A destruição do Rio Tapajós

Por Vicente Matos

DESTRUÍÇÃO DO RIO TAPAJÓS – PARÁ

O Estado do Pará, com a conivência do município de Itaituba, está decretando a morte inexorável do belo e antes azul Tapajós, assim como aconteceu com o Rio Madeira.

Do blog do Jota Parente, de Itaituba

Pobre Tapajós, foste condenado à morte

Dezenas de dragas possantes como esta reviram o leito do Tapajós e afluentes, no oeste do Pará. 

O secretário de meio ambiente do Estado, José Colares, em inflamado discurso, afirmou na manhã hoje, por ocasião de mais uma reunião para tratar das questões relativas à mineração neste região, que a SEMA vai proibir a atividade de balsas e PCs nos tributários do Rio Tapajós.

O problema é que entre os tributários, muitos já não existem, ou quando existem são correntezas de pura lama, não servindo mais para coisa alguma.

A ação das dragas no leito do rio vai continuar, e pior, agora sob o manto protetor do Estado, que já legalizou algumas e deverá legalizar todas as cerca de 25 que já estão atuando, podendo chegar até a um número de 40.

Imaginem o que é 40 dragas fuçando o leito do rio, concomitantemente.

Tratam-se de equipamentos imensos, que utilizam motores de até 400 HP, trabalhando 24 horas por dia, revolvendo terra do leito do rio, e jogando água barrenta de volta, como não deixa mentir a foto tirada segunda-feira desta semana.

Uma das graves consequências será o assoreamento do rio, cuja navegabilidade poderá ser muito prejudicada em um futuro breve.

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O Estado, com a conivência do município, está decretando a morte inexorável do belo e antes azul Tapajós, assim como aconteceu com o Rio Madeira.

Quem ousa falar sobre este assunto, neste tom, como este jornalista, no blog e no Jornal do Comércio é vítima do desdém dos que só pensam no lucro fácil.

Que o diga Davi Menezes, presidente da CDL, que levantou a questão no encerramento dos trabalhos do secretário Colares, reunido com mineradores, no final da tarde de hoje. Houve um ensaio de vaia contra Davi, porque ele manifestou sua preocupação.

Preparemo-nos para ver muito em breve, a volta da água barrenta do Rio Tapajós, descendo célere rumo a Santarém, onde se localiza sua foz. Por enquanto, sob o silêncio dos santarenos, que não parecem interessados neste assunto.

Quando a água com cor de barro chegar por lá a grita vai ser geral, mas, será tarde. O martelo foi batido e agora já não há mais para quem pedir socorro, pois a última esperança morreu com essa decisão do secretário estadual de meio ambiente.

Infelizmente, é isto que está acontecendo.

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