A tragédia repetida no nordeste

Por Magrão Soares

Meu tio Antônio indicou este ótimo blog de meteorologia que contém importante análise sobre a tragédia REPETIDA no Nordeste. Cadê o planejamento, cadê os geógrafos, engenheiros, cadê estudos, cadê implementações que protejam o meio-ambiente e também o homem? Ainda por cima querem por a culpa no Lula…

http://www.metsul.com/blog/

Desastre no Nordeste – Lições ignoradas

 

A semana que passou foi marcada pelo desastre de proporções impressionantes na Zona da Mata de Pernambuco e Alagoas, tragédia que, infelizmente, se repete. Exatamente. Não foi a primeira vez que cidades às margens dos rios Mundaú, Canhoto e Paraíba acabaram arrasadas pela força das águas. Em 14 de março de 1969, a pequena cidade alagoana de São José da Lage foi destruída por uma enchente relâmpago do rio Canhoto. O noticiário relatou à época mais de mil mortos. Foram centenas de pessoas arrastadas e afogadas.

  

 

Casas e prédios vieram abaixo, como agora se vê em várias cidades alagoanas e pernambucanas. “Onda gigante no Sertão” se disse em 1969 como agora se fala em tsunami.

  

 

A própria São José da Lage foi atingida, mesmo que em menor proporção que há 41 anos, já que muita gente, traumatizada pela catástrofe de 1969, decidiu morar longe do rio. A tragédia não foi a primeira e não será a última. Se após o episódio de 41 anos atrás tivessem sido adotadas medidas de contenção de cheias ou prevenção como retirada de moradores de áreas ribeirinhas, as conseqüências da chuva teriam sido menores, afinal inundações são recorrentes na zona com precedentes de eventos de natureza catastrófica. O desastre no Nordeste de agora (clique sobre as fotos abaixo para ampliar) é mais um no Brasil em que há a mão negligente de governantes do presente e do passado.

  

No que concerne ao cenário oceânico-atmosférico que levou ao desastre de 2010 no Nordeste do Brasil, a minha convicção (ler análise neste blog do dia 23 de junho) de que a tragédia teve forte correlação com as condições atuais de TSM (temperatura da superfície do mar) do Atlântico Sul – TSA Index –   ficou ainda mais reforçada após ler estudo que demonstra aquecimento muito acima da média das águas do Atlântico na região por onde se propagam as ondas de Leste na mesma área de agora, mas em 1969, quando do desastre análogo de 41 anos atrás  em São José da Lage (imagem abaixo de Hindcasts of tropical Atlantic SST gradient and South American precipitation: the influences of the ENSO forcing and the Atlantic preconditioning por Huei-Ping Huan et all).

  

Chuva intensa associada a sistemas frontais que alcançaram a região no fim do outono e TSM do Atlântico muito acima da média na área de propagação das easterly waves acabaram por criar uma condição de solo, hidrológica e atmosférica altamente propícia a eventos extremos de chuva e inundações relâmpagos com conseqüências catastróficas. As lições de 1969 não foram aprendidas. Serão as de 2010 ? (Fotos de Antônio Cruz/ABr com apoio em pesquisa de Alexandre Aguiar/MetSul Meteorologia)

Autor: Eugenio Hackbart
Publicado em 27/06/2010 09:06

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