Shakespeare escreveu os sonetos durante a peste de 1592, por Gilberto Cruvinel

Em 1593, o poeta já teria escrito os célebres 154 sonetos que circularam em manuscritos entre os amigos, mas só foram publicados em 1606.

Shakespeare escreveu os sonetos durante a peste de 1592

por Gilberto Cruvinel

Entre o meio de 1592 e até o fim de 1594, a peste assolou a Inglaterra e os todos os teatros em Londres ficaram fechados. Várias companhias teatrais faliram, outras se juntaram e outras viajaram pelo país para conseguir se manter.

Shakespeare ficou em Londres, quando escreveu “Vênus e Adônis”, “O rapto de Lucrécia” e o “Rei Lear”. As duas primeiras peças são, segundo Barbara Heliodora, “poemas de temas clássicos com as doses de erotismo tão em voga na época, que Shakespeare compôs para provar ser poeta, já que escrever para o teatro não era tido como atividade literária.”.

Em 1593, o poeta já teria escrito os célebres 154 sonetos que circularam em manuscritos entre os amigos, mas só foram publicados em 1606.

A era elizabetiana do soneto inglês não enriqueceu a lírica inglesa em quantidade mas deu-lhe qualidade. E os de Shakespeare, segundo Neemias Gueiros, “qualquer que seja o ângulo de posição crítica em que se ponha o leitor e o pesquisador escolástico, ganharam a perenidade dos séculos.”

Soneto XIV
William Shakespeare
tradução Ivo Barroso.
.
Dos astros não retiro entendimento
Embora eu tenha cá de astronomia,
Mas não para prever a sorte, o intento
Das estações, ou fome, epidemia;
Nem sei dizer o que será do instante,
Prever a alguém quer chuva, ou vento, ou raio;
Se tudo há-de sorrir ao governante
Segundo as predições que aos céus extraio.
Dos teus olhos provêm meus atributos
E, astros constantes, leio ali tal arte:
“Que a verdade e a beleza darão frutos
Se em ti deixas de tanto reservar-te”;
. .Ou um vaticínio sobre ti revelo:
. .“Teu fim põe termo ao verdadeiro e ao belo.”

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