Ouvi uma Mosca zumbir – eu morria –, por Emily Dickinson

Enviado por Felipe A. P. L. Costa

Ouvi uma Mosca zumbir – eu morria –

Por Emily Dickinson [1]

 

Ouvi uma Mosca zumbir – eu morria –

A Quietude no Quarto

Era igual à Quietude no Ar –

Entre Arfadas de Tempestade –

 

Os Olhos ao redor – espremidos e já secos –

E os Ânimos se mantinham firmes

Para a última Investida – quando o Rei

Se fizesse presente – no Quarto –

 

Leguei minhas Lembranças – Cedi

A parte de mim que é

Transferível – e então lá

Estava interposta a Mosca –

 

De Azul – incerto e trôpego Zumbido –

Entre a luz – e meu eu –

E então as Janelas falharam – e então

Eu não pude ver para ver –

*

I heard a Fly buzz – when I died – 

Emily Dickinson [1]

 

I heard a Fly buzz – when I died – 

The Stillness in the Room

Was like the Stillness in the Air – 

Between the Heaves of Storm –

 

The Eyes around – had wrung them dry –

And Breaths were gathering firm

For that last Onset – when the King

Be witnessed – in the Room –

 

I willed my Keepsakes – Signed away

What portion of me be

Assignable – and then it was

There interposed a Fly –

 

With Blue – uncertain stumbling Buzz –

Between the light – and me –

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And then the Windows failed – and then

I could not see to see –

*

Nota

[1] Emily [Elizabeth] Dickinson (1830-1886). Escrito por volta de 1862, o original foi publicado em livro em 1896, então sob o título de ‘Dying’. Várias palavras foram alteradas: v. 2. in the Room] round my form; v. 5. around] beside; v. 6. firm] sure; v. 8. the Room] his power; v. 10. be] I; e v. 11.] Could make assignable, – and then. De acordo com a classificação de Johnson, este seria o poema n. 465 – ver Johnson, T. H. 1955. The poems of Emily Dickinson, v. 1. Cambridge, Belknap). A tradução é de F. Ponce de León, do blogue Poesia contra a guerra. Para outros poemas de ED em português, ver ‘Como não pude esperar…’, ‘Morri pela Beleza – quatro poemas de Emily Dickinson’, ‘Eu sou Ninguém! E você é quem?’ e ‘Uma mulher, uma arma carregada’.

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