FADS: Que mundo vamos deixar pro Keith Richards?

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), de 2003 a 2015, as declarações municipais de emergência devido a secas dispararam 409% em todo território nacional.

Divulgação

FADS: Que mundo vamos deixar pro Keith Richards?

Eventos climáticos extremos sempre aconteceram de variadas formas, como enchentes, tornados, furacões, secas, ondas de calor, etc. Entender os ciclos da natureza, os territórios mais propícios para essas ocorrências, o período em que acontecem, são processos que a humanidade foi conhecendo e aprendendo a lidar ao longo de sua existência.

Esses eventos estão cada vez mais frequentes, intensos, e ocorrendo em locais onde antes não existiam. Não são apenas processos naturais do ambiente, eles carregam outros elementos que fazem com que seu impacto seja muito diferente, dependendo de onde ele ocorre. As ações humanas interferem diretamente nesse resultado, com variáveis econômicas, sociais, de planejamento territorial (ou falta dele), entre outras. Ou seja, o “desastre natural” tem um forte tempero antrópico, e afeta de forma mais intensa a população vulnerável.

De acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA), de 2003 a 2015, as declarações municipais de emergência devido a secas dispararam 409% em todo território nacional. No mesmo período, o número de deslizamentos de terra aumentou quase 22 vezes segundo o Centro de Estudos e Pesquisas sobre Desastres.

Segundo levantamento do World Resources Institute – WRI, somente entre junho e agosto de 2021 foram relatadas as seguintes ocorrências de eventos extremos pelo mundo:

a)      Europa: centenas de pessoas morreram na Alemanha e na Bélgica após os países enfrentarem enchentes extremas e incomuns em julho;

b)      Rússia: incêndios florestais atingiram a Sibéria;

c)      Sudeste asiático: fortes chuvas de monções impactaram a Índia e as Filipinas em julho, com alagamentos e deslizamentos de terra;

d)      América do Norte: mortes em decorrência da onda de calor nos EUA e Canadá, incêndios florestais e seca intensa;

e)      América do Sul: Brasil e Argentina enfrentam falta de chuvas, com crise hídrica e ameaças à produção agrícola.

f)       África: mais de 1 milhão de pessoas em Madagascar em situação de fome devido à maior seca em décadas. Uganda e Nigéria enfrentaram grandes enchentes.

g)      China: enchentes na região central mataram centenas de pessoas e deixou mais de um milhão de desabrigados.

Entre setembro e outubro, vimos em diferentes lugares do Brasil tempestades de areia e vendavais que causaram destruição em diversos municípios, resultando em mortes. No Amapá, a salinização do rio Amazonas tem deixado a população dos arquipélagos sem água potável. No mesmo Estado, o fenômeno da “pororoca”, no Rio Araguari, já não pode ser observado. Por ironia (ou conveniência), o Congresso Nacional aprovou no início deste mês o corte de 92% dos recursos que seriam utilizados para pesquisas científicas. Sufocar a ciência em um momento como o que vivemos é um crime contra a vida.  

Aniruddha (Ani) Dasgupta, presidente e CEO, alerta que “nenhum país, por mais avançado que seja, pode pagar para escapar das mudanças climáticas”. Em novembro, durante a COP26 em Glasgow, serão iniciadas entre os países as negociações de uma meta coletiva de financiamento para o período pós-2025. Os países com menos recursos têm mais dificuldade em lidar com os custos advindos dos eventos extremos, e, sem a ajuda não conseguirão superar as consequências desses eventos, vide a escassez de alimentos em países africanos, que é uma realidade há décadas, por conta das secas extremas.  

Enquanto os sinais do colapso ambiental e emergência climática desfilam sobre nossos corpos e nossos territórios, aumentando as desigualdades sociais, a fome, a insalubridade, a miséria, ainda vemos bilionários disputando sobre quem tem o maior foguete para ir ao espaço e colonizar a Lua, Marte, e sabe-se lá mais o quê. Cobrar a responsabilidade daqueles que mais contribuíram (e ainda contribuem) para a crise ambiental que vivemos é urgente.

E o quê o Keith Richards tem a ver com isso???  Brincando com a aparente imortalidade (e a visível resiliência) do guitarrista dos Rolling Stones, o 23º episódio do Fala FADS trará relatos de eventos recentes, além de debater as causas e mostrar o que a sociedade organizada, especialmente a juventude, tem feito para superarmos a crise ambiental que vivemos, rumo à transição para uma sociedade resiliente e que assuma responsabilidades, sobretudo o cuidado com as populações mais vulneráveis.

Para continuar essa prosa, convidamos você a assistir o Fala FADS de hoje, com o tema “Que mundo vamos deixar pro Keith Richards?”, sob a condução da jornalista LOURDES NASSIF, editora do Jornal GGN que levantou a pauta e vai marcar o gol! Ela estará muito bem acompanhada por nossos convidados:

KINDA SILVA, filha das águas, vinda da Bahia e desaguou em São Paulo. Jovem negra, é uma das coordenadoras gerais do Engajamundo, organização nacional de juventudes que trabalha com participação política, mobilização e ativismo para as pautas socioambientais. É Bacharela em Energia e Sustentabilidade pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, multiplicadora do Banana Terra, projeto do Greenpeace e da Anistia Internacional Brasil para fortalecimento de defensores ambientais, e hoje trabalha na função de Coordenadora de Comunicação do Engajamundo.

BETO JACINTHO é engenheiro agrônomo formado pela ESALQ-USP, especialista em gestão ambiental pela FSP-USP e mestre em geociências, pelo IGc-USP. Tem vinte anos de serviço público na área ambiental da prefeitura de São Paulo, mais dez anos de serviço público na área de geoprocessamento no IBGE. Membro da coordenação do núcleo sindical catarinense da ASSIBGE e coordenador geral do Fala FADS.

LUIZ MARQUES, professor livre-docente do Departamento de História do IFCH /Unicamp e doutor em História da Arte pela Universidade de Paris IV e autor do livro “Capitalismo e Colapso Ambiental”, que ganhou o prêmio Jabuti de 2016.

Se você não conseguir assistir ao vivo, confere depois na nossa playlist, lá no canal da TV GGN (https://www.youtube.com/c/TVGGN)! “Quartou” com Fala FADS!

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

2 comentários

  1. Enquanto isso São Paulo segue produzindo e consumindo concreto desenfrenadamente na razao de 220l de agua por tonelada, para manter a única grande indústria remanescente na cidade e garantir o lucro dos bancos que a financiam.

    Quem planeja as cidades nao sao mais os arquitetos, urbanistas e engenheiros. Sao os banqueiros. Eles decidem o que vai ser construído e onde e botam as pranchetas e as betoneiras para funcionar.

  2. Vamos deixar de ser hipócritas !!!! E exterminar a Indústria do FAKE NEWS que é concretizada e imortalizada nestes 91 anos pela figura de Assis Chateaubriand e DIP do Ditador Fascista. Não existe um único Munícipio Brasileiro dentre os 5.500, onde não defecamos na água que consumimos e bebemos. A Esquerdopatia tenta retomar o Poder ressuscitando suas mentiras? Ninguém cai mais nesta farsa. Que se dane o mundo que vamos deixar pro Keith Richards !! Sei muito bem o país que foi deixado nestes 91 anos de Estado Ditatorial Esquerdopata Fascista para o Cidadão Brasileiro. Viver na merda. Inclusive na ‘Merda Redemocrática’ destas 4 farsantes décadas.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome