A Lava Jato de Mário Palmério, por Jota A. Botelho

por Jota A. Botelho

MÁRIO PALMÉRIO descreve no seu segundo romance, Chapadão do Bugre, um enfrentamento político marcado pelo ódio e pela vingança ocorrido no Brasil no começo do século passado como se fosse uma Lava Jato da época e que terminou num verdadeiro banho de sangue. 

https://www.youtube.com/watch?v=lekEzfQugS8 align:center]


CHAPADÃO DO BUGRE, o segundo romance de Palmério, foi inspirado numa história real e cheia de controvérsias ocorrida no interior de Minas Gerais no início do século, fato que não seria relevante se o povo da cidade em que tudo ocorreu não acabasse por eleger a obra de Palmério como a mais original das versões sobre o episódio. Ocorrida em Passos (MG), época de coronéis e jagunços, de se lavar a alma com sangue, mandatários de terras e do poder político pelo voto de cabresto, com carabinas (papo amarelo) e parabelos (parabellum) nas mãos. É nesse clima, com letras de fogo que Mário Palmério forja uma monumental e trágica história de um cavaleiro solitário do sertão brasileiro, José de Arimatéia, sujeito bom, de pouca prosa, muito reservado, dentista ambulante, enrabichado por Maria do Carmo, que vaga por uma terra adubada com sangue, onde florescem a intolerância, a violência e a crueldade. Como nas tragédias clássicas, o destino brinca com vidas humanas, e conflitos sucessivos jogam uns contra outros, num vendaval de violência e morte do qual nem os poderosos chefes políticos do lugar são protegidos. Mas como toda obra de ficção nem sempre o real corresponde com a imaginação do autor, Mário Palmério acabou quase sendo premonitório com a sua Lava Jato da época. Subtraindo as tramas que envolvem todo o romance, extraímos aqui os trechos que antecedem o final da obra que nos levaram a fazer uma breve associação, salvo medidas proporções, é claro, com o momento político atual que estamos vivendo no Brasil. No entanto, as similitudes se apresentam diante de nós como a presença de um Juiz de Direito de Comarca (Dr. Damasceno Soares), um Chefe da Força Tarefa (Capitão Eucaristo Rosa, Comandante do Destacamento Especial de Capturas do Estado), um Grupo de Políticos detentores de todos os privilégios no município (Coronéis e chefes de jagunços ligados a Americão Barbosa) e uma população apática e inerte diante do descaso e dos abusos que se estendia por toda administração pública, como nos são revelados em inúmeras passagens do romance, sobretudo no cumprimento da justiça em conformidade com a legalidade. 

