Lava Jato apresenta denúncia contra Trafigura e Mariano Marcondes


Foto: Reprodução
 
Jornal GGN – O Ministério Público Federal (MPF) ofereceu uma denúncia, nesta sexta-feira (14), contra o ex-executivo da Trafigura, Mariano Marcondes Ferraz, e o representante da multinacional no Brasil, Márcio Pinto de Magalhães, além de outros dois investigados da 57ª fase da Operação Lava Jato.
 
Na quarta-feira da última semana (05), a Polícia Federal havia deflagrado mais uma etapa das apurações que indicam um grande esquema de corrupção e lavagem de dinheiro, envolvendo os contratos de afretamento e comercialização na Petrobras, dominados pelas grandes comercializadoras do planeta, como a Trafigura e a Glencore. Trata-se do centro do que seria a principal corrupção na estatal brasileira, mas que somente após mais de três anos é que a Lava Jato, finalmente, atingiu.
 
A Trafigura, Vitol e a Glencore movimentaram cerca de US$ 31 milhões em propina, o equivalente a R$ 119 milhões, entre 2009 e 2014, de acordo com os procuradores do Ministério Público Federal (MPF). Nos três últimos anos apurados, teriam sido pagos US$ 15,3 milhões pelas três companhias na compra e venda de petróleo e derivados e na operação de estoques. 
 
Os empresários e pessoas denunciadas nesta fase da Operação são acusados de permitir operações ilícitas e lavagem de ativos em mais de 30 transações de compra e venda de petróleo e seus derivados, conhecida como “trading”. 
 
Até a Operação da última semana, não se soube até que ponto Mariano Marcondes estava na mira dos investigadores, uma vez que as ações cumpridas pela Polícia Federal tiveram como mira a Trafigura e outras empresas, e não foram cumpridos mandados em domicílios ligados a Marcondes.
 
Ao todo, os investigadores fizeram 11 prisões preventivas, 27 buscas e apreensões, além de bloqueio de imóveis e valores considerados suspeitos. O GGN noticiou o caso aqui. Mas, na denúncia apresentada hoje (14), Marcondes Ferraz é um dos acusados no esquema de pagamentos de propina a funcionários da Petrobras por empresas que atuam na atividade de trading.
 
De acordo com o MPF, o esquema foi mantido pela Trafigura durante, pelo menos, 6 anos, havendo indícios de que se mantinha até hoje. Os empresários da Trafigura teriam subornado o ex-gerente de Comércio Externo de óleos combustíveis da Petrobras para obter facilidades, preços mais vantajosos, além de operações de trading com maior liberdade.
 
As propinas eram pagas pelo que se denomina “operação dólar-cabo”, com lavagem de ativos em contas secretas no exterior e, posteriormente, a disponibilização do dinheiro em espécie no Brasil, sem seguir o sistema oficial de câmbio. Junto com a Trafigura, a Vitol e Glencore teriam sido responsáveis pela movimentação de US$ 15 milhões em propinas. As provas da investigação já haviam sido apreendidas ainda 44ª fase da Lava Jato. 
 
 
 

4 comentários

  1. E os doleiros?
    Seria interessante um xadrez sobre essa denúncia e a operação “câmbio, desligo”, que atingiu os doleiros nessa história de ” dólar-cabo”, e que foi abafada pela imprensa talvez para poupar clientes famosos dos tais doleiros. É importante saber por que só agora a denúncia foi feita – Nassif já tinha falado dessas empresas aqui antes e suas avaliações são sempre úteis para facilitar o entendimento -, por quem (o fato de o tal mariano ser ex funcionário significa alguma coisa?), a relação com outros casos e com a turma de Curitiba: lembro que no caso da “câmbio, desligo” foi revelado que havia a compra e venda de não investigação por procuradores e num esquema que envolveu advogados famosos. Vale a pena relacionar as coisas.

    Sampa/SP, 14/12/2018 – 21:02 (em luto).

    • Nesse faroeste não há mocinhos
      A pergunta sobre quem apresentou a denúncia se refere aos servidores e grupos dentro do MPF e da PF: já ficou conhecida a disputa interna nas instituições e entre elas, precisamos conhecer os personagens dos dois lados da história, quem acusa e quem é acusado, pois as instituições não são mais agentes neutros nessa fraude que virou a república bananeira.

      Sampa/SP, 14/12/2018 – 22:26 (em luto).

  2. Pelo nosso dinheiro, Rede Globo revela “podres” de Bolsonaro.
    Não passa de cortina-de-fumaça a divulgação da nova “descoberta” da famigerada “Operação Lava-Jato” para tentar encobrir o “Escândalo Bolsonaro”, que fica cada vez pior a cada dia.

    Levar o dinheiro dos assessores parlamentares é apenas a “ponta do iceberg”. A coisa vai ficar feia mesmo quando forem revelados fatos sobre o assunto “terras no Vale do Ribeira”.

    Creio que a Rede Globo apenas vai usar esta “arma” caso as pressões para a manutenção das verbas federais para a emissora (verdadeira motivação para que os “podres” da “famígila” Bolsonaro estejam sendo revelados) não funcionem.

    • Rede de lojas no Vale do
      Rede de lojas no Vale do Ribeira,lá onde o tal, para seres humanos em arrobas.

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