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Fala FADS: “Pecuária em pauta: direitos animais e humanos”

Fala FADS: “Pecuária em pauta: direitos animais e humanos”

Na recente Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP 26, que terminou no último fim de semana em Glasgow (Escócia), a produção e consumo de carne bovina teve destaque. Relatório da ONU apresentado no evento sugere que essa proteína é o alimento que mais contribui para emissões de gases de efeito estufa e desmatamento. Além disso, dezenas de países, entre eles o Brasil, assumiram como meta a redução de 30% na emissão de metano até 2030, o que impactará diretamente os rebanhos bovinos. 

Instituições de pesquisa, como a Embrapa e organizações envolvidas na cadeia da pecuária buscam melhorar a eficiência e os padrões de sustentabilidade da produção animal, e defendem que iniciativas com bons resultados sejam incorporadas em políticas públicas, contribuindo com a redução do impacto ambiental e da fome. Nessa perspectiva, a produção animal é importante para a ciclagem de nutrientes e para ocupar áreas marginais. Considerando que o desmatamento é a principal causa das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, um manejo adequado dos rebanhos nas áreas já abertas, com maior eficiência na produção e com a recuperação de áreas degradadas geraria benefícios.

Ao mesmo tempo em que se fala em “dietas saudáveis”, e que o Guia Alimentar da População Brasileira (2014) recomenda uma alimentação variada e predominantemente de origem vegetal, o acesso ao alimento de qualidade e na quantidade necessária para suprir as necessidades físicas e nutricionais é um desafio. A liberação de mais de 1300 substâncias para uso em agrotóxicos nos últimos dois anos faz com que a produção de hortaliças, frutas, legumes e vegetais tenha cada vez mais veneno. Cada quilo de carne produzida demanda a produção de cerca de seis quilos de proteína vegetal, que ocupam áreas que poderiam servir para a produção agrícola, diversificada e agroecológica. Os alimentos ultraprocessados são baratos e, além de não resolverem o problema da fome, geram doenças, como a obesidade.  

Apesar de ser um dos maiores produtores de alimentos no mundo, o Brasil voltou ao Mapa da Fome, de onde havia saído em 2014. Falar sobre restrições à produção de carne bovina em um momento em que uma grande parcela da população passa mais de um dia sem comer pode soar como uma preocupação de privilegiados. Por outro lado, a pecuária também acaba contribuindo com a redução da oferta global de alimentos e água, considerando a baixa taxa de conversão alimentar, de forma que uma alimentação à base de plantas proporciona mais justiça social ao alimentar uma quantidade muito maior de pessoas.

Mas, quem tem privilégios é o sistema. O modelo de produção em larga escala e monocultura do capital busca a eficiência para obter lucro, criando um círculo de violência, exploração de mão de obra (por vezes em situação análoga à escravidão), degradação ambiental e impactos à saúde, além de explorar e matar mais de 80 bilhões de animais terrestres todos os anos, o que equivale a dez vezes a população de humanos. Como debatido em programas anteriores, comer é um ato político com consequências socioambientais, com repercussão nos direitos humanos e animais, e produzir alimentos saudáveis não é o objetivo do agronegócio brasileiro.  

Com tantos elementos a serem considerados, o Fala FADS pergunta: o consumo de carne deve ser pauta prioritária no Brasil? Para debater esse assunto, trazendo diferentes perspectivas, teremos três convidados esta noite!

Laura Barcellos Antoniazzi, sócia e pesquisadora sênior da Agroicone, desenvolve projetos para apoiar e promover o desenvolvimento sustentável de cadeias agropecuárias desde 2008. Atua junto a cadeias agro, desde 2015 trabalha com restauração florestal e incentivos a florestas multifuncionais.  Mestre em Economia Aplicada (2008) e engenheira agrônoma (2004) pela ESALQ- USP, Laura tem especialização em Gestão de Projetos de Desenvolvimento na École Polytechnique Fédérale de Lausanne – EPFL (2015)

Ricardo Neder, sociólogo e economista político. Professor associado da UnB, onde coordena o Núcleo de Políticas CTS (Ciência, Tecnologia, Sociedade), a Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares, a revista Ciência & Tecnologia Social no grupo de pesquisa OBMTS – Observatório do Movimento pela Tecnologia Social na América Latina (página: http://itcpunb.org/). Realiza pesquisa sobre pandemias contemporâneas associadas ao transbordamento de patógenos que escapam do vaso protetor da vida selvagem,  destruído por complexos tecnológicos. Propõe um marco lógico para interpretar como quatro conglomerados mundiais da produção de commodities, e um farmacêutico estão unidos e cada um a seu modo, geram eventos interdependentes que juntos causam uma linha do tempo de pandemias mundiais desde os Séc.XIX.

Vegana, ativista pelos direitos animais, Vanessa Negrini é mestre e doutora em Políticas de Comunicação e Cultura (UnB), é professora da disciplina Mobilização Pública e Direitos Animais na Universidade de Brasília. Coordenadora executiva do Núcleo de Estudos sobre Direitos Animais e Interseccionalidades (NEDAI/Ceam/UnB) e coordenadora nacional do Setorial de Direitos Animais do PT.

Perla Carolina Leal Silva Müller, advogada graduada e mestre em Direito pela UNESP; vice-presidenta da Comissão de Direitos Humanos da 12ª Subseção da Seccional Paulista da OAB; coordenadora do Núcleo de Estudo e Formação Política “David Aidar” de Ribeirão Preto e eleita secretária estadual de Meio Ambiente e Desenvolvimento do PT/SP, vai mediar o debate.

Para anotar na agenda: Fala FADS Pecuária em pauta: Direitos animais e humanos, no dia 17 de novembro, a partir das 18h30, pela TV GGN (www.youtube.com/tvggn). Para saber mais sobre a FADS e assistir aos debates anteriores, acesse www.facebook.com/falafads.

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