TRECHOS ESCOLHIDOS – A MATANÇA NO FÓRUM 

(…) Acostumado a levantar-se cedo e ir logo ao Forum, Seu Juca Meirinho ali chegou pouco antes das sete da manhã, malgrado o frio e a ausência do Juiz de Direito.
      Sabia da reunião marcada para as oito horas entregara, na véspera, por ordem do Dr. Damasceno, a chave da porta de entrada do sobrado ao Sargento-Ordenança e desejava, agora, pôr-se à disposição do delegado militar. Abriria o café do vão da escada e, vez ou outra, acharia desculpa para ir até o andar de cima, conforme recomendara o doutor, a fim de verificar se não tentavam fuçar pelo quartinho fechado, cheio de roupas e outras coisas particulares, além de tanto livro e papelada.
    A porta estava aberta, de sentinela embalada. Mais velho que o sobrado era o Juca Meirinho varredor e cafeteiro no antigo Forum, e já rapazote e já taludo, quando da construção e instalação do novo o prédio acabou como por ser casa, coisa sua, e o oficial de justiça foi entrando, distraído, pensando no café do Capitão e das outras pessoas por chegar.
     Alto! o cavalariano atravessou-lhe o passo.
    Assustado com o berro, a feia catadura e a declarada má-inclinação da sentinela a fera estava armada de máuser, sabre e mosquetão, as cartucheiras pesadas de tanta bala mal pôde o Juca Meirinho gaguejar:
     Mas eu sou o oficial de justiça… O doutor… O Doutor Juiz de Direito…
     Aqui não tem juiz de direito nenhum! O Forum ’tá requisitado. Se arretire!
    O jeito era afastar-se, como ordenava o soldado, e foi o que fez o Juca, sem abrir mais a boca, cruzando a Praça e indo postar-se na esquina da confeitaria. Quando aparecesse o Capitão reclamasse o café, que viessem ali chamá-lo… E, se o homem azedasse, paciência!: o volantezinho malcriado da porta do Forum, então, que ouvisse…
  Erguia-se a manhã, ainda fria e nevoenta, e principiava a encher-se o Largo das Mercês. Abriam-se as portas da Confeitaria do Cucute, as das lojas e outras casas de negócio abriam-se as janelas dos sobrados que davam para a Praça. Iam e vinham as normalistas descia dos altos o povo do comércio, subiam os que voltavam do Mercado.
Encostava-se ao ponto o primeiro carro-de-praça, quando o relógio da Matriz deu as sete horas, e começou a apitar a serraria-carpintaria do Seu Costinha da Força-de-Luz, lá no Alto da Estação.
   Mais um dia! pensava o Juca Meirinho, de pé na esquina, curtindo a mágoa causada pelos gritos da sentinela. Felizmente, porém, o Governo já havia mandado chamar, com urgência, o doutor… Seu Polinésio da Estação falara, muito em segredo, na véspera, depois que partira o Dr. Damasceno, sobre um telegrama do Dr. Tancredinho para o pai, o Coronel Americão: as coisas, na Capital, corriam bem, pois o rapaz se declarava muito satisfeito… Decerto a viagem o Dr. Damasceno Soares era para fecharem, por lá, algum acordo, acertarem tudo com o Coronel Americão, mandarem embora o Capitão Eucaristo e a soldadesca dele…
   Sim concordava com Seu Polinésio da Estação o Juca Meirinho o Dr. Damasceno, pessoa tão religiosa, não podia estar apoiando, no íntimo, as barbaridades da Captura: o Dr. Jojoca, coitado criatura tão alegre, um mão-aberta, brincalhão… O inofensivo do Quincota, esse, o mal dele era somente aquela mania de futricar, meter a colherzinha-torta onde não devia…       Que limpassem a cidade do banditismo, que se pusesse um freio aos abusos do Coronel Americão Barbosa… havia mesmo necessidade de um pouco mais de energia por parte do Governo…; mas sem tanta malvadeza e violência! Prenderem o Clodulfo era merecido: culpado de tudo, o alma-negra de Santana do Boqueirão, o espírito-mau que atuava na sombra… Sim. Precisavam de acabar com tanto crime, tanta jagunçada: não passava uma semana sem nova façanha da quadrilha do Cludolfo: a última Santana do Boqueirão inteirinha já sabia dela a história do José de Arimatéia em Campanário…
