Passagem por Carlos Scliar e Ouro Preto (em exposição, 1990), por Romério Rômulo

A paisagem: Scliar e Ouro Preto, outros. A paisagem: Scliar e Ouro Preto, os mesmos. Scliar é fé: estou com ele.

Passagem por Carlos Scliar e Ouro Preto (em exposição, 1990)

por Romério Rômulo

Verdade mineira de dizer Scliar: difícil de tão fácil. Relato-me e o
relato: do mineiro que sou ao gaúcho que vê Ouro Preto de Ouro
Preto. Gaúcho que descobre a Ouro Preto que não vi: retilínea
que eu vejo barroca. Scliar analisa o tempo: íntimo do tempo.
Caminho-lhe a fala, de hoje. Entrado, leio a palavra na paisagem:
 “arme e desarme
   a paisagem é outra
   e a mesma
   e você é o mesmo
   e outro.”
Armo e desarmo. Sou o mesmo e outro. A paisagem: Scliar e Ouro
Preto, outros. A paisagem: Scliar e Ouro Preto, os mesmos. Scliar é
fé: estou com ele.
Prestes homenageado: traço de Scliar, traço de Niemeyer. Desenho
e palavra mostram a vida tanta: Prestes de 90 anos.
Percorro trípticos. Agitado, um. Calmo, outro. Tensão-distensão: o ato
compulsivo-dialético do homem. O homem que Scliar acredita.
Caminho por flores de racionalidade. A flor de racionalidade em Scliar
é emoção. Cada gesto, domado. Cada emoção, domada. Domados,
emoção e gesto pulsam. Scliar relata: “eu pinto o cheiro das flores.”
Quadros claros: arte maior última de Scliar. Ao “sermam de terceyra
dominga” Scliar soma: “e agora.”
Ouro Preto volta: casario sobre tela. Ouro Preto volta: gravura com o
grito-bandeira de Manuel Bandeira que Scliar agita:
“meus amigos
  meus inimigos
  salvemos Ouro Preto”
Corto:
“meus amigos
  meus inimigos
  salvemos a luta de Scliar.”
Por cartazes e livros, Scliar gráfico apontando caminhos. Mesmo de
assinar. Assinatura-traço-poema: concreto-pôr-sobre.
  ultra-pássaro Scliar
  liberto tanto
  ave!
Romério Rômulo

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