Concentração de poder influencia serviço de transporte público

Jornal GGN – Um tema que começa a emergir em torno do debate em torno da tarifa de transporte público na cidade de São Paulo envolve as licenças para funcionamento das empresas. No Brasil, o setor é ligado à iniciativa privada com concessões concedidas pelas prefeituras.

O articulista André Araújo questiona porque empresários de capital aberto não se interessam por tal setor. “Todos correm atrás de concessões de usinas geradoras de energia, de portos, aeroportos, rodovias. Porque nenhum investidor quer saber de uma concessão de clientela segura e que paga a vista?”.

Para ele, se o Movimento Passe Livre – um dos responsáveis pelos movimentos realizados na cidade de São Paulo – quer uma solução para isso, “é acabar com esse conluio viciado entre prefeitos e Câmaras com os empresários de ônibus. Isso é o que está por debaixo dos panos, é por isso que o setor não se renova (…)

 

Veja o artigo escrito por André Araújo.

 

“Há 4 anos postamos artigo sobre a raiz do problema das empresas de transporte coletivo por  todo o Brasil. Porque empresários modernos de capital aberto não se interessam por esse setor que tem grande faturamento? Todos correm atrás de concessões de usinas geradoras de energia, de portos, aeroportos, rodovias porque nenhum investidor quer saber de uma concessão de clientela segura e que paga a vista?

 

O setor de ônibus municipais é fechado em um pequeno grupo de empresários antiquados e acostumados a um casamento com a baixa política municipal, aliança que vem desde os anos 40.

 

Se o Movimento Passe Livre quer realmente uma solução melhor para o setor o caminho e acabar com esse conluio viciado entre prefeitos e Câmaras com os empresários de ônibus. Isso é o que está por debaixo dos panos, é porisso que o setor não se renova, usa ônibus com carrocerias de caminhão, serviços ruins, explora motoristas e cobradores, tem manutenção péssima.

 

As concorrências são apenas para inglês ver, as áreas são todas demarcadas e acertadas, os empresários pelo Brasil inteiro, de Belém a Porto Alegre são geralmente meia duzia em diferentes alianças, muitos deles tem mais de 10.000 ônibus divididos em dezenas de empresas de papel.

 

O setor tem péssimas praticas fiscais, societárias e trabalhistas, firmas cheias de passivos desaparecem e surgem outras na mesma linha no dia seguinte com outros laranjas como sócios, há muitos “macetes” manjadíssimos mas que o poder político finge não ver porque esses empresários são fortíssimos contribuintes para campanhas eleitorais.

 

Não adianta o MPL fazer quebra-quebra e passeatas para melhorar o setor, o buraco é mais embaixo.

 

Porque não sugerem uma agencia nacional para regular e fiscalizar o transporte coletivo em cidades com população acima de 500.000 habitantes, onde o transporte é pior? Tirar esse maná das mãos dos prefeitos e principalmente Câmaras, que são a outra ponta do conluio?

 

Porque o MPL nem toca nisso, como vai melhorar o serviço e baixar os preços se o “esquema” não muda? Não estudaram o setor, não fizeram pesquisa? Como podem tratar do assunto sem saber?

 

O transporte coletivo de ônibus nas grandes cidades do mundo é geralmente da Prefeitura e não particular. Em Paris, Londres, Nova York o sistema de ônibus é estatal, não é privado. Esse setor não se presta a ser privado, é melhor articulado sendo estatal, em São Paulo poderia ser da Companhia do Metrô, que tem boa tradição administrativa. Ônibus modernos, como os de Paris, melhorariam muito o transporte, isso não se conseguirá com o atual sistema-bacalhau, essa é uma boa causa,

 

Tenho porém minhas razões para desconfiar que a ultima coisa que interessa ao MPL é esse negocio de transporte coletivo, o objetivo deles está bem longe do ponto de ônibus, digo das lideranças que bolaram esse tambor, o resto é massa de manobra que participa pela emoção de participar.

1 Comentário

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Thobias Almeida

- 2013-06-16 13:50:36

A mágica da estatização

Concordo em parte com o comentário. O transporte público é um jogo de cartas marcadas. Só fico com um pé atrás quando o articulista garante que, caso seja estatizado, esse setor seria melhorado. Não há nada que prove isso, aliás, há muitos exemplos que provam o contrário.

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