Lula é a voz da resistência, escreve Dilma em prefácio de “A Verdade Vencerá”

"A Verdade Vencerá", livro da entrevista com o ex-presidente Lula, narrando o processo que o levou à prisão, ganhou uma nova edição com prefácio de Dilma Rousseff

Jornal GGN – “A Verdade Vencerá”, livro da entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, narrando o processo que o levou à prisão, ganhou uma nova edição com prefácio da ex-presidente Dilma Rousseff. A versão francesa “La Verité Vaincra” chegará às livrarias da França no próximo 16 de janeiro.

O prefácio, assinado por Dilma foi divulgado pela Rede Brasil Atual. Leia abaixo:

Em fevereiro de 2018, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista aos jornalistas Juca Kfouri e Maria Inês Nassif, além do professor Gilberto Maringoni e da editora Ivana Jinkings. Na entrevista, que se tornou este livro – A verdade vencerá – Lula fala do Partido dos Trabalhadores, do exercício do poder, do Golpe de 2016 e das mudanças ocorridas no Brasil ao longo dos últimos anos, além da perseguição que passou a sofrer pela Operação Lava Jato, quando virou vítima de lawfare.

Condenado e preso, injustamente e sem provas, Lula foi retirado da arena política, colocado numa cela e impedido de disputar a Presidência da República. Graças à atuação do atual ministro da Justiça do governo Bolsonaro, foi perseguido e caçado até se tornar um preso político. Isso ocorreu em abril de 2018.

Desde então, o Brasil viveu dias ainda mais sombrios, fruto do processo político devastador iniciado com o golpe que me destituiu da Presidência em 2016. Hoje, o país é governado por um neofascista na política e nos costumes, perversamente neoliberal na economia e no campo social.

Uma verdadeira calamidade para um país que passou, a partir de 2003 até o golpe, por um período de progresso, prosperidade e emancipação popular. Graças ao Partido dos Trabalhadores e aos nossos governos, o país traduziu prosperidade em crescimento econômico, distribuição de renda, inclusão social e extinção da fome e redução da miséria a níveis mínimos.

A perseguição a Lula resultou na ascensão dos golpistas e da extrema-direita. O Brasil foi enquadrado ao neoliberalismo e tornou-se laboratório de experimentações retrógradas e reacionárias.

Nestes tempos duros, como já acontecera no mundo em outros períodos históricos, a serpente pariu o neofascismo no maior país da América do Sul. Bolsonaro é fruto azedo da criminalização da política, do golpe que me derrubou e da perseguição a Lula.

O ovo da serpente foi gestado no discurso de ódio, intolerância e preconceito. E cresceu sob a proteção do silêncio obsequioso do Judiciário, que não impôs freios aos abusos da Lava Jato, da complacência ou apoio da imprensa, e do interesse oportunista do mercado.

A Lava Jato foi um dos principais instrumentos do golpe e da vitória da extrema-direita. Foi a linha de frente do lawfare contra Lula. Para atacar sua reputação, vazou acusações sem provas à mídia, intimidou testemunhas, arrancou delações de corruptos por meio de coação, mentiu aos tribunais superiores de apelação e desrespeitou o direito de defesa e o devido processo legal.

Mas o maior abuso da Lava Jato – chefiada pelo juiz federal que agora é ministro da Justiça – foi condenar e prender um inocente que poderia ter conduzido o Brasil a uma saída digna da crise.

A prisão ilegal de Lula sequestrou dos brasileiros o líder capaz de promover um reencontro do Brasil com a democracia e consigo mesmo. Lula teria vencido Bolsonaro em 2018 – era o líder das pesquisas até julho – e impedido o Brasil de passar pelo desastre atual. E justamente por isso foi preso. 

A detenção do presidente mais popular de nossa história tornou-se uma ameaça a todos: se Lula pôde ser preso ilegalmente, qualquer um pode ser. Também por isso, sua prisão feriu de morte a democracia. Durante 580 dias, enquanto Lula esteve preso, o Brasil viveu sufocado e a democracia, ameaçada.

Agora, a soltura de Lula, ocorrida em novembro de 2019, acende mais uma vez a esperança de que é possível sonharmos com liberdade para o povo brasileiro. 

A luta agora não é apenas pela liberdade de Lula, mas pela nulidade e revogação de todas condenações judiciais – injustas e fraudulentas – impostas a ele.

Isso é fundamental. É que precisamos reunir forças e organizar a resistência para enfrentar o aparato neofascista – militar, judicial e midiático – que ameaça destruir a democracia, trazendo de volta a miséria, entregando riquezas, alugando a soberania brasileira, vendendo empresas estatais e impondo ao povo sacrifício e sofrimento que havíamos superado nos nossos governos.

Lula é, portanto, a voz da resistência. Mais do que nunca, Lula simboliza a luta do país pela democracia e pelo estado democrático de direito.

Dilma Rousseff

Novembro de 2019

1 comentário

  1. Dilma porque vc nada fez pra deter a marcha do golpe quando era presidenta? Agora vem aqui deitar falação sobre resistência ao golpe com que moral? Vc pertence à mesma laia do Temer, Aécio, Bolsonaro e outros traidores mais do povo.

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