  Passou pela esquina o Xico das Moças murchozinho, as mãos cruzadas nas costas, olhando pro chão, parecia até que falando sozinho. Oito filhas-mulheres, o azarado! E todas solteiras ainda… Decerto nem dormir ele não podia mais, com o fechamento da Lotérica… Viver, agora, de que, o pobre do Seu Xico? Sustentar de que maneira a mulherada em casa, se a única ocupação que sabia ele desempenhar era vender bilhete e encher talão de bicho?
  Chegou à esquina Seu Lamartine da Farmácia, o Brasilino da Tinturaria, o Aracífico da Gráfica. De charrete, passou o Zé da Vó, carregado de menino, vindo da chácara, com certeza. Outro que perdera a minazinha, o Zé da Vó: o ponto mais movimentado do centro da cidade, o invejado Elefante de Ouro, com mais de vinte cambistas… Além do bicho, o víspora, e mais o buzo e o jaburu nos fundos…
  Deus havia de ajudar porém suspirou o Juca Meirinho. O Dr. Damasceno acharia jeito de normalizar, na Capital, a ruim situação, deixar, pelo menos, aberto o jogo… Ali estava ele sim, ele também, Seu Juca Meirinho do Forum com um rombo danado na feriazinha… Brincando, brincando, eram lá os seus oitenta, os seus cem-mil-réis o que rendia, em comissão, e todo mês, o talãozinho dos advogados e do pessoal aos cartórios justo o que pagava do aluguel de casa.
  Os primeiros a chegar passava pouco das sete-e-meia foram o Capitão Eucaristo Rosa e o Sargento Hermenegildo. De passo descansado atravessaram pelo meio do Largo sem se deterem na esquina ou na confeitaria e entraram logo no Forum.
  A notícia da reunião correra pela cidade, e começava a juntar mais gente na Praça, nas portas das casas de comércio, nas janelas. Próximos do Forum, na calçada, a porção de cavalarianos do Destacamento de Capturas, armados e municiados fartamente se via pelas cartucheiras estufadas, pendentes dos cinturões.
  Demonstração de força era o comentário geral. Maneira d’o Capitão Eucaristo obrigar o Coronel Americão a ceder a tudo, sujeitar-se por completo às imposições, entregar à Captura os jagunços que faltavam. Todos já estavam a par das boas notícias mandadas ao pai pelo Dr. Tancredinho, e do telegrama, também, chamando o Juiz de Direito. Não demoraria a ordem para que a Captura se retirasse de Santana do Boqueirão. E o Capitão Eucaristo aproveitava o pouco tempo que lhe restava: iria embora, iria, mas depois de dobrar a arrogância do Coronel Americão, deixar o chefão de Santana humilhado, desmoralizado por completo…
  Cederia o Coronel? Afinaria frente ao aparato da Captura e às ameaças do Capitão? perguntavam, a si mesmos e uns aos outros, os santanhenses reunidos no Largo das Mercês, parados de curiosidade e expectativa.
  Não eram ainda as oito horas quando apontaram na esquina do alto da Praça certamente que vindos da casa do Coronel Américo Barbosa, concentrados ali, primeiramente os chefes do Diretório convocados pelo Capitão Eucaristo Rosa. Quase todos, ausente do grupo apenas Seu Valério Garcia, o Delegado Municipal. Na frente, os principais: o Coronel Americão e o   Coronel Calixtrato, este de bengala e chapéu-panamá, emproadão e pedante como sempre. Atrás, os outros três: o Major Hipólito, Seu Josué Malaquias e o Coronel Ludgero Alves.
 Desciam o Largo pela calçada da Força-e-Luz, atravessavam-no junto ao ponto dos carros-de-praça, passaram pelos soldados espalhados nas imediações do Forum. Entraram no sobrado como se em um daqueles dias de eleição, na hora de encerrá-la, lavrarem as atas e combinarem o foguetório, a passeata… alguém se lembrou. Sim, apenas os chefes do                 Diretório do Coronel Américo Barbosa podiam, nessas ocasiões, entrar no edifício guardado pelos jagunços de carabina: a oposição que esperasse do lado de fora, se estrebuchando de raiva, ciente já do resultado…
