Das vantagens de digitar com o indicador da mão esquerda, por Sebastião Nunes

O ciscar da galinha é parente próximo dos pensamentos do referido antipresidente.

Das vantagens de digitar com o indicador da mão esquerda

por Sebastião Nunes

Conheço pessoas que escrevem muito bem usando apenas os indicadores. Tão bem que, com apenas dois dedos, escrevem romances, tratados científicos, crônicas, reportagens e bulas de remédio.

Até a semana passada, eu me virava otimamente com os dez dedos. Foi então que, imaginando poder mais do que posso, desandei a serrar, martelar e cavar, com o maior entusiasmo, no quintal que atualmente cultivo. Resultado: algum desarranjo em “ite” me moeu o lado direito, do ombro à mão, de modo que me tornei semi-inválido, obrigado a concentrar todo esforço de redação no indicador da mão esquerda.

Ótimo!, digo hoje, depois da inusitada descoberta. Usar somente o indicador da mão esquerda foi o melhor que me poderia acontecer, como descobri, mas só descobri depois de 60 anos escrevendo com dez dedos, à máquina ou no computador.

A primeira e formidável vantagem foi acabar definitivamente com os terríveis erros de digitação. Obrigado a usar um dedo até então inútil (sou destro), fui obrigado, pela lentidão da escrita, a examinar a correção de cada letra, sílaba, palavra, frase, parágrafo. Bem ao contrário dos velhos tempos em que, premido pela urgência, pelo entusiasmo ou pelo acúmulo de ideias, eu costumava rechear meus escritos dos mais inesperados sacis, como se referia Monteiro Lobato aos deslizes de ortografia ou de gramática. E todo mundo sabe como é desagradável encontrar, num texto brilhante, o brilho ostensivo de um saci inesperado, com seu sádico sorriso. Claro que o saci pode ser desprezado, mas, sem dúvida, o brilho do texto esmaece.

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A segunda é ter tempo de pensar e desenvolver o pensamento. Sei, por exemplo, que o antipresidente Jair Bolsonaro é pouco inteligente. E não me venham dizer que ele finge ser pouco inteligente. Não finge: nem um gênio seria capaz de tal proeza, depois de demonstrar espontaneamente e ao vivo o elevado teor de burrice que lhe atravanca o cérebro, como se fosse um porão atulhado de asneiras. Será que, se não tivesse passado boa parte da vida entre militares medíocres, e uma parte ainda maior ocupando, sem o menor relevo, um cargo de deputado, teria inteligência mais apurada? Não, não dá para confundir inteligência com ignorância: são categorias completamente distintas.

Por outro lado, o que sugerem, a nível de linguagem, as frases curtas, a ausência de profundidade dos pronunciamentos, a grosseria dos rompantes, a pouca consistência das “certezas”, a insensatez das “verdades”, exibidas na cara assustada de burro apanhado em flagrante delito de estupidez?

Pois, a despeito de todas as carrancas que exibe ao vivo e em cores, apesar das tentativas de superioridade que se esforça por transmitir, há sempre algo de falso, de comédia antiga, como, aliás, também exibe seu guru, Donald Trump, o grande palhaço carrancudo e mentiroso do Hemisfério Norte.

A terceira é …

Pensando bem, quem não percebe a escassez de inteligência em Jair Bolsonaro? Creio que até uma galinha, com sua cabecinha pequena e sua diminuta capacidade de leitura do mundo, seria capaz de compreender esse espantoso fenômeno: o de ocupar o posto de presidente do Brasil uma criatura de tão apoucada inteligência, de tão rasteira compreensão dos fatos políticos, sociais e econômicos.

Para alcançar tal feito, bastaria à dita galinha comparar sua técnica milenar de ciscar, com os voos de galinha pensamentais que abarrotam o espaço intersinapses do cérebro em polvorosa do dito antipresidente.

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Pois é assim que funciona a ciscação: levanta uma das patas a galinácea ave e, com a outra pousada em terra firme, põe-se a cavoucar para trás furiosamente. Apoia em seguida ambas as patas no chão e, abaixando a cabeça chinfrim, dedica-se a vasculhar os detritos recém-expostos.

Então nossa galinha, estabelecendo, por comparação, um link entre seu eterno ato ciscatório e os atos pensamentais de Jair Bolsonaro, que ao fim e ao cabo não passam de ciscação mental, chegará à conclusão de que ambos se equivalem. Ou seja, que o ciscar da galinha é parente próximo dos pensamentos do referido antipresidente.

Acredito, contudo, continuar relevante a questão posta acima: quem não percebe escassez de inteligência em Jair Bolsonaro?

Em primeiro lugar, as demais aves galináceas. Em seguida, os burros de quatro patas. Finalmente, os que fizeram do voto sua arma a favor da escassez de inteligência, igualando-se, com tal ato de tolice suprema, a seu guru e líder supremo.

Concluindo, acredito ter demonstrado, sobejamente, a vantagem de digitar com o indicador da mão esquerda.

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