3 de janeiro de 1898, por Romério Rômulo

nascido, prestes conta as dores dos desiguais na vida, dos sedentos, dos famintos de esperança e trato.

3 de janeiro de 1898

por Romério Rômulo

1.
pois saibam, meninos, hoje
luis carlos vai nascer.

2.
nascido, prestes conta as dores
dos desiguais na vida, dos sedentos,
dos famintos de esperança e trato.
sua luz do olho vê, em cada passo
o refazer das manhãs de um país.

tumultos são contidos nestas mãos
que só revelam sua face justa
quando umas forças violentas pulsam
no lá fora da vida desmontada.

quantos dentes nos faltam nos limites
da grande pindorama que nos coube?
quantos calos nos sobram nas montagens
de umas lavouras que enriquecem ricos?

por tudo se revela cavaleiro
da esperança em mãos que o contêm
na forma que conter um corpo é
estar liberto das amarras podres.

“eu sou aquele, cavalo e cavaleiro,
que foi montado na rede do patrão
e só tocou riqueza pelas mãos
do fazer contínuo, sem podê-las.

eu sou aquele, cavalo e cavaleiro
que se move no travo do país
arrancando da terra uma raiz
que será alimento permanente.”

(do livro inédito “carlos, carlos & manuel”)

romério rômulo

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