 À porta do sobrado, a sentinela; dentro, no saguão dos cartórios e ao pé da escada, outro volante um cabo, embalado também. Ninguém mais.
  Podem subir… o Cabo Zeca Branco disse. O Capitão já ’tá esperando lá em cima.
  Subiram os dois lances da escadaria. No topo, à porta do salão de júri, o Sargento Hermenegildo:
 Os senhores entrem… Vou avisar o Capitão Comandante… Mas, ’tá faltando um…
 Seu Valério Garcia já deve de ’tar chegando o coronel Americão disse. Mandou me avisar que vinha direto pr’aqui… Ele mora logo em frente, na esquina da igreja…
 Os cinco assentaram-se em torno da mesinha onde o Juiz de Direito costumava presidir às audiências e ouvir as testemunhas. O Sargento apressou-se em vir avisar o Capitão da chegada do coronel e companheiros. O Delegado Especial Militar estava no gabinete reservado, do Doutor Juiz de Direito o Sargento Hermenegildo explicara, antes de deixar o salão.
   Demorou-se, porém, muito pouco, voltando com a ordem do Capitão Eucaristo:
   O Capitão Comandante quer falar primeiro com o Coronel Américo Barbosa… Em particular…
Vazio o corredor, apenas mais outra sentinela um praçazinho miúdo, preto tal qual o Sargento Hermenegildo , essa colocada junto à porta fechada do gabinete do Juiz o Coronel Américo Barbosa observou, enquanto caminhava seguido do Ordenança. O soldadinho entreabriu a porta, esperou que o coronel entrasse, espremido, por ela, e fechou-a novamente. O     Sargento voltou ao salão de júri.
  Correram alguns minutos. A sentinela foi então quem veio chamar:
  É para ir também o Coronel Calixtrato.
  Me acompanhe! ríspido, feio, o Sargento Hermenegildo ordenou.
 Lá se foi também, chapéu-panamá e bengalão nas mãos, escoltado pelo Ordenança, o Coronel Calixtrato Barbosa. A sentinela abriu-lhe meia porta repetiu a cerimônia e o Agente Executivo de Santana do Boqueirão entrou na saleta do fundo do corredor.
  Nesse meio-tempo, o Coronel Ludgero Alves, incomodado com a demora do Valério Garcia já havia dado as oito horas o relógio da Matriz levantara-se e fora até a uma das janelas do sobrado para olhar o Largo. Espiou, primeiro, para o relógio cinco minutos já de atraso! e avistou, em seguida, o Valério que cruzara o jardim, apressado, pelos lados do coreto
 O Coronel Ludugero! chamou, alto, da porta do salão, o Sargento Hermenegildo, depois de receber outro recado da sentinela. Me acompanhe!
 Tratados que nem menino de escola!… mal se continha, remoendo o ódio, o velho Coronel Ludugero Alves. Fazendo chamada, o atrevidaço do Capitão, e por um crioulão boçal daqueles…
  Mas deixou a janela e acompanhou o Ordenança pelo corredor. Chegados à porta fechada do gabinete do Juiz de Direito, a sentinela levou a mão à maçaneta.
 Foi quando o Coronel Ludgero Alves viu então: debaixo da porta, infiltrando-se pela fresta rente ao assoalho, a coisa começava a escorrer sobre as tábuas larga e grossa, e vermelha bicazinha… Sangue! o velho, de instantâneo, tudo percebeu: o Americão, o Calixtrato!… Num arranco inesperado para trás, conseguiu esgueirar-se por entre o sargento e a sentinela, e tropegar rumo à escadaria: ’tão matando a gente! ’tão matando! o Coronel Ludgero disparou a gritar que nem um alucinado.
 Mas não conseguiu alcançar nem o fim do primeiro lance da escada, lento de pernas, idoso demais para vencer os degraus estreitos e quase a pique. Alcançado pela linda pontaria do Sargento Hermenegildo, caiu por ali mesmo, picado pela rajada seca dos terríveis tiros curtos, de aço, de pistola-máuser.
