GGN

Ministério Público alertou governo três dias antes de “dia do fogo”

Jornal GGN – O governo Bolsonaro foi alertado sobre o “dia do fogo” planejado – e colocado em prática – por agricultores e grileiros para incendiar as margens da BR-163. A ação foi revelada pelo jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso, no Pará.

O GGN prepara uma série de vídeos sobre a interferência dos EUA na Lava Jato e a indústria do compliance. Quer se aliar a nós? Acesse: www.catarse.me/LavaJatoLadoB

Neste domingo (25), a revista Globo Rural teve acesso a um ofício do Ministério Público (MPF) do Pará enviado ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), ligado ao Ministério do Meio Ambiente, alertando sobre o esquema criminoso.

O incêndio foi provocado no dia 10 de agosto, e o órgão público tinha sido avisado três dias antes, em 7 de agosto. A Polícia Federal, que abriu investigação sobre o caso, afirma que ao menos 70 pessoas participaram de grupo de mensagens no WhatsApp para convocar o “dia do Fogo”. A rodovia BR-163 liga a região de Altamira e Novo Progresso, no Pará, aos portos fluviais do Rio tapajós e ao Estado de Mato Grosso.

O objetivo dos agricultores com a queimada era mostrar ao presidente Jair Bolsonaro que apoiavam suas ideias de “afrouxar” a fiscalização do Ibama. Eles ainda esperavam conseguir perdão das multas pelas infrações cometidas ao Meio Ambiente.

O ofício encaminhado ao Ibama três dias antes do atentado, o MPF cobrava um plano de contingenciamento ao órgão do Ministério do Meio Ambiente. “[…] a manifestação dos produtores rurais, caso levada a cabo, ensejará sérias infrações ambientais que poderá, até mesmo, fugir ao controle e impedir a identificação da autoria individual, haja vista a perpetração coletiva”, diz ainda o documento.

A revista Globo Rural conta que, dois dias após o “dia do Fogo”, em 12 de agosto, o Ibama respondeu que “a Coordenação de Operações de Fiscalização e o Núcleo de Inteligência da Superintendência do Pará havia sido comunicada sobre a iminência dos incidentes e ressalta que devido aos diversos ataques sofridos e à ausência de apoio da Polícia Militar do Pará” as ações de fiscalização não aconteceram por “envolverem riscos relacionados à segurança das equipes em campo”.

O Ibama disse ainda que foram “expedidos ofícios de solicitando o apoio da Força Nacional de Segurança”, mas que não obteve retorno sobre esse pedido.

O MPF do Pará confirmou que funcionários do Ibama vinham sofrendo ataques de madeireiros e grileiros, e não contavam com proteção policial.

Na tarde de domingo (25), logo após a repercussão das notícias sobre o “dia do Fogo”, o ministro da Justiça, Sergio Moro, disse que a Polícia Federal irá investigar o conluio entre os grileiros e agricultores.

“Sim, fui contatado hoje mesmo pelo PR @jairbolsonaro sobre o fato e solicitando apuração rigorosa. A Polícia Federal vai, com sua expertise, apurar o fato. Incêndios criminosos na Amazônia serão severamente punidos”, escreveu Moro.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Sair da versão mobile