A importância da diversidade alimentar na proteção dos ecossistemas tropicais

Sugerido por alfeu

Do Instituto Carbono Brasil

Diversidade alimentar: essencial para defender os ecossistemas tropicais

 Autor: Brian Zbriger – Fonte: Mongabay

Um novo estudo publicado no Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS) analisa as consequências da homogeneização das dietas ao redor do globo nos últimos cinqüenta anos.

Os pesquisadores apontam para o declínio da produção mundial de alimentos tradicionais como o milho-miúdo (ou painço), o centeio, o sorgo, a batata-doce e a mandioca. A população mundial estaria cada vez mais dependente de um pequeno número de “megacultivos” como trigo, milho e soja, o que está levantando preocupações sérias para a segurança alimentar, nutrição humana e diversidade genética dos plantios.

Em termos de contribuição crescente ao total de calorias das dietas globais desde 1960, dois cultivos que se destacam são a soja e o óleo de palma. A expansão repentina de ambos enfatiza como as mudanças alimentares têm sido centrais na efetivação do desmatamento tropical.

 

O Brasil é o segundo maior produtor e exportador mundial de soja, e o plantio tem se tornado uma ameaça cada vez maior à biodiversidade e a cobertura florestal no sul da Amazônia. Grande parte da demanda por soja é relacionada ao seu papel como alimento para o rebanho bovino, outra grande ameaça às florestas no Brasil e em demais locais.

Do outro lado do mundo, na Indonésia e Malásia, o plantio para óleo de palma tem substituído as florestas tropicais em escala massiva desde 1990. Isto tem aumentado as emissões de gases do efeito estufa e destruído habitats de orangotangos e muitas outras espécies ameaçadas. A fumaça densa no sudeste da Ásia, resultante da expansão da produção de óleo de palma, tem impactado a saúde humana, conquistando manchetes internacionais.

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Esforços locais e internacionais têm sido bem sucedidos na sensibilização sobre estes problemas. Consumidores estão cada vez mais conscientes na compra de produtos da soja e óleo de palma.

Assim, uma lista longa e crescente de empresas se comprometeram a usar palma e soja certificadas como sustentável enquanto as companhias produtoras estão anunciando que não contribuirão para o desmatamento. A melhoria das práticas ambientais no cultivo da soja e palma é bem vinda e deve continuar.

Entretanto, a tendência em longo prazo das dietas ao redor do mundo, a crescente população e as mudanças climáticas mostram que tais esforços podem não ser suficientes. Contanto que o consumo de óleos vegetais e produtos animais fabricados globalmente continue a subir, como resultado, a pressão econômica sobre as florestas tropicais aumentará. Finalmente, sistemas alimentares diversificados e orientados localmente são a única opção sustentável.

Referência: Colin K. Khourya,b,1, Anne D. Bjorkmanc,d, Hannes Dempewolfd,e,f, Julian Ramirez-Villegasa,g,h, Luigi Guarinof, Andy Jarvisa,g, Loren H. Riesebergd,e,i, and Paul C. Struikb. Increasing homogeneity in global food supplies and the implications for food security. PNAS, 2014 DOI: 10.1073/pnas.1313490111
Traduzido por Fernanda B. Müller
Leia o original no Mongabay (inglês)

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