 Logo ao primeiro grito do Coronel Ludgero Alves, muitas portas, até então fechadas, se escancararam, ali por dentro do casarão do Forum. Do gabinete reservado, onde haviam sido massacrados os coronéis Americão e Calixtrato, saíram três cavalarianos, mascarados de sangue, machadinha em punho um deles o Cabo Salvador, o que, trepado na cadeira colocada atrás da porta, fora incumbido de golpear, em primeiro e na cabeça, à medida que entravam os condenados ao abate, conduzidos um por um pelo Sargento Hermenegildo. O Capitão Eucaristo Rosa, esse rompeu, carabina engatilhada, do banheiro pegado ao quarto de dormir do Juiz de Direito, na outra ponta do corredor. Da saleta dos advogados, vizinha ao salão do júri, do cômodo ao lado da escadaria depósito da papelada velha dos cartórios das sentinas do andar de baixo, do café de Seu Juca Meirinho… de todos os cantos e desvãos saltaram os volantes da Captura, açulados mais ainda pelos tiros da pistola do Ordenança.
 Encantoados no salão, restava ao Major Hipólito e ao Josué Malaquias apenas a janela aberta pelo Coronel Ludgero, na hora em que fora ele olhar as horas e a Praça, preocupado com o atraso de Seu Valério. Para ela arremeteram-se os dois.
 Das sacadas dos outros sobrados da Praça, das esquinas e calçadas, viram-nos tentar a escapada… a desesperada proeza de quererem galgar o peitoril, montá-lo, atirarem-se janela abaixo. Os pobres: velhos, encarangados de juntas… Muita gente assistiu aos dois como que a lutar um com o outro, se atrapalharem, se espremerem… enquanto, de dentro do sobradão, recomeçavam os tiros, rápidos, repetidos. Sim, venceram o parapeito da janela, galgaram-no sim, o Josué Malaquias e o Major Hipólito: transpuseram-no, precipitaram-se daquela altura… mas alçados e empurrados, depois de fuzilados pelas costas, arrojados fora pelos soldados lá de cima, para virem espatifar-se na calçada de pedras do Largo das Mercês.
 Seu Valério Garcia tudo presenciou, parado no meio do Largo, estupidificado, como que estuporado da cabeça aos pés. Somente se mexeu para cair, derrubado por um balaço vindo dos altos do Forum um coice de burro, de veloz, certeiro e rijo que o atingiu na boca do estômago, quase que no centro exato da cintura.
 Ocupar toda a praça fronteira ao Forum, guarnecer os cantos do jardim, as esquinas do Largo, evacuar, limpar completamente as imediações do Forum, isso foi obra de instantes para o treinado e ágil Segundo Destacamento do Capitão Eucaristo Rosa.
  Quando o oficial desceu o degrau de entrada do sobrado, acompanhado do Sargento Hermenegildo, muitos santanhenses lograram vê-lo, uns através de frestas de janelas, outros por debaixo das mesas ou amoitados atrás do balcão da Confeitaria do Cucute. E ouvi-lo berrar para alguns volantes da Captura que se abeiravam dos corpos estendidos no paralelepípedo e lajes da calçada:
  Se afastem! Entrem em forma! Os parentes que tomem conta!
Muitos, muitos anos depois, e Seu Valério Garcia ainda contava, para quem quisesse ouvir, como escapara à chacina de catorze de maio, em Santana do Boqueirão:
 Foi Seu Genésio, atacadista de pinga e rapadura, quem me segurou em casa, desde manhã cedo, fecha-não-fecha a compra da safra do Pinhém daquele ano. Se aproveitava, o velhaco, da minha pressa, mo’de a reunião… Me atrasou, acabou levando um vantajão no negócio, mas me salvou a vida, o Seu Genésio…
 E também mostrava, para quem quisesse ver, o relógio de algibeira um patacão de ouro, pateque, redondão e grosso com a bala de carabina, de chumbo, encravada bem no centro:
Parece até milagre, mas o soldado chegou a me enfiar o pé por debaixo do pescoço… Eu ’tava de bruço’, e ele ia começando a me desvirar, no chão, a ponta de bota… Na horinha em que o Capitão Eucaristo gritou aquela abençoada ordem! (…)
(Chapadão do Bugre, Capítulo 40, 1965, do site Uniube)
***

