A casa do meu silêncio, por Romério Rômulo

É nela que encontro sempre / a minha água mais limpa / É nela que enterro sempre / o meu poema mais sujo.

A casa do meu silêncio

por Romério Rômulo

1.
A casa virá
em água barrenta
com teto e tormenta
a casa virá

No piso mais duro
no fio do espinho
no olho do escuro
no amargo do vinho.
2.
A minha casa de magma
é toda ela de noite
e num pedaço de açoite
me vinga a força da légua.

Na casa que não me aguenta
eu sou um véu de tormenta
certeiro, visgo, placenta
de um dia que não virá.

A casa nem corre mais
na minha lágrima surda.
A casa só anda agora
numa estrada que me cerca.
3.
É nela que encontro sempre
a minha água mais limpa
É nela que enterro sempre
o meu poema mais sujo.

Véus escuros e soberbos
que bebem a minha calma:
Esta casa é minha alma:
a casa do meu silêncio.

Romério Rômulo

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