Trago meu cavalo doido, por Romério Rômulo

pro cariri vou agora, me declaro a essa senhora e caso no mesmo dia.

Marc Chagall

Trago meu cavalo doido

por Romério Rômulo

seus parafusos são ocos
os seus olhos, luz do dia
sua pele, condenada
ao meu ombro de poesia.
seu esteio, minha amada
um osso só alforria.
sua mão é uma estrada
incendeia e incendia
sua voz quadriculada
me destrava e me alivia
o seu pelo me relata
sua ânsia me arrepia.
pro cariri vou agora
me declaro a essa senhora
e caso no mesmo dia.

busco meu cavalo doido
num galope à beira mar
tiro maria da terra
levo maria pro ar.
vamos partir num depois
do lá que é perto daqui
pra pisarmos, só os 2
as terras do cariri.

o meu cabelo varrido
minha cara de alvaiade
dou à maria em presente
como se dá quem me invade
num instante, à moça bela,
com uns uivos de cachorro
numa tesão de cadela.

o meu cabelo varrido
eu lhe dou. se quiser mais
busco palavras na feira
falo dos algodoais
já plantados numa beira
dos seus olhos vendavais.

trago meu cavalo doido
e fujo logo daqui
num olhar esbugalhado
em terras do cariri.

romério rômulo

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