O Mito da Matança do Fórum
Os Passenses contam a história da Matança no Fórum.
https://www.youtube.com/watch?v=Qxa6hV8Di_0 align:center]

Venceslau Brás, de Passos para Presidente do Brasil
Venceslau Brás, Governador do Estado de Minas Gerais e responsável à época pela chamada Matança no Fórum, torna-se Presidente do Brasil, no período de 1914-1918, cinco anos após o falecimento de seu inimigo mortal em Passos, o Coronel Neca Medeiros, sendo o sucessor do Marechal Hermes da Fonseca (1910-1914).
https://www.youtube.com/watch?v=BSyrmrhG_ak align:center]

O Mito Mário Palmério – I
Depoimento do Prof. André Azevedo da Fonseca sobre Mário Palmério e a construção de seu mito.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=EpLVgiCyTEg align:center

O Mito Mário Palmério – II
Reportagem sobre a realização do filme Vila dos Confins, pelo cineasta mineiro de Ituiutaba João Batista Andrade (links abaixo), no distrito do Desemboque, pertencente à cidade de Sacramento/MG, e trechos de comentários do Prof. André Azevedo da Fonseca sobre seu livro A construção do Mito Mário Palmério. Links: GrupoTÃO / Minas no Foco / ETNews
[video:https://www.youtube.com/watch?v=deR22pm8HhI align:center

Aproveitando o gancho da realização do filme Vila dos Confins nas terras do Desemboque, rendo uma homenagem ao meu amigo de copo e prosa, que tem anos que nunca mais tive notícias, xará do Mário Palmério, o uberabense Prof. Mário Edson Ferreira Andrade, formado em Filosofia, poeta, contista e ensaísta, que presenteou-me com seus escritos e agora encontrado em meus achados & perdidos este belo poema do Desemboque:

POEMA DO DESEMBOQUE – I

Entre a serra o tempo espia
Histórias bem guardadas
Nos corpos das casas frias
De adobe, cal e nada
Homens de nostalgias
Chapadão, céu e serra
Um rio que principia
Desemboca e leva a vida
**
Igrejas mortas de branco
Túmulos floridos de dracenas
Um sino que dobra fino
No andar de um cavalo manco
Bateias lavando lembranças
Esperanças de olhos vazios
Sombras que nas andanças
Sobem e descem o rio
**
Assa-peixes e malícias
O roxo das quaresmeiras
O ouro em pó de aluvião
Dourando as ribanceiras
De olhos grandes o menino
Ouvi o que vai contar
Da vida esse faz de conta
Sem conta nunca prestar
**
No Chapadão do Zagaia
Um mulato alto e forte 
Matava por qualquer sorte
Pelo que trouxesse na tralha
Depois arrastava o corpo
Para o Ribeirão da Parida
Onde os ossos pouco a pouco
Se igualavam à ribanceira
**
Um dia terá histórias
De quem nem conheceu
Terá saudade guardada
Dum tempo que nem viveu
Nos corpos das casas frias
Chapadão, céu e serra
Um rio que principia
Desemboca e leva a vida.
**** 

Finalizamos aqui com uma bela canção de Mário Palmério

Saudade, canção de Mário Palmério
Composição de Mário Palmério quando exercia o cargo de Embaixador no Paraguai nomeado no Governo João Goulart. Fotos de Mário Palmério desde a casa onde nasceu em Monte Carmelo/MG até o período em que viveu na Amazônia, passado pela sua família, sua mulher e filhos, sua carreira como Educador em Uberaba/MG, sua passagem pela Academia Brasileira de Letras na cadeira que fora de Guimarães Rosa e seus relacionamentos políticos como Deputado Federal pelo PTB ao lado de Juscelino Kubitschek e Getúlio Vargas. Acervo fotográfico: Uniube.
[video:https://www.youtube.com/watch?v=UVav1OntbeE align:center


Visite o Portal Mário Palmério


Leia a Revista CONVERGÊNCIA – O Centenário de Mário Palmério: Aqui & Aqui
___

 

 

 

 

 

 

 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora