Inovações não tão novas assim, por Rui Daher

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Imagem: UCS

por Rui Daher

Fico sabendo que desde 2005 se busca patente para invenção desenvolvida no Laboratório de Enzimas e Biomassas da UCS, Universidade de Caxias do Sul, para certificar tecnologia capaz de despoluir a água de indústrias têxteis e papeleiras através da adição de metais ao cultivo do fungo Pleurotus sajor caju, uma espécie de cogumelo comestível, fácil de ser encontrada no Brasil. Potencializa a produção de enzimas que atuam na descoloração de corantes e moléculas poluentes da água.

Finalmente, conseguiram. É ruim? Vocês souberam? Creio que poucos.

Coordenador da pesquisa, o professor Aldo Dillon, diz o feito não ser inédito, mas sim o baixo custo da tecnologia, por aumentar a produção das enzimas operantes.

“É uma resposta ao compromisso da biotecnologia com o meio ambiente e traz contribuições para o setor produtivo e também para a causa ambiental, por possibilitar a diminuição de poluentes”.

Esses agentes biológicos têm a capacidade de quebrar moléculas orgânicas responsáveis pela poluição da água, resultando quantidade menor de químicos e efluentes extremamente tóxicos ao meio ambiente.

Não pensem estar diante de exemplo pouco dos trabalhos em evolução nos centros nacionais de pesquisas, escondidos do mainstream da indústria e da agropecuária pelas folhas e telas cotidianas patrocinadas por fabricantes multinacionais de moléculas químicas e/ou tóxicas.

Essa uma das razões de termo-nos tornado uma Federação de Corporações povoada por casas-grandes e senzalas.

Afirmo porque sei, mexo, ando, constato, diariamente, produtos inovadores, alternativos, de efetividade comprovada, como o desenvolvido na UCS. São capazes de aumentar a produtividade, diminuir o impacto ambiental, e reduzir o custo dos agentes produtores industriais e agropecuários.

Não serei comercial aqui para que não me enxerguem como um caixeiro-viajante sírio-libanês que efetivamente sou, sempre fui e serei, a menos que o “Dominó de Botequim” venda milhares de edições ou o jornalismo eletrônico, no futuro, possa pagar a quem bem escreve para ele.

Presto serviços de consultoria a empresas que possuem linhas de produtos assim para servir à agricultura. Penam, esmorecem, algumas quebram. Partem de matérias orgânicos, naturais e minerais. Lutam contra a divulgação massiva da indústria de agroquímicas, o ceticismo dos produtores rurais brasileiros, e os obstáculos dos órgãos governamentais para aprova-los.

Quem pode, pode – as multinacionais – quem não pode se sacode – a pequena indústria nacional.

Hoje em dia, podemos continuar, ano após ano, batendo recordes de produção e produtividade, diminuindo os custos de produção por hectare, bastando reduzir o uso de tecnologias à base de moléculas químicas e genéticas, simplesmente, complementando-as ou alternando-as com manejos de bases orgânicas ou naturais.

Se eu lhes citar que existe um produto natural, resultado da queima controlada de madeira para fabricação do carvão vegetal usado em seu churrasco dominical que, depois de condensada, resulta num líquido que permite reduzir em até 40% o uso de herbicidas, como o Roundup (Monsanto e logo Bayer) e os glifosatos importados da China, vocês acreditarão?

Claro que não. Assim como outros não acreditarão na descoberta, em Caxias do Sul, do professor Dillon.

Sendo assim, boa sorte com Donald Trump. 

https://www.youtube.com/watch?v=SefkB2khn4k

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