretocável e faz justiça a Fernando Haddad, após longos anos de espera. 

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Camila Bezerra

Jornalista

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