Vídeo da prisão: Globo e promotores do Rio se associaram para a prática de crime, por Joaquim de Carvalho

Esta senhora, Eliza Fraga, deveria ser investigada.

do Diário do Centro do Mundo

Vídeo da prisão: Globo e promotores do Rio se associaram para a prática de crime

por Joaquim de Carvalho

Na semana passada, ao defender no Supremo Tribunal Federal, a anulação da sessão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que tirou da cadeia três deputados estaduais, a procuradora-geral Raquel Dodge disse que o Estado se tornou uma terra sem lei.

Dodge não está totalmente errada. Como mostrou o Fantástico deste domingo, as leis estão sendo desrepeitadas em horário nobre, diante de grande audiência, no Estado do Rio de Janeiro.

 
Qual a importância de mostrar que a ex-governadora Rosinha Matheus e a ex-primeira-dama Adriana Ancelmo dividem a mesma cela e não ficam perto uma da outra porque seriam inimigas?

Qual o sentido de mostrar que o milionário Jacob Barata Filho come queijos importados ou que Sérgio Cabral incorporou à refeição camarões que mandou trazer de casa?

O preso pode se alimentar de comida de fora do presídio, desde que passe por inspeção. É o chamado jumbo, que toda família leva para parente preso, seja rico ou pobre. Se rico, como Barata, natural que leve algo acima da média.

A comida dos presos é rejeitada por todos que podem comer algo melhor.

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Quando eu fazia reportagem para uma emissora de TV, vi algumas crianças na porta de uma delegacia do Jaçanã, bairro de São Paulo, onde havia carceragem. Elas esperavam pelas marmitex que eram rejeitadas pelos presos.

Não existe surpresa nem ilegalidade no fato de presos se alimentarem com comida que seja de fora do presídio.

Por que, então, as imagens foram divulgadas?

Melhor: por que as imagens foram feitas, no sistema de 360 graus, como o Fantástico usa em programas especiais?

Será que algum promotor tem o equipamento em casa? Ou estaria ali a serviço de uma rede de televisão.

A Constituição protege o cidadão em seu direito à privacidade e intimidade, em dois incisos do Artigo 5o.:

V – É assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

X – São invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.

Alguém poderia objetar que são presos, não merecem essa proteção constitucional. Errado. O Código Penal é explícito, no artigo 38, a respeito do tema:

O preso conserva todos os direitos não atingidos pela perda da liberdade, impondo-se a todas as autoridades o respeito à sua integridade física e moral.

Nos estertores da ditadura militar, no início da década de 80, o Brasil aprovou a Lei de Execuções Penais, considerada por juristas como exemplar no respeito aos direitos.

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O artigo 41 é explícito ao proibir atitudes como as perpetradas pelo Ministério Público em conluio com a Globo:

Artigo 41 — Constituem direitos do preso:

VIII – proteção contra qualquer forma de sensacionalismo.

Ao exibir a reportagem, a Globo tem motivo além da busca por audiência: vingar-se de Garotinho — e, por tabela, atingir sua mulher.

O ex-governador não perde nenhuma oportunidade em que possa cobrar da emissora resposta para os casos em que ela é acusada de sonegação e corrupção.

Recentemente, Garotinho gravou um vídeo para falar da necessidade de investigar a emissora pela acusação de que pagou propina para obter os direitos de transmissão da Copa do Mundo.

O ex-governador também protagonizou uma cena antológica ao dizer, numa entrevista ao vivo na Globo, que a empresa foi condenada pela Receita Federal por crime contra a ordem tributária, por sonegar impostos — na verdade, não foi a Globo acusada como pessoa jurídica, foram os próprios donos da Globo, Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho.

Há, portanto, razões para a Globo ter ódio de Garotinho. Ainda assim, não poderia usar a emissora — uma concessão do Estado —, para vingança.

Mas e o Ministério Público? O que explica sua participação no que pode ser descrito como crime?

Subserviência, vontade de aparecer, inépcia?

Não importa. Se o Brasil fosse uma democracia ou um país minimamente civilizado, teria que investigar os promotores, que agiram não em defesa do interesse público.

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Seria uma atitude de higiene institucional investigar, primeiramente, a senhora Eliza Fraga, coordenadora de Segurança e Inteligência do Ministério Público.

Foi ela quem deu entrevista para explicar as imagens do vídeo.

Essa comentarista é, portanto, a primeira suspeita de autorizar ou gravar as imagens, e depois divulgá-las.

 

Imagem do vídeo, com Rosinha e Adriana distantes uma das outras

 

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15 comentários

  1. Ora meu caro Joaquim,eles

    Ora meu caro Joaquim,eles vazam a troco de grana,um emprego para um parente ou aderente,ou por que são descarados mesmos.

  2. Não é sem razão …

    Que todos os brasileiros, seja quem for, em que instituição trabalhe, é sempre intimidado por essa rede sem nenhum escrúpulo. Ela possui e usa o que pode e o que não pode para acabar com a vida de qualquer um que atravesse seu caminho . Dita as regras suas para todos os brasileiros.

    Maldita seja !

  3. Suma injúria!
     

    Todo mundo, mas todo mundo mesmo, tem direito à dignidade.

    Até o mais abjeto dos seres, sendo desrespeitado em sua dignidade, desrespeita a todos os que vêem sofrendo essa violência.

    Senti-mos desrespeitados quando vemos um chefe de estado caçado como um animal, uma criança explodida por uma bomba numa guerra injusta, pessoas presas pelos pés como galinhas na feira  (de minha parte a mim desrespeita ver também galinhas presas na feira à espera do abate).

    Isso não pode ser “reportagem”, “informação”,  “notícia”, “jornalismo”.

    Isso é um escárnio!

    O que diferencia a globo do bandido que faz justiça em tribunal próprio?

    O que tem diferenciado os tribunais públicos dos tribunais particulares dos bandidos que fazem justiça própria?

    Ambos têm laborado em iniquidade.

    Tenho acordado acreditando cada vez  menos que estou no mesmo planeta.

     

  4. se os presos não autorizaram…

    ficamos com o que é proibido em lei

    Súmula 403 deixa bem claro que é crime o uso não autorizado da imagem de pessoa com fins econômicos

    ou comerciais……………………..no caso com fins políticos, e Globo não é partido político

    em tese temos o trabalho forçado, uso indevido de presos com lesão direta da dignidade humana

  5. e ainda há os que até hoje procuram descobrir…

    quem realmenta manda no MPF

    podem escrever aí: tempo virá em que escolherão presos para levar para suas casas para torturar

    passarão  ser de propiedade particular

  6. Falta de mobilização e de
    Falta de mobilização e de criar comitês anti golpe e anti fascismos.
    Juntem umas 15 mil pessoas e invadam o MPE e a rede Globo!
    Invadir e tirar do ar, ocupar o espaço é mantê-lo ocupado até a serem punidos esses fascistas abusadores do MP é essa globo ser punida e cassada. Se nada for feito é quebrar tudo e tocar fogo.
    Destruir e queimar o que é lixo e não presta, e a é #Globolixo.

  7. Tudo pela audiência …

    No mínimo, estranho que os suprasumos das intilijências não saibam o que se sucederá depois do “furo jornalístico”.

    Fica no ar uma leve impressão, desconfiança, de que os divulgadores estejam fazendo o jogo do(s) acusado(s). Uma coisa de facilitadores, o levantador do volei, o meio de campo ….

    Não é possível que não se apercebam que estão fornecendo de bandeja os argumentos para as respectivas defesas.

    Pode ser que não mas, é dificil de acreditar que não saibam.

    Alguem lembra porque uma tal operação Satiagraha não deu em nada ?

  8. Claro, claro…

    … mas, voltando à vaca fria, como vão as investigações sobre a Globo a respeito da “exclusividade” dos jogos da selessão, dentre outras coisas?

     

  9. Há um flagrante preconceito

    Há um flagrante preconceito da Justiça na prisão de Adriana Ancelmo e Rosinha Garotinho. O mesmo preconceito que se manifestou no golpe contra Dilma Rousseff. Mulheres que participaram ativamente da vida política entre 2003 e 2016, agora alijadas do debate eleitoral. Pensem nisso.

  10. Infame, vil, criminosa, essa

    Infame, vil, criminosa, essa parceria formada entre a Globo e o Ministério Público com o propósito de destruir inimigos políticos.

    Da Globo tudo se pode esperar. Ai daqueles que ousam atravessar seu caminho. Agora, como admitir que o Ministério Público, a instituição que tem por dever a defesa da Ordem Jurídica, do Regime Democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis se associe nessa empreitada ilegal e desonrosa?

    Pessoas presas não perdem seus direitos fundamentais previstos no Art. 5º da CF. Um dos maiores avanços do dito processo civilizatório foi deixar indisponíveis em qualquer tempo e circunstâncias a dignidade humana.

  11. No tempo em que o Cabral

    No tempo em que o Cabral reinava no Rio, qualquer representação ou pedido de investigação contra o ex-governador, ainda que embasado em provas, era sumariamente arquivado pelo ministério público estadual. As poucas coisas que avançaram no Rio contra Cabral foram ações populares movidas por particulares. Agora, que está preso e execrado, o mp do Rio se presta a urinar no leão morto. Quanta coragem…

  12. + comentários

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