Realidade e ficção são linha tênue em novo livro de Jamil Chade

Capa da obra

Jornal GGN – Estreando no universo da ficção, o jornalista Jamil Chade se debruçou sobre a história de uma refugiada em “O Caminho de Abraão”. A luta por segurança de quem pode conviver na Síria antes e depois do conflito iniciado em 2011 são o mote da obra, que chega ao público pela Editora Planeta Brasil.

Hagar é o nome da mulher francesa que dá vida aos caminhos escritos por Chade. Ela, que é filha de imigrantes argelinos, se supera até conseguir estudar nas melhores universidades de seu país. Quando contratada por uma multinacional, a personagem é enviada para coordenar investimentos milionários de uma fábrica na Síria, antes da guerra. Contudo, o confronto que tomou força há cerca de 7 anos leva a mulher a cumprir ordens criminosas para garantir sua sobrevivência.

Jamil Chade já cruzou fronteiras com imigrantes e refugiados, visitou acampamentos da ONU na Europa, África e Oriente Médio, e traçou uma fuga para a personagem pelo Oriente Médio, repetindo o trajeto que Abraão, o patriarca dos monoteístas, percorreu milênios de anos atrás. Morte e tolerância, espiritualidade, ambição profissional, o Ocidente e o submundo das classes abandonadas, compõem o livro que foge da ficção quando traz à tona a realidade de milhares de pessoas.  

“Desejaria que esse livro fosse apenas uma ficção. Mas, lamentavelmente, não o é. Vivemos um período perigoso. Liberdade de pensamento e conquistas garantidas nas últimas décadas estão sob ameaça. Um mundo em que líderes populistas contam meias-verdades e vendem soluções fracassadas. Em partes do mundo, essa política é traduzida na construção de muros. Em outras, num extremismo religioso à serviço de um projeto de poder. Não temos líderes, mas charlatões e vendedores de ilusão, sustentados pela arma do ódio e do medo”, pontua o próprio autor, Jamil Chade.

Chade, que é correspondente internacional, já acompanhou algumas das principais negociações de paz atuais. O jornalista também faz parte de uma rede de especialistas no combate à corrupção organizada pela Transparência Internacional e foi um dos pesquisadores da Comissão Nacional da Verdade, que investiga os crimes da Ditadura no Brasil.

Nesta última década o autor publicou cinco livros no Brasil e nos Estados Unidos. Dois desses foram finalistas do Prêmio Jabuti. Na Suíça, Chade recebeu o prêmio Nicolas Bouvier por sua obra sobre a fome.

Sobre o livro
 
O caminho de Abraão – Fé, amor e guerra em travessias separadas pelo tempo

Autor: Jamil Chade

304 páginas.

Leia também:  "Quando de noite me der/Vontade de me matar" (MB), por Romério Rômulo

Preço: R$ 45,90

 

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1 comentário

  1. O refinamento de nossos internacionalistas

    Jamil Chade é o correspondente internacional mais articulado (e mais bem preparado) nos dias de hoje. Junto com Gilles Lapouge, forma o que ainda resta de excelência no tradicional jornal da família Mesquita. Estou muito ansioso para logo começar a ler a obra. 

    A propósito, não é a primeira vez, nos últimos tempos, em que internacionalistas brasileiros, comumentemente ligados à carreira diplomática ou à academia, buscam construir uma narrativa interseccional entre a ficção e a realidade. Muito recomendo a leitura da obra “O Punho e a Renda”, do embaixador Edgard Telles Ribeiro.

     

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